terça-feira, 14 de julho de 2015

Ou muda ou será mudada


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Chagas

Diante das fortificações da Linha Siegfried, sucedâneo do lado alemão da francesa Linha Maginot, o general George Patton, dos maiores comandantes americanos, chamou as duas de grandes monumentos à estupidez humana. Em dois dias havia ultrapassado a resistência estática dos nazistas, como estes, quatro anos antes, haviam superado a tida como inexpugnável muralha da França.

A conclusão é de que tanto na guerra como na paz, a solução é o movimento. Madame acaba de declarar, na Rússia, que terminará seu mandato. Irá até o fim. Pode ser, mas, para isso, precisa fazer mais do que viajar às estepes. Para ela, o imperativo de sobrevivência está acima e além de andar de avião: significa a necessidade de mudar o governo.

Trocar a maioria dos ministros nomeados pelos partidos por razões fisiológicas e escolher os melhores em cada setor, independente de filiações partidárias. Agitar a administração, a política e a economia com pessoas e ideias novas.

Ministros atuais existem que só entraram no gabinete presidencial no dia da posse. Auxiliares com os quais ela não despacha nem quer despachar, abandonados que estão pela falta de estímulos e diretrizes. Melhor livrar-se deles, não abrindo exceções sequer para o chamado grupo palaciano.

MUITA TEIMOSIA

Madame é teimosa, age como se tivessem sido escolhas dela as nomeações para a equipe de governo. Não foram, na maior parte, senão imposição de acertos partidários para a conquista de maioria no Congresso, que de resto não conquistou. Soma-se às derrotas colhidas nas últimas semanas a ausência de respeito do Legislativo para com o Executivo. A lição sobre a inoperância das Linhas Maginot e Siegfried não deixa dúvidas.

O processo político aproxima-se daquela etapa onde a presidente Dilma muda ou será mudada. Mais grave do que sua popularidade em queda livre é a falta de disposição para mudanças, que começariam pelo ministério, com a anterior elaboração de um plano diretor para o seu governo. O assistencialismo esgotou-se. É preciso quebrar estruturas e ampliar horizontes. Não bastam, sequer, os anteriores conselhos do Lula, que parece haver interrompido o fluxo de colaboração com a sucessora. Não adianta, apesar dele ter estimulado o festival de imposições partidárias.

Em suma, torna-se imprescindível uma olímpica chacoalhada no governo, de preferência antes que cheguem ao ponto de ebulição suas relações com o Congresso, o Tribunal de Contas da União, o Tribunal Superior Eleitoral e a torcida do Flamengo.


Carlos Chagas é Jornalista.

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