quinta-feira, 16 de julho de 2015

Al Capanta e seu Aspone


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Asseçor de Pouca Nenhuma” da Anta, o recém descoberto Homo-Lusco, ouviu dizer de uma luta entre facções de organizações criminosas, nos anos vinte do século passado, na Zamérica onde a zelite não fica histérica.

Não entendeu bem o assunto, nem foi procurar se informar melhor.

Memorizou o nome de um tal de Chicago e pensou ”eu também me cago!”.

Aí disse pra Anta: “Hoje roubaram a caveira do Nosferatu. Se amanhã nos ferramo , será a nossa. Tem uma tal de dona Águia que vendeu nossos dados pessoais pra dona Onça. Até agora ela se finge de morta, mas qualquer hora bate em nossa porta !”

A Anta respondeu:” Que é que ôce qué que eu faça?!!! A coisa já estava cabeluda; imagine se Zebedeu voltar pra Papuda. Será um Deus nos acuda! O troco do cabeleira e do sem-barba não tarda (e também o do colorido dolorido). Enquanto a tua barba assa (até agora não apareceu) pra mim qualquer falho ato, me leva a um lava-a-jato ver a sujeira (que saiu em frente de meu nariz e eu nada fiz) dos carros dos caros amigos. E laranjas? Por causa dessas frutas estou aflita. Terei que ir a amazônia onde a pita abunda pra me encontrar com quem, por ora, está em letargia profunda?!”

Al Capanta dá uma pausa poética e descarrega, nervosa, no aspone:

“Não saio, não caio. Eu luto e não me iludo. Você, seu boi cornudo, de mim não verá nem um puto mais. Nem dos escondidos nem dos que já estão nos jornais!"

Moral da História: Bebum de Rosemary vale menos que um gole de pinga vagabunda!


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

2 comentários:

Loumari disse...

Eu Queria uma Liberdade Olímpica

Acordei hoje com tal nostalgia de ser feliz. Eu nunca fui livre na minha vida inteira. Por dentro eu sempre me persegui. Eu me tornei intolerável para mim mesma. Vivo numa dualidade dilacerante. Eu tenho uma aparente liberdade mas estou presa dentro de mim. Eu queria uma liberdade olímpica. Mas essa liberdade só é concedida aos seres imateriais. Enquanto eu tiver corpo ele me submeterá às suas exigências. Vejo a liberdade como uma forma de beleza e essa beleza me falta.

"Clarice Lispector, in 'Um Sopro de Vida'

Loumari disse...

Palavra

O poema é um objecto carregado de poderes magníficos, terríficos: posto no sítio certo, no instante certo, segundo a regra certa, promove uma desordem e uma ordem que situam o mundo num ponto extremo: o mundo acaba e começa. Aliás não é exactamente um objecto, o poema, mas um utensílio: de fora parece um objecto, tem as suas qualidades tangíveis, não é porém nada para ser visto mas para manejar. Manejamo-lo. Acção, temos aquela ferramenta. A acção é a nossa pergunta à realidade: e a resposta, encontramo-la aí: na repentina desordem luminosa em volta, na ordem da acção respondida por uma espécie de motim, um deslocamento de tudo: o mundo torna-se um facto novo no poema, por virtude do poema — uma realidade nova. Quando apenas se diz que o poema é um objecto, confunde-se, simplifica-se; parece realmente um objecto, sim, mas porque o mundo, pela acção dessa forma cheia de poderes, se encontra nela inscrito: é registo e resultado dos poderes. E temos essa forma: a forma que vemos, ei-la: respira pulsa move-se — é o mundo transformado em poder da palavra, em palavra objectiva inventada em irrealidade objectiva. Se dizemos simplesmente: é um objecto — inserimos no elenco de emblemas que nos rodeia um equívoco melindroso, porque um objecto pode ser útil ou decorativo, e a poesia não o pode ser nunca. É irreal, e vive.

"Herberto Helder, in '(Auto-)Entrevista, Jornal Público, 4 Dezembro 1990'
Portugal 23 Nov 1930 // 24 Mar 2015
Poeta