quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

A volta do Genérico - ou Seis Tão fritos...


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Convocado às pressas para assumir o lugar de pizzaiolo deixado pelo passamento de Carmen Miranda, o desassombrado paladino (mais pá que ladino) já tem delineada a sua estratégia de ação.

Primeiro, o Genérico dá o tradicional grito: “Senta que o leão é manso!”.

Depois o portenho “Mira bien!”

Em seguida o britânico “Who that has no dog hunts with a cat instead!”

Depois o humilde castelhano “Yo me cago en Dios!”

Em seguida o resignado francês “A faute de mieux on couche avec sa femme!”

Sabe que a opinião publica está furiosa com o fato de que nunca antes na história deste país roubou-se tanto.

Rezar mais de um rosário para Maria pode não resolver!

Ela não foi, mas a Nação continua sendo estuprada pelos cãorruptos.

De repente surgirão novas revelações cãotundentes (pior que mordidas de pastores de sacolinha).

Aí o Genérico fará saltos extraordinários até bater com o rabo na cerca.

Recitará então, o poeminha:

“Joãozinho matou pai e mãe só pra mostrar saliência;
depois pedia chorando prum pobre órfão clemência”.

E os cães ladinos acabarão enchendo o rabo de melancia, antes da hora do juízo final.

Enfim, seis tão fritos...


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

2 comentários:

Loumari disse...

Très drôle! j'ai beaucoup ri. Eh oui, un peu de douceur dans ce monde des brutes.



Muito engraçado! Eu ri muito. Sim, um pouco de doçura neste mundo de brutos.

Loumari disse...

Todo o Mal Provém não da Privação mas do Supérfluo

Ser feliz é, afinal, não esperar muito da felicidade, ser feliz é ser simples, desambicioso, é saber dosear as aspirações até àquela medida que põe o que se deseja ao nosso alcance. Pegando de novo em Tolstoi, que vem sendo em mim um padrão tutelar, lembremos de novo um dos seus heróis, o príncipe Pedro Bezoukhov (do romance 'Guerra e Paz'). As circunstâncias fizeram-no conviver no cativeiro com um símbolo da sabedoria popular, um tal Karataiev. Pois esse companheirismo desinteressado e genuíno, esse encontro com a vida crua mas desmistificadora, não só modificaram o príncipe Pedro como lhe revelaram o que ele precisava de saber para atingir o que nós, pobres humanos, debalde perseguimos: a coerência, a pacificação interior, que são correctivos da desventura.
Tolstoi salienta-nos que Pedro, após essa vivência, apreendera, não pela razão mas por todo o seu ser, que o homem nasceu para a felicidade e que todo o mal provém não da privação mas do supérfluo, e que, enfim, não há grandeza onde não haja verdade e desapego pelo efémero. Isto, aliás, nos é repetido por outra figura de Tolstoi, a princesa Maria, ao acautelar-nos com esta síntese desoladora: «Todos lutam, sofrem e se angustiam, todos corrompem a alma para atingir bens fugazes».

"Fernando Namora, in 'Sentados na Relva'
Portugal 1919 // 1989
Escritor/Poeta/Médico