segunda-feira, 6 de julho de 2015

Desagregando


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Toma-se uma garrafa vazia, transparente. Encha-se metade com azeite e o resto com água. Agite-se bem até parecer concluída a mistura. Depois se algum tempo, água e óleo separam-se inexoravelmente.

Assim é o euro. Juntar numa mesma moeda economias tão diferentes, de países habitados por culturas milenares e com valores distintos, é um artificialismo insuportável.

Pobre em recursos naturais, com terremotos e vulcões, a Grécia é a um tempo, esplendor e sepultura.

Invadida, saqueada e explodida por mais de dois mil anos, teve destruídas alguma de suas maravilhas.O Parthenon detonado parcialmente; estátuas e fragmentos arquitetônicos levados para museus de países “bonzinhos” que agora tentaram escravizá-la.

Como um Quixote moderno, o seu povo disse Basta ! (“dijo don Quijotebasta que yo entiendo...“)

Que seu estilo de vida volte a ser espartano e o brilhantismo de seus pensadores ensine de novo aos povos:

“Um copo d'água, um pedaço de pão. Nem sombra de leve mágoa tocará seu coração.”


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

4 comentários:

Anônimo disse...

Estimado Carlos M. Mantiqueira

A Grécia à qual o Sr. se refere não existe mais faz uns dois mil anos. Assim como os egípcios dos faraós, os romanos do tempo de Cícero ou os aztecas de Moctezuma II, os gregos de hoje não têm a mínima relação com os gregos de Esparta ou Atenas. O destino atual da Grécia é mesmo a periferia do mundo.

Loumari disse...

O Homem Pensador e a Mulher Faladora

O homem pensador é necessariamente taciturno. A mulher faladora não consegue atordoar-lhe o espírito, mas faz-lhe nos ouvidos a traquinada intolerável de uma matraca. A matraca afuguenta do coração todas as quimeras do amor. Não vos caseis com homem pensador, mulheres que falais um momento antes de pensar o que direis. O amor —se vo-lo pode inspirar tal homem—fará que não fecheis olhos velando-lhe a doença; fará que lhe sacrifiqueis os haveres, a reputação e a vida; fará tudo que humanamente pode fazer um anjo de sacrifício, mas não vos fará calar. O feudo mais pesado que uma tal mulher pôde impôr a um homem é — a obrigação de ouvi-la.

A ofensa que tal mulher nunca perdoa é — a insolência de ouvi-la, sem escutá-la. Vejam num dicionário a diferença das duas palavras. Escutar é querer ouvir. Uma bela mulher, capaz de extremos, tentou a franqueza do amante que, em vésperas de matrimonio, lhe disse: «não faltes tanto.» A noiva pesou estas palavras, reflectiu, calculou as suas forças, chorou, atormentou-se, e disse: «não me casarei: é impossível calar-me.» Para que me não tomem isto como anedota, é preciso dizer-lhes que esta mulher foi acerbamente ferida no seu orgulho. O orgulho da mulher falladora, uma vez ferido, é incurável. O orgulho da mulher é a sibila de todos os seus segredos.
Uma mulher bonita entretem, silenciosa.
Perguntei uma vez a um meu amigo:
—Aquela mulher sabe falar?
—Com os olhos—respondeu ele.
Era verdade. A natureza, para a não fazer perfeita, dera-lhe a língua. Conforme ia falando, a magia dos olhos perdia-se. Por fim, dez erros de gramática em doze frases de murmuração sobre a vizinha fronteira, fizeram-me cair lá de cima da altura onde eu subira procurando a fonte de luz que se lhe irradiava dos tão lindos olhos!

Camilo Castelo Branco, in 'Um Homem de Brios (1856)'

Loumari disse...

As mulheres gostam de pensar que podem mudar os homens e, às vezes, até conseguem, mas essas mudanças só resultam se, de facto, os homens quiserem mudar; porque se o tentarem fazer só para agradar, tais alterações resultam em efeito «boomerang»: mais tarde ou mais cedo, eles regressam à sua verdadeira essência. E quanto mais tarde, pior.
"Margarida Rebelo Pinto"
Sol / 20090613

Cristiano disse...

Carlos Maurício: Não vale a pena defender essa Grécia de agora. Como comentou o anônimo das 10:28 AM, a antiga Grécia morreu à mais de dois milênios. Essa Grécia de agora só possui no nome a coincidência com aquela de outrora. Daquele antigo povo, sábio no conhecimento, nada mais resta. Nada mesmo.

P.S.: Ninguém tentou 'escravizar' a Grécia. Ela, representada pelos seus figurões populistas e gananciosos, aceitou de boa as condições das cartas na mesa. Quis jogar por livre e espontânea vontade. Sabiam que poderiam perder tudo. Blefou durante a maior parte do tempo no jogo. No final se deu mal: pagaram para ver.

Como você mesmo diz no final do seu texto: a Grécia deve voltar a ser Espartana. E complemento: deixar de lado o comunismo.

Só que agora é tarde.