quinta-feira, 25 de junho de 2015

Crisântemos e Mandiocas


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

A crise vem na velocidade de um trem-bala mas a Anta nem se abala.

Preocupada só com as unhas e os cílios, não vê que a coisa sai dos trilhos.

Os cortes não foram feitos pelo mão de tesoura. Logo, logo a bomba estoura.

Ferrar o trabalhador não é mais sem dor. Ferrar a classe média: se encarrega o vil prefeito. Ferrar quem trabalha e quem produz sem ver no fim do túnel a luz.

É uma anta sapiens ferrageira mas de glória passageira.

Que agora planta mandioca e jura que faz dieta da tapioca.

Engasga com a bala e mente (de menta?), finge, tergiversa e grita, procura disfarçar que é hoje apenas uma pobre anta aflita (prefere bala chita?).

Desdenha a sorte e a justiça, a ira do povo atiça, se acha madre superiora mas não passa de simples noviça.

Do grande valhacouto gerenta, não mais chá tomar aguenta e pra conseguir de café uma tina, tenta imitar a platina que de tango em tango não consegue mais um mango.

As lindas flores usadas como título, símbolo de um império oriental, são aqui flores do mal, como os versos perversos de um francês, traduzidos lindamente ao português, por um Guilherme, que felizmente não viveu o bastante pra ver o estrago de anta e verme.

E se for verídica do empreiteiro a fofoca, será na cela que ambos vão sentar na mandioca!

E, no desterro, com direito à crisântemo no enterro.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

4 comentários:

Loumari disse...

O homem prudente não diz tudo quanto pensa, mas pensa tudo quanto diz.
(Aristoteles)


Prudência é saber distinguir as coisas desejáveis das que convém evitar.
(Marcus Cícero)

Loumari disse...

Saber Sair na Hora Certa

Não esperar até ser sol poente. É máxima do cordo deixar as coisas antes que elas o deixem. Que se saiba converter em triunfo o próprio fenecer, pois às vezes mesmo o sol, ainda brilhante, costuma retirar-se numa nuvem para que não o vejamos cair, e nos deixa suspensos, não sabendo se ele se pôs ou não. Furte-se aos ocasos para não rebentar de desdouros; não espere que lhe voltem as costas, porque o sepultarão vivo para o sentimento e morto para a estima. O atilado dispensa a tempo o cavalo em que corre, e não espera que, caindo, faça erguer-se o riso no meio da corrida; que a beleza quebre o espelho com tempo e com astúcia, e não com impaciência depois, ao ver o seu desengano.

"Baltasar Gracián y Morales, in 'A Arte da Prudência'
Espanha 8 Jan 1601 // 6 Dez 1658
Escritor/Pedagogo



Loumari disse...


Nunca Falar de Si Mesmo

Nunca falar de si mesmo. Quem fala de si ou se há-de gabar, o que é vaidade, ou se há-de vituperar, o que é pouquidade, e sendo culpado de falta de cordura quem fala, a pena é de quem ouve. Se isso é de se evitar entre próximos, muito mais em postos sublimes, onde se fala em público, e passa por nescidade tudo o que se pareça com ela. A mesma falta de cordura está em falar dos presentes, pelo perigo de dar em um dos dois escolhos: lisonja ou vitupério.

"Baltasar Gracián y Morales, in 'A Arte da Prudência'
Espanha 8 Jan 1601 // 6 Dez 1658
Escritor/Pedagogo

Loumari disse...


Saber Negar

Nem tudo se há-de conceder, nem a todos. É tão importante quanto o saber conceder, e nos que mandam é consideração indispensável. Aí entra o modo. Mais se preza o não de alguns que o sim de outros, porque um não dourado satisfaz mais que um sim a seco. Há muitos que têm sempre um não na boca. Neles o não é sempre o primeiro, e, ainda que depois tudo venham a conceder, não se entende por que precedeu aquela primeira mágoa. Não deverão as coisas ser negadas de chofe: sorva-se aos tragos o desengano; nem se negue de todo, que seria desesperar a dependência. Que fiquem sempre alguns vestígios de esperança a temperar o amargor do negar. Que a cortesia encha o vazio do favor e que as boas palavras supram a falta das obras. O não e o sim são breves de dizer, e pedem muito pensar.

"Baltasar Gracián y Morales, in 'A Arte da Prudência'
Espanha 8 Jan 1601 // 6 Dez 1658
Escritor/Pedagogo