sábado, 20 de junho de 2015

Não se deixe apodrecer


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Fernando Di Lascio

“O levante de mais de cinco milhões de pessoas que foram às ruas protestar em Junho de 2013, deixou os poderosos de plantão de cabelos em pé.

Bem instalados na Zona de Conforto de seus tronos às margens do Lago Paranoá, “do nada” os senhores do Poder viram tremer o chão abaixo do seus pés reverberando a cadência ameaçadora dos passos em cortejo, das multidões de brasileiros indignados que floresceram nas maiores cidades do País, a clamar por mais vergonha na cara e a protestar, majoritariamente, contra a corrupção e a impunidade no Brasil.

Bastou uma pequena centelha disparada pela iniciativa de alguns jovens estudantes, ao promover uma mobilização popular contra o aumento de 20 centavos nas tarifas de ônibus e, de repente, eclodiu uma gigantesca balbúrdia que por muito pouco não se transformou em marcha a Brasília.
Esta foi a maior revolta popular desde a retomada do Poder pelos civis em 1982, maior ainda do que aquela que se tentou em 2014 com o fora Dilma.

Constituía-se, assim, uma ameaça concreta e direta à essa gente - e ao seu séquito – que mantém a firme determinação em continuar no Poder, seja no Legislativo, no Judiciário ou no Executivo, custe o que custar.

Todo mundo sabe que quando o assunto é Poder, esses políticos que aí estão se desdobram e se flexibilizam e, muitas vezes até, dependendo dos “benefícios” capitulam na maior cara de pau.

Então, nervosos com a chacolhada que tomaram, os poderosos de plantão resolveram reagir àquela ameaça, mas já sabiam que a única forma de conseguir algum êxito nesta empreitada seria acalentar a sociedade, o público, ou seja, nós outros, com uma boa adulação astuciosa.

Com esse objetivo, dirigentes do Legislativo, do Judiciário e do Executivo se reuniram e inventaram um grande ardil para acalentar a euforia do povo e a chamaram de “Agenda Positiva”.

Pela tal agenda positiva, caberia a cada um dos três Poderes tomar atitudes bem auspiciosas para embalar o povo e ajudar a todos a manter seu status quo. Assim, algumas semanas depois, o Senado aprova um Projeto de Lei do Sarney transformando a corrupção em crime hediondo, enquanto o Supremo Tribunal dava ordem de prisão à meia dúzia de políticos e empresários graúdos e, a presidenta, prometendo ouvir o povo, propõe um pacto nacional por uma reforma política milagrosa.

E essa embromação toda surtiu efeito por quase dois anos mas, agora, neste final de Maio, vimos ser despejada a última pasada de terra no féretro das expectativas que essa exdrúxula manobra com a opinião pública possa ter gerado em parte da sociedade.

A Presidenta, nesta vibe da agenda positiva, prometeu em sua diplomação, e reprometeu na posse, que iria ouvir todo mundo (a sociedade) para propor um “pacto nacional” em torno de uma reforma política virtuosa que haveria, ainda,  de ser levada para aprovação da sociedade através de um plebiscito nacional mas logo jogou a toalha na disputa pelo controle político do Congresso e nunca mais falou em pacto nacional ou em reforma política.

Por sua vez, a Suprema Corte mandou prender uns graúdos, mas já mandou para casa a maioria deles e como sabemos, muito em breve os que restaram seguirão o mesmo destino e poderão gozar de uma nova vida, quites com a Justiça e possuidores de um patrimônio milionário arrecadado enquanto agentes públicos.

E finalmente, na semana passada, o último e insipiente projeto de reforma política que tramitava no Congresso foi aprovado na Câmara Federal com tantos cortes que não sobrou nenhum resquício do pouco que havia de positivo no projeto de reforma política que os poderosos fizeram para os poderosos.

Portanto, estamos órfãos de representantes sintonizados com a sociedade nos altos escalões do Governo, do Congresso e do judiciário e como homens e mulheres dignos e conscientes da responsabilidade que a cidadania nos impõe,  só nos resta tentar retomar as rédias da situação, pacificamente.

Neste momento, todo brasileiro que respira tem que se lembrar que o Poder que esses nossos representantes nos três Poderes estão usando e abusando para se manter a qualquer custo na nababesca zona de conforto que é Brasília, com seus gabinetes suntuosos e negócios milionários, é um poder que emana de nós, do povo, da sociedade brasileira.

Então, se precisamos corrigir a rota do Brasil, um grande contingente de brasileiros deve parar de emanar esse poder institucional na direção dessas pessoas com nítidos interesses de carreirismo e enriquecimento que hoje habitam o Legislativo, o Judiciário e o Executivo, e emaná-lo na direção de ações práticas e objetivas para obtenção de resultados rápidos e eficientes.

Não dá mais para continuarmos nos deixando enganar. Nós não temos políticos, nem Partidos políticos, nem militares, nem organizações da sociedade civil capazes de promover as reformas necessárias para tirar-nos desta vereda do caos institucional por onde seguimos em passos largos.

Assim, o único caminho que nos resta é abraçar iniciativas populares capazes de impor, através da educação e do exercício da cidadania, mais ética nas relações políticas e sociais e impor, também, um rigor muito maior na fiscalização da atividade dos agentes públicos e punições exemplares àqueles ímprobos guiados por ânimo carreirista e auto-enriquecedor.

Queremos uma sociedade na qual quem quiser ficar rico não irá nem cogitar entrar para a política ou para o Judiciário e por isso estamos desenvolvendo este Projeto de Reforma Política Participativa  que agora inaugura sua segunda Fase e que deverá ser apresentado na forma de iniciativa popular para poder refletir, da melhor forma que encontrarmos,  esta grande demanda social por uma releitura atualizante do nosso pacto social”. 

Fernando Di Lascio é advogado, presidente do Instituto Qualicidade, membro do Corruption Research Group da Universidade de Surrey, Reino Unido, Secretário Geral e Relator do Projeto EPOCC - Estatuto Popular Contra a Corrupção.


Ver Resumo dos estudos e análises da primeira Fase do Projeto Reforma Política Participativa em:
 
 
http://www.qualicidade.org.br/blog-do-cidadao-independente/resumo-dos-estudos-e-analises-da-primeira-fase-do-projeto-reforma-politica-participativa/

2 comentários:

Anônimo disse...

NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DESSE BLOG, FOI ESCRITO VERDADES TÃO LUCIDAS. PARABENS AO TEXTO, AGORA DESCONFIO DO AUTOR POR NÃO TER CITADO A MAFIA DA MAÇONARIA,POIS SE ELE FOR INTEGRANTE TENHO CERTEZA QUE É TUTO CONVERSA PARA BOI DURMIR E APESAR DE ESTAR APONTANDO O QUE REALMENTE ACONTECE PODE ESTAR A QUERER NOS ENGANAR,AGORA SE O QUE DISSE FOR VERDADE EIS AI NOSSO FUTURO PRESIDENTE. NO MEU PENSAMENTO O AUTOR DEVE PROPAGAR SUAS IDEIAS ATRAVÉS DOS OUTROS MEIOS DE COMUNICAÇÃO PARA ASSIM ATINGIR TODAS AS MASSAS...

Anônimo disse...

Adêvogado que escreve "exdrúxulo" e "insipiente" (quando queria mesmo dizer incipiente)...Conheço tantos assim... Verdadeiros insipientes. Parei de ler essa bobagem imediatamente. Já ando cheio de conversa.