segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O País do faz de conta


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Um grande país finge que  é uma democracia. Não é porque não há segurança do direito.

O desgoverno não cumpre nenhuma das três funções básicas de um Estado:

Garantir a segurança pessoal dos cidadãos contra ameaças externas e internas;

Assegurar o saneamento básico e

Administrar a justiça.

A classe política trai a pátria e só se preocupa em se locupletar.

O simulacro de judiciário é uma pantomima de terceira classe que serve apenas para atender ao apetite dos poderosos que garantam seus  privilégios e vaidades.

Permanece a incógnita da grande esfinge que é o Exército.

Assiste impassível a desagregação da sociedade e da economia.

Se não conseguir comovê-lo a salvar a nação, o povo será devorado pelo caos, pela roubalheira e pela incompetência.

Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

3 comentários:

Loumari disse...


Um Autêntico Sonho de Amor

Orgulho, vaidade, despeito, rancor, tudo passa, se verdadeiramente o homem tem dentro de si um autêntico sonho de amor. Essas pequenas misérias são fatais apenas no começo, na puberdade, quando se olha uma janela e se desflora quem está lá dentro. Depois, não. Depois, sofre-se é pelo homem, é pela estupidez colectiva, é por não se poder continuar alegremente num mundo povoado, e se desejar um deserto de asceta. O ascetismo é a desumanização, é o adeus à vida, e é duro ser uma espécie de fantasma da cultura cercado de areias.

"Miguel Torga, in "Diário (1948)"

Loumari disse...

Onde Será a Terra Prometida?

Triste época a nossa! Para que oceano correrá esta torrente de iniquidades? Para onde vamos nós, numa noite tão profunda? Os que querem tactear este mundo doente retiram-se depressa, aterrorizados com a corrupção que se agita nas suas entranhas.
Quando Roma se sentiu agonizar, tinha pelo menos uma esperança, entrevia por detrás da mortalha a Cruz radiosa, brilhando sobre a eternidade. Essa religião durou dois mil anos, mas agora começa a esgotar-se, já não basta, troçam dela; e as suas igrejas caem em ruínas, os seus cemitérios transbordam de mortos.
E nós, que religião teremos nós? Sermos tão velhos como somos, e caminharmos ainda no deserto, como os Hebreus que fugiam do Egipto.
Onde será a Terra prometida?
Tentámos tudo e renegámos tudo, sem esperança; e depois uma estranha ambição invadiu-nos a alma e a humanidade, há uma inquietação imensa que nos rói, há um vazio na nossa multidão; sentimos à nossa volta um frio de sepulcro.
A humanidade começou a mexer em máquinas, e ao ver o ouro que nelas brilhava, exclamou: «É Deus!» E come esse Deus. Há - e é porque tudo acabou, adeus! adeus! - vinho antes da morte! Cada um se precipita para onde o seu instinto o impele, o mundo formiga como os insectos sobre um cadáver, os poetas passam sem terem tempo para esculpir os seus pensamentos, mal os lançam nas folhas, as folhas voam; tudo brilha e ecoa nesta mascarada, sob as suas realezas de um dia e os seus ceptros de cartão; o ouro rola, o vinho jorra, a devastidão fria ergue o vestido e bamboleia-se... horror! horror!
E depois, há sobre tudo isso um véu de que cada um tira a sua parte, para se esconder o mais possível.
Escárnio! horror! horror!

"Gustave Flaubert, in 'Memória de um Louco'
França 1821 // 1880
Escritor

Anônimo disse...

Loumari! Loumarí!
um louco TRAVEStí
enchendo o saco até da ralé do patropí
vai te catar seboso!!!