quinta-feira, 20 de agosto de 2015

As manifestações de rua nasceram da cultura sindicalista


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sérgio Alves de Oliveira

A ideia central que buscarei desenvolver é no sentido de que as manifestações/protestos contra a situação política dominante no Brasil de hoje são de um primitivismo fácil de observar. A sua origem é cultural.  Não surgiu de uma hora para outra. Foi um longo e arrastado processo. O que houve, na verdade, foi uma alternância das camadas sociais atoras dessas manifestações de rua, cuja principal característicaé a forma rude e barulhenta com que se realizam.

As recentes “manifestações” de 16 de agosto nada acrescentaram às duas anteriores,  acontecidas nesse mesmo ano. Todas censuravam o Governo e a atuação política e administrativa do PT e seus partidos coligados.Foram mobilizações geralmente ordeiras. Sem qualquer violência, ao contrário de algumas anteriores ,protagonizadas por grupos de vândalos, que inclusive depredavam tudo que encontravam pela frente, do patrimônio público ou privado, tudo num pretenso apoio ao Governo Dilma Rousseff, com protestos  que não se sabe até hoje  quais e contra quem foram.

Os adversários nesse jogo, por um lado, o Governo, e seus apoiadores, e por outro, os movimentos que pretenderam representar a parcela descontente  da sociedade, tiveram visões diametralmente opostas sobre os resultados dessas mobilizações de 16 de agosto. Os primeiros afirmaram que o comparecimento de pessoas teria sido em número insignificante,se comparado com a votação recebida nas urnas pelos “protestados”, nas recentes eleições. Os segundos disseram que a presença foi um sucesso, o mesmo acontecendo comos seus resultados, plenamente satisfatórios. Quem está com a razão?

A verdade passa bem longe do que dizem esses dois grupos. A efetiva vontade do povo ,sem entrar no mérito da sua  capacitação, ou não, de consciência política para ter uma opinião precisa à respeito, está  bem distante. É que na verdade o povo nem mesmo foi ouvido.

A “representação” que saiu às ruas, pretensamente em seu nome, não tinha qualquer autorização para isso. Agiram como “procuradores” do povo, sem possuírem  nenhuma procuração. Isso só poderia ter acontecido se tivessem oportunizado ao povo um ponto de fácil acesso para todos irem e para deixarem registradas as suas vontades, DIRETAMENTE, como nas urnas da Justiça Eleitoral, por exemplo.

Além de um difícil acesso, para a imensa maioria do povo, aos pontos escolhidos nas diversas cidades, centralizadores das manifestações, também não pode ser esquecido que para integrar esse tipo de reunião  seria  preciso  estar apto  fisicamente para enfrentar quase uma “maratona” de longas caminhadas. E não se pode exigir isso de todos. Muitos não têm essa condição física.

Além dos que não PUDERAM ir aos protestos, há também os que não QUISERAM ir, por questões de princípios, onde se enquadra o autor desse texto.

Para melhor enfrentarmos esse debate, a abordagem  será feita  na dimensãode “ordem de grandeza”, com grandes números, desprezando-se os “centavos” e todas as  demais minúcias, o que em princípio parece mais didático.                                                                               
Suponhamos que o número de eleitores habilitados a votar no Brasil esteja na ordem de CENTO E CINQUENTA  MILHÕES de pessoas. Os que foram às ruas em 16 de agosto para protestar  eram cerca de UM MILHÃO E QUINHENTOS MIL, ou seja, 1% dos eleitores. Por outro lado, os que ocupam algum cargona Administração Pública Federal, bem como nos Poderes Legislativo e Judiciário da União, seriam de CENTO E CINQUENTA  MIL pessoas, quer dizer ,0,1% dos eleitores, ou 1% dos manifestantes.
Tudo significa que a vontade do povo no exercício da sua soberania nunca poderia ser medida  pelas  pessoas que saíram às ruas em 16 de agosto (1.500.000), e muito menos pelas 150.000 pessoas que de uma ou outra forma mandam na política e na  administração pública do país, encastelados nos Três Poderes.

Na democracia “para inglês ver” que edificaram,a própria  Justiça Eleitoral é o maior e mais eficaz instrumento para subjugar o povo à vontade dos políticos que fazem as leis, geralmente em “causa própria”.  Tudo é feito com a capa da legalidade e de uma falsa democracia. Num só estalar de dedos, os políticos convocam essa “Justiça” para fazer o que eles bem entendem.

