terça-feira, 7 de julho de 2015

Secessão Tupiniquim


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão

O Brasil, é fato notório, vive um dos mais delicados e graves momentos de sua história republicana, com sectarismo, divisionismo, e antagonismo que em nada contribuem para solução dos problemas e resolução dos impasses.

O ataque não é de hoje e acarreta preocupação do mercado, com boatarias e mais notícias não confirmadas. Essa verdadeira secessão tupiniquim, da republica das bananas ou da mandioca, como preferirem, deve imediatamente terminar a fim de que se faça uma luta incessante em prol da governabilidade.

O País passa por um dos piores dias de sua economia, com demissões em massa nas empresas e fábricas, baixa do consumo, redução da balança externa, alta inflação. Sem uma junção de forças e a melhora do cenário, quem acaba pagando invariavelmente a conta é sempre o contribuinte. E vejam que os preços públicos não param se subir, pedágios, água, luz, telefonia celular, ou preços regulados por agencias que permitem o samba do crioulo doido, perdão pela expressão imortalizada pelo Sérgio Porto.

Aqui tudo pode subir menos a remuneração salarial e o ajuste do dissídio coletivo. Vivemos num Brasil surrealista. Primeiro fazemos o gasto e depois veremos quem pagará a conta, o que também acontece nas empresas em recuperação judicial ou estado de insolvência.

Qual futuro nos espera o amanhã?  A persisitir esse quadro menor de brigas, intrigas e disputas, sinceramente a reconstrução do País se tornará cada vez mais complexa e a espinha dorsal do ajuste fiscal e das melhorias das contas públicas dependerão da redução de gastos governamentais.

Se coloca em xeque a estrutura do governo e a oposição, antes que dormia em berço esplendido, agora se levanta até rancorosa, do momento se apropria, para um golpe fatal de renovação das lideranças.

Cogita-se o parlamentarismo, a impugnação da chapa, uma coabitação entre parlamentarismo e presidencialismo, a nossa jovem e enfraquecida democracia dá sinais de uma precoce esclerose. E como sairemos desse círculo vicioso se a nossa economia patina, as leis estão sendo testadas, e os Tribunais ficam no aguardo do domínio do fato, e acontecimentos relevantes.

Paramos de crescer e isso é muito ruim, já que uma economia com PIB negativo desemprega e coloca postos de trabalho em permanente alerta,além do que a lição de casa precisa ser feita hoje e não mediante conchavos e acordos para liberação de emendas parlamentares. O clima não é nada auspicioso, e todos experimentam perdas com a redução do consumo, diminuição de vendas, estagnação da produção e uma séria duvida até quando aguentaremos essa disjunção, se até poucos anos atrás nos colocávamos como uma das economias mais prósperas dos emergentes.

A reunião dos Brics não nos trará o sonhado alivio e o distanciamento entre eleitor e eleito cada dia mais se distancia, já que a grave crise econômica não poupa ninguém. Desde a classe A, até a classe E, paulatinamente, todos estão sendo tomados pelo tempo da instabilidade e falta de um programa planejado para darmos a volta por cima.

Os investidores estrangeiros não apostam mais suas fichas no Brasil, com poucas exceções. As empreiteiras estão asfixiadas e os grandes  negócios já não podem ser tocados. A vinda do capital estrangeiro perdeu-se no tempo e no espaço. E temos que reagir rapidamente para não criarmos gargalos econômicos e deixarmos gerações sem esperanças ou um futuro promissor.

A reforma da previdência é um outro desastre,muitos resolverão não mais pagar e o bolo ficará menor com justo receio a partir de sua distribuição aos aposentados e pensionistas. Reflexo da repercussão também de um mercado de capitais tomado de atos irregulares, notadamente das empresas estatais. As sociedades de economia mista não podem e nem devem partilhar do mesmo controle das companhias abertas, já que há conflito de interesses, quem os nomeia é o Ministro da Fazenda, seguramente interessado em manter o clima das empresas sem autoregulação ou policiamento constante, ao menos no passado foi o que se viu, com enorme repercussão no presente e sombrio futuro.

As ações nos EUA crescem a cada dia e aqui os fundos de investimentos, para não contrariarem seus próprios interesses, fazem vistas grossas, e não mergulham de cabeça a cata da reparação dos prejuízos.

Esse surrealismo emergente, de rusgas para todos os cantos representa a mais candente guerra de palavras de uma secessão tupiniquim, cujos separatismo e divisionismo trazem como único e exclusivo prejudicado o cidadão, a Nação e o amanhã do Brasil.


Carlos Henrique Abrão, Doutor em Direito pela USP com Especialização em Paris, é Desembargador no Tribunal de Justiça de São Paulo.

2 comentários:

Anônimo disse...

Constatou-se novo esquema do PT para desvirtuar os adversários na base do:
"CHAME OS OUTROS DO QUE VÉ E ACUSE OS OUTROS DO QUE V FAZ" - de Lênin - que é de CRIAR PERFIS FAKES, simular racismo e desaparecer, sendo o tal jogo sujo comunista sem limites, eis a falta de escrúpulos dos membros do MAV-PT.
Quer exemplo: "pobres e negros, que votem no PT! Não precisamos de vocês, queremos é gente de qualidade".
Aécio Presidente!
Como se voto de quem quer que seja fosse diferente uns dos outros, que fosse distinto dessa ou daquela classe!
Chantagem por causa do desespero do PT de estar com talvez uns 7% de aprovação no povo. Só isso!

Loumari disse...

LUXO OU LIXO???

E como se aprende? Ora estatiza-se ora se privatiza? Que negócio é este?
Há alguém que estude este caso a sério para alertar para o que por aqui se faz ou se possa vir a fazer? É que não há necessidade de experimentar experiências que já falharam noutros sítios.

Creio que se os mongóis não andassem sempre a patinar nem sequer teríamos minas de carvão a funcionar aqui, tal a qualidade e a quantidade do seu carvão e localizados bem mais próximo à poderosa e insaciável (será mesmo?) China. Mas, os nacionalismos exacerbados retardaram tudo, dando-nos uma janela de oportunidade. Com os chinas lixaram-se/hipotecaram-se para um bom/longo futuro.

Agora, mais uma vez um passo de dança a outro ritmo .

Fico sem saber se a teia de bilderberg sendo ateia ou não, terá estabelecido: “estatiza-se, investe-se com dinheiro público, endivida-se, nacionaliza-se a troco de amendoins mas integrando as famílias que sorriem para o monte Bilde”.

Antes que fiquemos gregos, pois que isto pode não se curar nem com avé-marias nem com aves marinhas fico a ler o Mia que um dia escreveu: Nem tanto Omar, nem tanto há terra!