domingo, 30 de agosto de 2015

A estratégia da Fiesp para enfrentar a crise


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Mtnos Calil

Tudo que falta – e sempre faltou – ao Brasil é planejamento estratégico. As nossas zelites políticas e empresariais sempre deram prioridade ao curto prazo: as empresas pensando sempre em aumentar as vendas ou seu market share (participação no mercado) e os políticos, nas próximas eleições, que ocorrem de dois em dois anos.

Esse desprezo pelo médio e longo prazo é uma das causas fundamentais da atual crise que assola o país. Agora a Fiesp – ou melhor seu presidente que foi candidato a governador de São Paulo nas últimas eleições – desponta como “liderança emergente” da defesa dos interesses dos empresários e, como sempre, não apresenta nenhum plano visando o desenvolvimento do país.

Desenvolvimento? Ah, não... isso é assunto de longo prazo. Agora o foco é enfrentar a crise.

E, para enfrentar a crise, Paulo Skaf propõe simplesmente a saída do Ministro Banqueiro do Governo – e o faz em jantar com a presença do Presidente do Bradesco e do Vice-Presidente da República, Michel Temer!

Curiosamente, Skaf e Henrique Meirelles se posicionaram à esquerda, ao lado da Dilma, criticando a estratégia conservadora de Levy. Só não criticaram a esquizofrênica taxa de juros que mereceria um lugar honroso no Guiness.

Como na cabeça deles a saúde econômica do país depende da saúde financeira dos bancos, a taxa maluca dos juros se justifica de várias formas, seja para combater a inflação seja para compensar os prejuízos causados pela crescente inadimplência.

O resultado dessa “terapia macro-econômica” foi o seguinte: O lucro do banco Itaú só no primeiro semestre de 2015 foi de  R$ 11,71 bilhões e os 4 maiores bancos tiveram um lucro superior a R$ 16 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2015.

Itaú Unibanco - R$ 5,98 bilhões
Bradesco - R$ 4,473 bilhões
Banco do Brasil - R$ 3,008 bilhões
Santander - R$ 3,308 bilhões    

Enquanto isso, a economia do país vai batendo o recorde no sentido contrário: ao mesmo tempo em que os bancos se fortalecem como nunca, o país se enfraquece como nunca!

Ah... mas existe uma explicação “técnica” para isso. Por exemplo: a taxa de juros vai derrubar a inflação, sim, no ano que vem. Com a queda da inflação – e quem sabe até lá se resolva também a crise política – vamos resgatar a “credibilidade” do Governo e os investimentos do capital nacional e internacional vão provocar uma nova onda de crescimento econômico, como já anunciou a nossa Presidenta.

Ela só não informou qual vai ser essa taxa de crescimento. Será de 1% ao ano a partir de 2018, ano de eleições? Sendo um ano eleitoral, podemos crescer até 2%!

Quanto ao Presidente da Fiesp temos que reconhecer que ele se transformou num profissional de  marketing de primeira linha: nunca na história da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo um presidente teve tanto Ibope. Vejamos o que dizem outros ilustres participantes deste memorável jantar regado a vinho:

·         Jorge Gerdau criticou a taxa de juros, afirmando que a inflação não é de demanda e sim de custos, mas não disse como se deve combater a inflação.

·         Flavio Rocha, da Riachuelo advertiu que o varejo pode voltar à “informalidade” devido ao aumento de impostos.

·         Henrique Meirelles, ex-amigo de Lula, criticou o sistema tributário vigente cujo objetivo é “taxar tudo que se move”.

·         Murilo Portugal, da Febraban cumprimentou Michel Temer pela coordenação política do ajuste fiscal.

·         Luiz Trabuco, presidente do Bradesco, para justificar a taxa de juros recorreu a esse criativo refrão: “Temos que entregar os anéis para ficar com os dedos”.

Conclusão: as zelites brasileiras não têm absolutamente nenhuma proposta para o Brasil realizar suas potencialidades gigantescas que vão continuar adormecidas por mais algumas décadas. Ou séculos?


Mtnos Calil, Psicanalista, é Coordenador do grupo Mãos Limpas Brasil.

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