terça-feira, 30 de junho de 2015

Há profissão melhor?


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Roberto Gotaç

Nunca é demais refletir sobre a "dura" vida dos nossos nobres políticos. 
É de conhecimento geral que sua aposentadoria se configura como um elenco odioso de privilégios, construído ao longo do tempo, o que prova que passaram boa parte de seus mandatos aperfeiçoando os próprios benefícios, sem grandes preocupações com a inatividade de seus eleitores, pobres contribuintes, responsáveis, em última analise, pelos pagamentos . 

Além de se poderem eternizar no poder até o último suspiro, sem sofrerem as restrições do limite de idade imposto a outras categorias de servidores, precisam de pouquíssimo tempo, às vezes nada mais que um mandato, de serviço pouco sacrificado,  com vários recessos durante o ano e semanas de três dias, para fazerem jus pelo resto de suas existências a valores que fariam chorar de inveja qualquer trabalhador que ainda tenta entender o regra dos 85/95 com a qual terão que contar para almejar, por exemplo, o teto máximo do INSS.  

Além de todo esse aconchego ocioso ao deixar a carreira, são, enquanto ativos, blindados judicialmente, pois somente serão presos em caso de flagrante de crime inafiançável.  

As recentes declarações via delação premiada de um dos envolvidos na operação lava-jato, dando conta da participação de alguns parlamentares em transações para financiamento de campanhas e favorecimentos ilegais, deram origem a reações indignadas dos citados, todos jurando que não sabem de nada, não conhecem ninguém e que os gastos estão de acordo com a lei. 

Ou seja, mesmo que seja provada por investigação, a irregularidade, há ainda um longuíssimo caminho até que o braço da justiça os alcance. 

Os nossos políticos constituem, assim, uma categoria de auto representantes que não se aposentam compulsoriamente, podendo atuar até o túmulo, contam com generosa benefício financeiro após pouquíssimo tempo de ativa e são imunes às instâncias normais da justiça. 

Há no mundo melhor profissão? 

E é inútil, como seria lógico, argumentar que a solução está no voto, pois este está amarrado a um sistema eleitoral viciado que clama por uma urgente reforma que acaba de não ser aprovada.


Paulo Roberto Gotaç é Capitão de Mar e Guerra, reformado.

Um comentário:

Loumari disse...


Capitão Gotaç,

Sempre tenho lindo seus artigos postados aqui no Alerta Total.

Mas, hoje neste aqui o seu razoamento superou todos os outros artigos precedentes.

Vamos só assistir a ratice deles. E nós, nos rimos de nossa própria desgraça.