sábado, 20 de dezembro de 2014

Balanço final


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão

Não falarei de perfumes pois as rosas murcharam e os espinhos se abriram. Eis o retrato mais fiel do que foi o ano de 2014. Para quem se imaginava seis vezes campeão do mundo foi chocante levar de sete em casa e sem reação colocar a culpa na estrutura do futebol brasileiro. Muitos embates políticos, eleições e o balanço final aponta um desequilíbrio maior de contas públicas, endividamento, e o dinheiro público jogado ralo afora com a corrupção - nossa marca global.

As instituições democráticas poderão ser fortalecidas, sem dúvida, mas para tanto é preciso faxina geral e total com todos os envolvidos e o alto clero que se privilegiou da situação de poder para abrir sulcos profundos numa escalada sem tréguas para arrebatar nas licitações o néctar das vantagens ilícitas. A infra estrutura deu uma leve melhora e temos em 2016 os jogos olímpicos - quiçá consigamos terminar em 2015 todas as obras e preparar os atletas para que vençam o desafio de pouco patrocínio, mas muito suor em busca das medalhas.

Em termos econômicos derrapamos feio. Os indicadores não mentem. Queda em todos os setores da indústria, alta da inflação e o dólar batendo no teto. As famílias sem poder aquisitivo e dispensas em massa nas montadoras e ainda nas construtoras. O modelo abraçado não foi exitoso e é preciso rever rapidamente a estrutura de financiamento com acesso ao dinheiro dos bancos públicos e o constante inadimplemento pelos mutuários.

A sofrível bolsa de valores teve um dos seus piores desempenhos de todos os tempos, chegando a quase 46 mil pontos, quando projetava no início do ano 70 mil pontos. As quebras das petroleiras atingiram o seu objetivo e a queda do petróleo colaborou em parte, mas o pior de tudo se consolidou na roubalheira e na falta de respeito ao mercado e a respectiva governança corporativa.

A dúvida que todos colocam é se conseguiremos sair do atoleiro e entrar daqui para frente na estabilidade econômica, já que os países do BRIC atravessam idêntica situação de redução do crescimento e piora nos níveis de desenvolvimento e crescimento. A inclusão de alguns não pode representar a desinclusão de muitos. Os programas sociais precisam ter um planejamento sem que o Estado perca seu rumo com alternâncias detrimentosas ao trabalho e caridades sequer participativas em nações do primeiro mundo. As reformas são inadiáveis, política, partidária, tributária, para desencadearem aquela econômica, mola propulsora de uma sociedade que envelhece e tem rasgos no futuro da seguridade social.

As ruas não representam mais o caminho da segurança. A pressão deve ser feita no parlamento e o canal de comunicação aberto. Os eleitos estão sendo diplomados. Que em 2015 tenham juízo, bom senso e acima de tudo o mote da honestidade permanente, pois que os desmandos comprometem gerações e se a maioria dos serviços públicos se qualifica imprestável tudo isso se deve à ambição, desvios e esquemas que agora estão sendo definitivamente quebrados.

Oxalá o Brasil acorde em 2015 sem o estigma do jeitinho, da propina e dos conchavos políticos de grupelhos que fazem do Brasil uma Nação sem horizontes para o inalcançável futuro de todos os que aspiram igualdade, distribuição de riqueza e uma tributação justa.


Carlos Henrique Abrão, Doutor em Direito, é Desembargador no Tribunal de Justiça em São Paulo.

Um comentário:

Anônimo disse...

Infelizmente, fatos e palavras não convencem ditadores e, principalmente, quando o único objetivo destes é viver nababescamente.