domingo, 5 de julho de 2015

Petros vai vender participações: E agora, José?


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sérgio Salgado

Parece piada de português (por favor nenhum preconceito pois também tenho raízes), mas não é. Após a casa ter sido arrombada e os gatunos terem feito a festa, é que vamos colocar tranca.

A Petros, a nossa fundação, que jamais deveria ter sido gerida pelos Governos Federais, gestando políticas suicidas aos seus participantes em busca do poder eterno e, em alguns casos, em locupletação pessoal e enriquecimento ilícito a corrompidos (que começa a ser revelado, vide o Grupo Galileo), conforme começa a ser apurado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, vai rever sua política de investimentos, saindo da renda variável para a fixa.

Mais assustador ainda, essa política de investimentos suicida aplicada à fundação, que privilegiou empresas sem qualquer perspectiva de retorno, em detrimento à rubrica que continha empresas conhecidas do mercado como pagadoras de elevados dividendos, considerando a maturidade do nosso plano, vai se desfazer de ações da sua rubrica Participações.

Essa rubrica, para quem desconhece, é a que permite, face à participação elevada no capital votante das empresas, manter representantes nos seus conselhos, geralmente, caso da Petros, beneficiados são os amigos do rei, parte deles “sindicalistas” (entre aspas, porque nem isso foram) incompetentes que sequer tiveram alguma formação para opinar até na economia da sua própria casa, mas premiados pelo sistema a responder por empresas específicas como bancos, farmacêuticas, logísticas etc.. 

Exemplos máximos: Newton Carneiro como diretor de investimentos da Petros, sem esquecer também que foi presidente do CA da Sete Brasil e, após ter sido derrubado pelo Bendine, como prêmio de consolação (para não ficar desamparado financeiramente!?) foi indicado como “nosso” representante no CA das Indústrias Romi até abril/2016, faturando valor que grande parte dos nossos aposentados sequer sonha (em torno de R$15 mil); Wílson Santarosa, presidente do CD da Petros e do CA da Lupatech.

É uma carteira em que as ações são enfiadas na gaveta e seus agentes compradores vão dormir (para que os participantes tenham pesadelos). Funcionaria se houvesse retorno financeiro pelos juros e dividendos pagos (o que não ocorre) e pode também ser bom para um investidor sozinho (preguiçoso). Fundos de pensão não podem investir dessa forma. Ao ficarmos com elas encarteiradas, perdemos por não as vendermos quando estão com valores elevados mas, se ao contrário, como se vê agora, precisamos de fluxo de caixa e ao vendermos nos submetemos ao comprador, oferta e procura somente.

Mas há culpados. Entre eles, como figura exponencial pela sua volúpia em querer abraçar tudo, sem dar espaço a ninguém, o Sr. Paulo Teixeira Brandão que, vaidosamente e sempre focado no seu presente e futuro como conselheiro eleito ou até mesmo no sonho de voltar a ser diretor eleito mas, desconhecendo toda e qualquer tese econômica e antes de ouvir seus iguais, quando colocado à frente da análise do Saboya em julho/2011 (e que certamente não leu, assim como os demais conselheiros), preferiu sair defendendo a negociação que fizeram com nossos títulos públicos para efetivar uma troca bilionária por ações SEM LIQUIDEZ e sem qualquer expectativa de retorno (ao menos em valores semelhantes) comparando aos títulos vendidos.

O prejuízo que essa operação causou, trazidos a preços de maio/15 pelo IPCA, pelo Raul Rechden, soma entre sobre preço (R$524 milhões) e a perda de rendimentos comparando recebimento de dividendos da ação com a perda dos juros semestrais das NTNB´s (R$456 milhões), o total IRRECUPERÁVEL (repetindo para que possam entender bem, um valor que jamais recuperaremos) de R$980 milhões. Resolvemos, com sua concordância, problemas da dívida interna do Governo ao aumentar até 2050 o vencimento de parte desses títulos.

No anexo, artigo do Valor on-line de hoje, a informação do valor financeiro das ações da ITSA3 está errada.Não valem os R$9 bilhões. Não temos os Relatórios de Atividades da Petros (o último ainda é o de 31/12/2014) porém, olhando o portal da Itaúsa, a Petros, ao manter seus 15% em ações ON deve estar com 389.632.066 ações, cujo preço hoje é de R$8,92/par, portanto isso representa menos de R$3,5 bilhões. Certamente será muito difícil que a Petros consiga obter o valor financeiro que foi feito nesse investimento. Não é em todo lugar que temos gênios iguais aos gestores da Petros e seus conselheiros que apoiaram a operação EM BLOCO.

