domingo, 21 de junho de 2015

A Previc e os balanços com a barriga


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sérgio Salgado

É notória a diminuição de reportagens sobre a Petros e também sobre as demais fundações, com leve alteração em relação às que estão enquadradas em déficits já neste 2015 (caso da Postalis, da Funcef etc.). É mais que evidente que isso nada tem a ver com a melhoria da chamada Governança Corporativa mas, situação muito mais grave, com a tentativa do sistema (explicita-se aqui, do Governo Federal) em jogar uma cortina de fumaça sobre a real situação das fundações de previdência complementar ligadas as estatais.

A PREVIC que, tecnicamente, foi criada para proteger os participantes das fundações, é a principal responsável, senão a única, por essa situação danosa ao permitir, ILUSÓRIA E VERGONHOSAMENTE, que os gestores das fundações ESCONDESSEM dos participantes, ao menos daqueles que não se intimidam com cara feia nem tampouco rezam por suas cartilhas, a publicação de relatórios atualizados da sua gestão.

No caso da Petros, nosso caso, desde dezembro de 2014 nada mais foi publicado. Dá a impressão que está tudo às mil maravilhas! Ledo engano, a forma com que a aplicação dos nossos investimentos foi montada é extremamente ruinosa à segurança dos benefícios dos participantes. O Governo Federal usa e abusa do seu poder e obriga esses gestores a cumprirem papel subalterno, de forma a montarem políticas que de poder e não de estado.

Porém não é somente esse o problema gerado pela Previc. Sequer cumpre seu papel investigativo e corretivo. Exemplo: após a explosão da publicação dos vários déficits, obrigando algumas fundações a dividirem o prejuízo com seus participantes (sem qualquer responsabilidade, pois eles não têm ingerência na indicação desses gestores), finalmente puniu a gestão anterior do Postalis. Mas puniu tardiamente, pôs tranca na casa somente após ela ser arrombada pelos gatunos.

Puniu a Postalis por uma série de aberrações em investimentos mal elaborados ou será que foram bem elaborados pela expertise de sempre? No entanto não puniu os gestores das demais fundações!!!!

Não precisa ser esperto para verificar que todas as fundações aplicam nas mesmas arapucas. Então porque não puniram a Petros e também a Funcef?

Há um grupo , no qual vários de nós estão incluídos, que vem continuamente apresentando denúncias. Claro que faltam provas, mas sobram indícios e indícios fortíssimos. Nada de prático se obteve na Previc e nas demais agências (todas elas com indicações políticas, portanto atreladas ao beija-mão). Tampouco obtemos respostas dos conselheiros que foram eleitos pelos participantes. A operação Lava-Jato, ainda que com todas as críticas de quem pensa o Brasil na forma de paixão futebolística, está mudando o panorama, obrigando que diversas autoridades revejam sua postura frente ao crime. Claro que, para grande parte de nós, isso pode estar ocorrendo de forma ainda muito lenta. Mas está acontecendo!!!

Acompanhem o resultado das diversas denúncias sobre o Grupo Galileo e o artigo publicado na revista Época sobre o resultado de mais esse golpe nas fundações. Certamente isso não teria chegado aonde chegou se os diversos responsáveis por acompanharem os investimentos da Petros, estivessem preocupados de fato com os participantes e não somente consigo próprios e com suas participações em cargos de direção.

A Aepet chegou a publicar um artigo, subliminarmente, limpando a “barra” (ou será forçando a barra?) ao afirmar “”. Ainda bem que a Polícia Federal não chegou às mesmas conclusões!!!


Sérgio Salgado é Aposentado da Petrobras e ex-conselheiro fiscal do fundo Petros.

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