sexta-feira, 3 de julho de 2015

Mente brilhante mente brilhantemente


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

O cara de mico disse que era uma pessoa “obedianta”.

Vem o médico e o desmente.

Ignora o fato simplesmente.

A coisa é feia mas faz cara de contente.

Enquanto (enquanta?) isso os efeitos do ajuste, o povo sente.

E a Anta ainda quer mandiocar a gente!

Se o cara da capa preta passar o fino pente, no rolo de rato com serpente,
veremos à socapa bela mutreta do boi, que não sabe, mas já foi.

O efeito é igual purgante (purganta?), não há mais quem aguente (aguanta?).

A coisa sairá a jato. Quem tirará a coisa do sapato?

Até hoje só o povo paga o pato.

Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

2 comentários:

Loumari disse...


Só no Ato do Amor se Capta a Incógnita do Instante

Quero capturar o presente que pela sua própria natureza me é interdito: o presente me foge, a atualidade me escapa, a atualidade sou eu sempre no já. Só no ato do amor — pela límpida abstração de estrela do que se sente — capta-se a incógnita do instante que é duramente cristalina e vibrante no ar e a vida é esse instante incontável, maior que o acontecimento em si: no amor o instante de impessoal jóia refulge no ar, glória estranha de corpo, matéria sensibilizada pelo arrepio dos instantes — e o que se sente é ao mesmo tempo que imaterial tão objetivo que acontece como fora do corpo, faiscante no alto, alegria, alegria é matéria de tempo e é por excelência o instante. E no instante está o é dele mesmo. Quero captar o meu é. E canto aleluia para o ar assim como faz o pássaro. E meu canto é de ninguém. Mas não há paixão sofrida em dor e amor a que não se siga uma aleluia.

"Clarice Lispector, in 'Água Viva'

Loumari disse...

A nossa sociedade está a desmoronar-se e ninguém lhe acode. Os laços sociais estão a desaparecer, substituídos por um sistema de valores em que impera a vacuidade, o poder da «competitividade» como força motriz - e não é. Há tempo para tudo, diz o Eclesiastes. Mas a verdade é que os «tempos» foram pulverizados pela urgência de não se sabe bem o quê. A frase mais comum que ouvimos é: «Não tenho tempo para»; para quê? A correria mina as relações de civismo e de civilidade; está a roer os alicerces da família; a família deixou de ser o núcleo das nossas próprias defesas; e vamos perdendo o rasto dos nossos filhos, dos nossos amigos, dos nossos camaradas, dos nossos companheiros. A azáfama nos locais de trabalho é o sinal das nossas fragilidades e dos nossos medos. Estamos com medo de tudo, inclusive de confiar em quem, ainda não há muito, seríamos capazes de confidenciar o impensável.

"Baptista-Bastos"

Jornal de Negócios / 20091120