Fazem eleições ou plebiscitos  por qualquer “bobagem”, ao custo de bilhões cada pleito. Neste sentido a Justiça Eleitoral é a mais eficaz ferramenta que tem a dominação política para manter o seu poder e impedir uma mudança real no país, de modo que o povo possa buscar o pleno desenvolvimento das suas potencialidades. Ela é, portanto, um fiel cão-de-guarda da dominação política.

A consequência é que essa mesma “Justiça” nunca aciona a sua extraordinária infraestrutura para ouvir o povo em questões que não são do interesse dos poderosos da política. Deve ficar saliente que o povo não tem qualquer outra alternativa  de ser ouvido que não seja através dos meios  que só a Justiça Eleitoral pode oferecer. Mas ela é “monopólio” dos poderosos e só faz o que eles querem e dentro dos seus próprios interesses.

Todas essas dificuldades levam o povo a improvisar as  suas próprias “justiças eleitorais” ,quando necessário, já que a “oficial” só cumpre o papel de cordeirinho  que lhe foi reservado no ordenamento jurídico constitucional, quando acionada pelos que dela têm o direito de dispor.

Mas na verdade o povo nunca consegue se organizar como gostaria. Falta-lhe capacitação, experiência  e  recursos financeiros, não possuindo nem mesmo  a mínima estrutura para fazer o papel especializado que só  tem a Justiça  Eleitoral. Assim se explica as “improvisações” feitas nos protestos de 16 de agosto e também nos anteriores.

Porém, o que não pode passar em despercebido é que os manifestantes/protestantes adotaram à plenitude o comportamento  dos sindicatos de trabalhadores nas suas tradicionais reivindicações de direitos, dentro do tradicional conflito capital-trabalho. Todavia, “antes” esse tipo de comportamento era privativo dos sindicatos de trabalhadores.  Nunca os “outros”-que agora incorporaram o  espírito sindical -  saiam às ruas em  protestos, passeatas, com apitos, microfones e alto-falantes,”xingando” meio-mundo, como agora.

De fato, os sindicatos “fizeram escola”. Deixaram a sua marca. Mas comohá pouco tempo  eles chegaram ao poder, e também ao “dinheiro”, especialmente  através  do PT e dos  outros partidos de esquerda, naturalmente passaram para o “outro” lado, para o lado daqueles que até ontem criticavam. Para o lado dos “patrões”. A cultura do poder e do dinheiro ,oriundo em grande parte da corrupção que corre solta no governo, virou suas cabeças ao avesso.

Mas essa cultura sindicalista, que teve origem lá na Itália dos anos 30,no fascismo de Benito Mussolini,contaminou uma boa parcela da sociedade que outrora  não tinha  qualquer familiaridade com os sindicatos que agora chegaram ao poder. Os antigos sindicalistas, e agora “governo”,devem estar gozando quase ao orgasmo a “obra” que deixaram para trás. A “cultura” que deixaram de herança foi bem assimilada.

Ora, como os antigos sindicatos hoje são os novos donos do poder, aquele espaço vazio que ficou para trás e que antes ocupavam acabou sendo preenchido justamente pela “elite” que esses mesmos sindicatos combatiam à época. Os papéis se inverteram. Não seria concebível, há não muito tempo, que alguém  razoavelmente posicionado na pirâmide social ,até de “gravata”, saísse  às ruas para reclamar em público os seus  direitos. Isso seria considerado vexatório, se submetido à própria consciência.

Onde, então, está a verdade democrática? Nos 150.000.000 de eleitores do Brasil ? Nos 1.500.000 de manifestantes de 16.08 ? Nos 150.000 com assento nos Poderes Públicos Federais ?

Tudo leva a crer que a verdade democrática não está em nenhum desses grupos.  A verdade democrática só será uma realidade no dia em que pelo menos a maioria dos eleitores adquirir consciência política e passar à prática da verdadeira DEMOCRACIA, abandonando a OCLOCRACIA , que tem sido até agora o norte da maioria do povo.

Deve-se ter presente  que a prática da democracia num  povo que não está apto a exercê-la  é mais perigoso que entregar uma arma de fogo a uma criancinha. Nessa matéria, o Brasil pode fornecer vários exemplos ao mundo. Muito lixo já foi escolhido por aqui nas urnas sob a máscara da democracia.

Disso se conclui que a  curto prazo não se pode ter qualquer esperança de uma  saída democrática para o Brasil. Seria preciso que  num primeiro momento o Povo  Brasileiro chamasse as Forças Armadas para  INTERVIR, em nome do  seu  inalienável  PODER INSTITUINTE ORIGINÁRIO, destituindo a Presidente da República e fechando temporariamente o  Congresso Nacional  e os Tribunais Superiores, inclusive o STF.

