sábado, 27 de dezembro de 2014

Por que a evasão do ensino médio não para de crescer


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Francisca Paris

O escritor carioca Carlos Heitor Cony, integrante da Academia Brasileira de Letras, declarou que, aos 20 anos, sabia latim e era capaz de recitar trechos inteiros do Pro Milone, de Cícero, mas que era incompetente nas coisas práticas e necessárias. Ele não sabia sequer tomar um bonde.

O relato de Cony levou-me a refletir sobre a função social do Ensino Médio nas escolas brasileiras, em um momento em que são nos apresentados dados que indicam a evasão dos alunos neste nível de ensino. Há debates que propõem princípios, fundamentos e procedimentos a serem considerados na organização pedagógica e curricular de cada unidade escolar, objetivando a vinculação da educação escolar com o mundo do trabalho e a prática social, consolidando o exercício da cidadania e proporcionando a preparação básica para o trabalho.

Diante dos encaminhamentos propostos, parece-nos que os conteúdos curriculares devem estabelecer a relação entre teoria e prática por meio de situações próximas à realidade do aluno, a fim de que a aplicação dos conhecimentos adquiridos na escola permita a compreensão crítica e a revisão das situações da vida cotidiana. Todavia, quando nos aproximamos da maioria de nossos alunos e, sensivelmente, ouvimos suas vozes interiores, escutamos uma queixa muito semelhante ao lamento de Cony.

Nossos jovens, geralmente, não conseguem fazer conexões entre o saber escolar e o exercício prático desse conhecimento. Esse é, a meu ver, um fator fundamental, dentre outros, que justifica a evasão dos alunos. Falha deles? Penso que não. Problemas complexos exigem reflexões não lineares e abertas. É preciso olhar para todo o contexto e buscar possibilidades.

Culpar somente os alunos é uma atitude reducionista. Disse Bertolt Brecht: “Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem”. Da mesma forma, dizer da incapacidade, desmotivação, desencanto e desinteresse dos jovens com relação à escola é ignorar todo o entorno sociocultural que, intercambiando com o sujeito, o constrói.

Olhemos para os fazeres pedagógicos, para as inferências didáticas, para o discurso e postura educativa, para a organização do ambiente escolar, para a forma com que agrupamos os alunos, para os conteúdos que elencamos como fundamentais, para as avaliações que organizamos. Não seriam, também, responsáveis pela evasão dos jovens?

Vamos mais longe. Atualmente, em nosso País, existe fraca relação entre a conclusão da escolaridade e a inclusão no mundo do trabalho. Os sucessos sociais e profissionais estão diretamente relacionados com os saberes conquistados na escola? O que fazer? Nesse caso, manual de instruções não existe. Cabe-nos, como educadores, procurar caminhos de conexão entre o que ensinamos e o que faz sentido para o aluno e para a vida.


Tarefa fácil? Evidentemente que não. Aliás, muito difícil. No entanto, é possível, para aqueles que acreditam nas pessoas e têm como eixo balizador de sua vida a educação como ato social de mudança do mundo. Este é o desafio; afinal, o ato educativo é uma prática política que requer muita reflexão e coragem, já que no seu âmago reside a esperança da transformação. Transformação para quê? Para os alunos não ficarem assustados e confusos, na hora de tomar o bonde, ou pior, decidam pular dele porque não sabem para onde vai.

Francisca Paris é pedagoga, mestre em Educação e diretora de serviços educacionais da Saraiva.

5 comentários:

Anônimo disse...

Serrão é o Cara da Proa

Estamos num bote ele ta na proa, os remadores estão de costas, ele grita terra vista, não tem porra nenhuma, mas temos que continuar remando.
Agora a Venezuela vai treinar os guerrilheiros do MST para matar brasileiros, assim que começar sua invasões a proprietários legal de seus pedaços de terra.
Agora podemos pedir intervenção militar.

Anônimo disse...

Faltou a redatora do texto uma análise essencial: O papel da família junto aos estudantes. No meu tempo, meus pais acompanhavam de perto o meu progresso escolar e ai de mim se não correspondesse às expectativas. hoje, agradeço muito pelo que fizeram por mim. No entanto o que já estamos cansados de ver nas escolas? jovens violentos que agridem seus professores física e oralmente, que não se interessam em estudar (o estímulo e o exemplo também devem vir de casa), o desrespeito é geral. Os professore não são profissionais preparados para atender, nem aturar todo tipo de nociva patologia comportamental.

No tocante a educação o que é preciso é de gestores sérios que compreendam o real ensino do aprendizado. Estuda-se para se ter um lugar ao Sol, para participar de maneira decente dos rumos da Nação, para formar uma sociedade sadia. Tais metas já deveriam ser o motor para interessar qualquer jovem aos estudos, porém o que existe é uma forte inversão de valores.

Então não me venha com pseudo métodos e elocubrações pedagógicas. Só existe um caminho: sentar na cadeira e estudar e estudar muito. Processo infalível que esta na ativa desde que o homem deixou de uivar para a Lua e usou a primeira ferramenta. Alías podemos ver tal pedagogia aplicada em Harvard, Oxford, Coimbra, etc.

Saudações.

Loumari disse...