Claro que esse conselheiro, sozinho, ou ainda, com os outros dois, não poderia(m) ter barrado com seu voto essa negociação (exceção se, consciente do prejuízo que isso causaria, assumisse o risco de denunciar e melar a operação publicamente, coisa que está claro nunca passou pela sua cabeça), mas ao sair defendendo a operação, fazendo praticamente o jogo sujo dos gestores da Petros, permitiu que nossos prejuízos, com aplicações ruinosas, se avolumasse ao dar indicação aos gestores, que foram lá colocados em acertos políticos, sindicais e partidários, que podiam praticar qualquer ato com nossos ativos, que lá estaria ele para os defender. Não estou aqui cometendo nenhuma veleidade, é só cada um reler as várias desculpas que foram postadas (e que nosso grupo de terroristas jamais deixou de criticar, sem obter respostas), boa parte delas, cópia de relatórios e apresentações montadas pelos gerentes da fundação. A maior delas (e novamente usada na CPI), é problema conjuntural somente. Os problemas da Funcef, conjunturais, estão sendo repartidos entre participantes e patrocinadora.

A apresentação sobre a Sete Brasil na CPI da Petrobrás, não deixa de ser outra argumentação descompromissada em relação aos participantes da Petros, tudo a ver com o que o próprio RI da Sete poderia fazer. O Newton Carneiro, dias antes, também esteve lá e fez a mesma defesa (beberam na mesma fonte?). Para não esquecer, até onde sei, ele continua no Partido dos Trabalhadores. Aí fica a pergunta: mas e a crítica feita sobre a influência partidária?

Pelo volume do capital envolvido individualmente nessa venda dos nossos ativos, certamente perderemos dinheiro em deságio. É o caso sugerido pela questão BRF – que, mesmo tendo a maior participação no capital votante – 12,49% - perdemos indicações no CA da empresa, quando a Tarpon e a Previ se juntaram – o que desmente as desculpas dadas por esse conselheiro em outra oportunidade para justificar a sua aprovação da compra da ITSA3.

Mas não foi somente esse conselheiro o culpado. Culpados são todos aqueles que sabedores das denúncias destes terroristas se calaram (e não por desconhecimento técnico do assunto, que é mesmo muito complicado). Se calaram porque apoiaram também e, da mesma forma praticada pelos conselheiros nessas negociações, nem argumento ou questionamento ao que fizemos trouxeram para debate, para nos desmentir. Alguns preferiram mesmo ficar trocando confidências particulares, como se isso fosse resolver.

Estamos numa situação difícil, com a economia do país em recessão, a perspectiva é sombria, já dada por jornais ontem, cobertura conjunta do déficit entre participantes e patrocinadora já em 2016 ou início de 2017.

O cidadão brasileiro, que também não tem nada a ver com isso, vai pagar a conta pois, apesar da Petros ser privada, sua patrocinadora é estatal.

E agora José?!


Sérgio Salgado, Aposentado da Petrobras, foi conselheiro fiscal do Fundo Petros.

Um comentário:

Anônimo disse...

A farra vai continuar... Neste sentido, logramos demonstrar três teses, quais sejam:
O atual capitalismo bursatil global é uma espécie do gênero conspiração (tese 1);
O retorno ao real nos reenvia em última análise, à exploração dos trabalhadores, que é o verdadeiro “fundamento” da Bolsa (tese 2);
A Bolsa de Valores brasileira está em tendência irreversível de baixa (tese 3).

Em nossa tratativa, as primeiras duas teses, acima mencionadas, se complementam, interpenetram-se, ao ponto de que podemos dizer que o conjunto dessas duas teses é apenas uma tese. Assim, em nossa abordagem, tal tese, precede, ou faz se necessária, para sustentarmos a tese 3.

Semelhantemente, ao acima mencionado, vale lembrar que os fundos de pensão apenas aparentemente visam garantir o futuro das aposentadorias. Seu verdadeiro objetivo é repartir sempre mais em proveito dos detentores dos ativos financeiros as riquezas que resultam da atividade produtiva, no sentido amplo. Em outras palavras, fundo de pensão não é fim; é meio...

Segue abaixo parte de nossa tese:

https://drive.google.com/file/d/0B9XGyMFsJ0D8bGhpNzNZeXo0Z0lUWmxqekQxc3JIZDd5VnpB/view