quinta-feira, 30 de julho de 2015

Conjuntura Nacional


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Marcos Coimbra

É necessário avaliar a conjuntura internacional de início, com o objetivo de analisarmos a conjuntura brasileira. As causas menos próximas das agruras sofridas nos tempos atuais residem na ação dos “donos do mundo”, representados pelos grupos que controlam o sistema financeiro internacional e por via de consequência as economias de praticamente todos os países do mundo. Houve o surgimento dos megablocos econômicos (UE, Ásia) e de uma potência hegemônica, principalmente na expressão militar, os EUA.

Consolidaram-se idéias recorrentes sobre neoliberalismo e globalização, predominantemente financeira, com suas consequências positivas e negativas e a imposição de diretrizes (estabilidade monetária, privatização, liberação de importações, acordo de marcas e patentes com cláusula de retroatividade etc.) aos países extratores de matérias primas, dentre os quais o Brasil pela Trilateral, em especial através da atuação do de órgãos como o Diálogo Interamericano (criado em 1982), expresso pelo chamado Consenso de Washington, em 1988.

Como causas mais próximas, identificamos, principalmente, o “estouro” havido em 2008, que teve como disparador da grave situação existente a quebra do Lehman Brothers, as taxas de juros artificialmente baixas praticadas pelo Fed (sistema de bancos centrais dos EUA), o enorme déficit orçamentário do governo americano, graves falhas de regulamentação, capazes de elevar o grau de risco e alavancagem da sua Economia e a expressiva manipulação da taxa de câmbio pela China.

No presente, identificamos recessão econômica na UE e no Japão, desaquecimento do ritmo de crescimento da China e breve recuperação nos EUA. São algumas razões da queda do preço do petróleo e das “commodities”, no mercado internacional. Porém, é óbvio que a queda do preço do barril do petróleo do patamar de cerca de US$ 100,00 para um nível pouco acima de US$ 50,00 objetiva inviabilizar outras fontes concorrentes como o gás de xisto e o petróleo de xisto (folhelho) produzidos pelos EUA , bem como prejudicar grandes exportadores como Rússia, Irã e Venezuela, beneficiando os grandes importadores do “ouro negro”.

Novas razões de preocupação são a situação da Grécia e a “bolha” acionária na China. A tragédia grega é o resultado de uma combinação perversa de liberalidade excessiva na concessão de benefícios (aposentadoria precoce, elevados valores de aposentadorias, pensões e outros auxílios, sem a contrapartida adequada de contribuições etc.), administrações desastrosas e exploração desmesurada realizada pela banca (internacional e nacional). Na China, o “estouro” da bolha (queda de 30% em um mês) pode significar um grande retrocesso para a agenda de reforma financeira e liberalização, passíveis de efeito de longo prazo sobre os ajustes estruturais almejados. E há a “bolha” imobiliária.

Como principais razões do ataque à soberania brasileira, encontramos a explicação nas seis crises mundiais previstas: energia, alimentos, água doce, matérias primas de natureza mineral, bens do reino vegetal e produtos de origem animal. Ora, a fonte principal destes recursos está na Amazônia. Então, identificamos as ações principais inimigas, tais como abusiva demarcação de terras indígenas pela Funai, assinatura da Declaração Universal dos Direitos dos Indígenas em 2007; auto reconhecimento de áreas Quilombolas e outros. Não é difícil concluir: quem controlar a região amazônica será a potência do terceiro milênio. Esperamos que seja o Brasil, porém a pressão é muito grande para retirada da rica região de nossa jurisdição.

Como principais pontos positivos para enfrentar a difícil situação do país, elencamos: Elevado nível de depósitos compulsórios; Reservas internacionais em torno de US$ 360 bilhões; Renda ainda pouco afetada, mas com perspectivas de agravamento; Pacotes da construção civil, PACs 1 e 2,  Logística , desde que concluídos; Aumento expressivo do salário mínimo nos últimos anos, garantindo um aumento de renda para camadas pobres ( dois terços dos beneficiários do INSS recebem o mínimo), bem como políticas anticíclicas  adotadas à época.

Como principais pontos negativos, verificamos: Inexistência de um Projeto Nacional de Desenvolvimento; Nível de desemprego crescente (8,1 %-IBGE-PNAD e 12,9 %-DIEESE-SP); Déficit nominal de 6,7 % e déficit real de 0,7% do PIB em 2014. Nos úllltimos doze meses de 7,9%; Alto nível de compromissos fiscais assumidos em gastos correntes de pessoal e custeio e dívida bruta acima de 62% do PIB; Taxa de inflação alta, tendendo a superar 9% em 2015;  maior taxa real de juros do mundo (acima de 5%); Nova crise  pode provocar o retorno de parte das pessoas que obtiveram ascensão social para sua condição anterior; Gargalos da infra-estrutura; 

Qualidade precária da mão de obra; Baixa taxa de investimentos (abaixo de 18% do PIB) e elevada carga tributária (acima de 36% do PIB); Passivo externo bruto superior a US$ 1.500 bilhões- jun/2014; Cenário global  emite sinais negativos, reduzindo a demanda pelos produtos exportados pelo país (“commodities”) e queda de preços, sendo o país ainda vulnerável às oscilações nos ciclos de créditos; Vulnerabilidades do comércio exterior brasileiro, em virtude de não termos respondido a tempo aos desafios internos:  estrutural, operacional e exógeno; Consequências de medidas de combate à inflação; Taxa negativa de crescimento do PIB em 2015 (- 1,8%) ; Elevado déficit  no BPTC (mais de 4% do PIB).

Prosseguiremos a análise na próxima semana.


Marcos Coimbra, Economista e Professor, Membro do Conselho Diretor do CEBRES, Titular da ABD e Autor do livro Brasil Soberano.

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