ROUBO EM GUANGZHOU ( CHINA )

Durante um assalto, em Guangzhou na China, um dos assaltantes de um banco gritou: "Não se movam. O dinheiro pertence ao Estado mas a vossa vida pertence a cada um de vocês."
E todos no banco deitaram-se no chão, calmamente. A isso se chama "Mind changing concept"; portanto, "Mudar a forma convencional de pensar.

Mesmo assim, uma senhora levantou-se e foi-se deitar em cima da mesa, de forma provocadora. Aí o ladrão gritou para ela: "Por favor, seja civilizada. Isto é um assalto e não um estupro!" A isso se chama "ser profissional". Presta enfoque apenas ao que foi treinado para fazer!

Quando os assaltantes voltaram a casa, o ladrão mais novo (com mestrado), disse o ladrão mais velho (com apenas sexta classe de escolaridade primária): "Big brother, vamos contar o quanto nós temos." O ladrão mais velho refutou e disse: "... Você é muito estúpido. Há tanto dinheiro neste saco que vai nos levar muito tempo a contar. Hoje à noite, no noticiário da TV ficaremos a saber quanto roubamos ao banco!" A isso se chama "experiência". Hoje em dia, a experiência é mais importante do que as qualificações de papel!

Depois que os ladrões foram embora, o gerente do banco disse ao supervisor bancário para chamar a polícia rapidamente. Mas o supervisor lhe disse: "Espere. Vamos sacar mais $ 10 milhões do banco para nós mesmos e adicioná-los aos $ 70 milhões, que desviamos anteriormente!". A isso se chama "nadar sobre as ondas." Converter uma situação desfavorável em proveito próprio! E o supervisor ainda acrescentou: "Vai ser bom se houver um roubo a cada mês." A isso se chama "matar o aborrecimento." A felicidade pessoal é mais importante do que o seu trabalho.

No dia seguinte, no noticiário de TV, ficou a se saber que foram desviados do banco US $ 100 milhões. Os ladrões contaram e recontaram o dinheiro e só viram que tinham $ 20 milhões. E ficaram muito irritados e exclamara "..! Arriscamos nossas vidas por apenas 20 milhões de dólares. E o gerente do banco levou 80.000 milhões de dólares num estalar de dedos. Parece que é melhor estudar do que ser ladrão". A isso se chama "O conhecimento vale tanto como o ouro!"

O gerente do banco estava sorrindo e felizes porque as suas perdas no mercado de acções agora seriam cobertas pelo roubo. A isso se chama "Aproveitando da oportunidade." Atrever-se em correr riscos!

Se gostou partilhe estas lições de vida, cómicas.


Loumari disse...

A Verdadeira Filosofia de Vida

Trabalhar com nobreza, esperar com sinceridade, sentir as pessoas com ternura, esta é a verdadeira filosofia.
1 - Não tenhas opiniões firmes, nem creias demasiadamente no valor das tuas opiniões.
2 - Sê tolerante, porque não tens certeza de nada.
3 - Não julgues ninguém, porque não vês os motivos, mas sim os actos.
4 - Espera o melhor e prepara-te para o pior.
5 - Não mates nem estragues, porque não sabes o que é a vida, excepto que é um mistério.
6 - Não queiras reformar nada, porque não sabes a que leis as coisas obedecem.
7 - Faz por agir como os outros e pensar diferentemente deles.

"Fernando Pessoa, 'Anotações de Fernando Pessoa (sem data)'

Anônimo disse...

O velho blablablá pedagógico. Há trinta anos atrás [ou mais] era muito simples: ou se queria estudar, ou não. E tinha-se de estudar, verdadeiramente. Hoje, tudo é desculpa para vagabundagem dos alunos, tudo serve como justificativa para se evitar o esforço necessário ao estudo. No ensino médio, o que mais se vê, são alunos analfabetos chegando, recém egressos do fundamental, de onde foram passados a torto e a direito. Então, os pedabobos vêm com a velha conversinha de sempre.. a velha conversinha que aniquilou com a educação nesse país. Querem arrumar a educação no Brasil? fechem os cursos de pedagogia e retornem ao sistema de meio século atrás, que realmente funcionava.
O que mais se vê, hoje, são alunos que reprovam - por falta total de interesse em aprender qualquer coisa que lhes exija o mínimo esforço - anos após ano, até completarem idade para uma supletivo, geralmente EJA... querem um certificado, não conhecimento.
Eu sei o que é estudar, e como estudava, e não tinha essa bobageira de pedagogos naquele tempo: quem não queria estudar, que fosse trabalhar...e bem se sabia que gênero de trabalho lhes estava reservado. Achava difícil decorar as declinações do latim? vá carregar pedras. Estão ruins os problemas de álgebra, pegue numa enxada. Não quer estudar para a sabatina? vá andar na rua com carinho de pipoca.
Tenho visto reforma após reforma no sistema educacional e, após cada uma, apenas ficou tudo pior do que estava antes. Mas foi depois que os pedagogos começaram a infestar o sistema que tudo degringolou de vez. E lá vinham eles com suas bestas idolatradas "Vigotsky" e "Piaget" e "paulo Freire" et caterva.
O leitor das 1:51 PM fez um bom diagnóstico, é isso aí mesmo.

Gregório