quinta-feira, 30 de julho de 2015

Casa de Chá ao luar de agosto


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Ah! gosto de ilusões perdidas...

“A cúpula chafurda, mas não há nada que me aturda.

Tudo não passa de um cha-cha-chá dos que dizem que vou dançá!”

No entanto uma grande MÓ fará de seus sonhos, pó.

Como a Nemorino, outra estrada não lhe resta para suas penas minorar (diante do desdém de Adina -raposa que se pensasoprafina) que tornar-se subordinado de seu rival. Não contava com sua morosidade.

“Uzomi num vão consegui distrinchá em que galinha de angola me protejo da gaiola!”

Podem até di mim debochá ! Mais é difici mi pegá !”

O moço vai rodar a baiana. Já está no fundo do poço. Sairá um pouco respingado- menos que o pinguço - mas terá do povo a gratidão eterna por nos ter livrado da Hidra de Lerna.

Enquanto isso, a Anta procura fazer omelete sem quebrar ovo.

O leviano idiota ainda fica contando lorota.

Desta vez não escapa nem o boca de caçapa.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

3 comentários:

Loumari disse...

O Começo de Todas as Histórias

O começo de todas as histórias é, no princípio, ridículo. Parece não haver esperança de que esta coisa acabada de nascer, ainda incompleta e tenra em todas as suas articulações, seja capaz de se manter viva na organização completa do mundo, que, como todas as organizações completas, luta por se fechar. Contudo, não podemos esquecer que a história, se tiver uma justificação para existir, tem dentro de si a sua própria organização completa até antes de estar completamente formada; por esta razão não há motivo para desesperar com o princípio de uma história; num caso semelhante, os pais teriam de desesperar com o bebé porque não tinham nenhuma intenção de trazer para o mundo este ser ridículo e patético.
É claro que nunca sabemos se há razão ou não para o desespero que sentimos. Mas reflectindo sobre isso podemos obter um certo apoio; sofri anteriormente da falta deste conhecimento.

"Franz Kafka, in 'Diário (19 Dez 1914)'
Austria 3 Jul 1883 // 3 Jun 1924
Escritor

Loumari disse...

Enfrentar-se a Si Próprio

Ódio da introspecção activa. Explicações da nossa alma, tais como: ontem eu estava assim e assado, por esta ou por aquela razão; hoje estou assim e assado, por qualquer outra razão. Não é verdade, nem por esta razão nem por aquela razão, e por isso também nem assim nem assado.
Enfrentar-se a si próprio calmamente, sem precipitações, viver como se tem de viver, não andar à caça do próprio rabo como o cão.
Adormeci nos arbustos. Um barulho acordou-me. Encontrei um livro nas minhas mãos, que tinha estado a ler. Deitei-o fora e levantei-me de um salto. Passava pouco do meio-dia; em frente da colina em que eu estava estendia-se uma grande planura com aldeias e lagos e sebes todas iguais, altas, que pareciam feitas de junco. Pus as mãos nas ancas, examinei tudo com o olhar, e ao mesmo tempo escutei o barulho.

"Franz Kafka, in 'Diário (09 Dez 1913)'

Anônimo disse...

O Verdadeiro crime organizado:

https://www.youtube.com/watch?v=D1TXlqWeQng