Discutir-se-ia, a partir daí, um novo futuro para o Brasil, não se descartando até mesmo a alternativa de dividi-lo em mais países, a partir do princípio do direito de autodeterminação dos povos, consagrado na ONU,e de  TODAS as teorias que presidem o surgimento de novos países,como a  (1) da LIVRE DELIBERAÇÃO DOS POVOS, de J.J.Rousseau; (2) DAS FRONTEIRAS NATURAIS,defendida por Napoleão Bonaparte; (3) do EQUILÍBRIO INTERNACIONAL ,levantada pelo Brasil, quando  da independência do Uruguai; e (4) da TEORIA DAS NACIONALIDADES, de Mancini (1851). Ressalte-se que o surgimento de novos países é uma tendência mundial, devendo prosseguir durante todo esse século.

Proponho, assim, às melhores cabeças da população brasileira,o estudo dessa alternativa, em vista de ter ouvido de muitos manifestantes de agosto que a meta dos protestos seria o retorno do Brasil ao status quo ante da época do PT. Mas isso é proposta nada ambiciosa. O Brasil “não deu certo”,em relação ao pleno desenvolvimento do seu povo, antes e depois do PT, com o qual a situação se agravou, é claro.

Cada região deve organizar-se para cuidar de si mesma, longe da maldita influência de Brasília ,que contamina com seu veneno  tudo o que toca. Aí fica minha manifestação/protesto.

Sérgio Alves de Oliveira é Advogado e Sociólogo.

4 comentários:

Anônimo disse...

Eu sei me engana que eu gosto.
Mais um petista dando um de doutor e dando legitimidade para uma quadrilha que se apossou do poder.

Anônimo disse...

GOSTARIA DE LER ALGUMA COISA ESCRITA SOBRE O RS. SERGIÃO ESTE SEU ESTADO É FORMADO DE ESPIÕES NAZISTAS, E NUNCA O SR. COMENTOU, UM ESTADO QUE ROUBA DESIMULLA E FAZ SEU POVO DE IMBECIL PRECISAVA DE UM GOVERNADOR QUE FOSSE BRASILEIRO,ATÉ ENTENDO QUE SANTO DA CASA NÃO FAZ MILAGRES, E QUE SE NO SEU CASO COMEÇAR A CRIAR CASO FAZERIAM CALAR TE, MAS FICAR FALANDO APENAS DE BRASILIA NÃO DARA REFRESCO A ESTE ESTADO QUE ESTÁ FALIDO, FALIDO POR QUE SEUS PREFEITOS ROUBARAM TANTO E DESVIARAM TANTOS RECURSOS E NÃO FORAM SE QUER QUESTIONADO,TODO DINHEIRO ENVIADO PELO GOVERNO FEDERAL, O ANO QUE VEM VAI TER QUE SER EXPLICADO ONDE FOI PARAR,ENTENDO QUE OS JUIZES DESSE ESTADOS SÃO DITADORES,E NÃO SE LIXAM PARA ESSE POVO, E MOSTRAM APENAS O QUE É DE BONITO, MAS SEI QUE AI NÃO EXISRE NADA QUE DE ESPERANÇAS PRA ESTE POVO, NÃO SEI PORQUE MAS BÓTO FÉ NA SUA PESSOA,MAS A UNICA COISA QUE O SR. TEM QUE SEPARAR É QUE LADRÃO DE BRASILIA NÃO TEM NADA A VER COM OS DAI QUE POR SINAL SÃO MUITOS SE NÃO TODOS ENTÃO PEÇO DENUNCIE OS SEUS LADRÕES E NAS HORAS VAGAS OS DE BRASILIA, EU QUERIA TER SUA CAPACIDADE E ESTUDO, POIS NO LUGAR DE SEPARAR MEU ESTADO EU COMO GOVERNADOR DELE, LIMPARIA O DE TODOS OS DESGRAÇADOS QUE O ESTÃO DEPREDANDO, POIS LADRÃO É LADRÃO NÃO INTERESSA O PARTIDO... SERGIÃO PARA GOVERNADOR SER OU NÃO SER EIS A QUESTÃO...

Loumari disse...

No dia 17-08-15 dia seguinte das manifestações no Brasil, foi organizado um debate no canal France 24 para debater sobre o ocorrido no Brasil e um dos convidados foi a brasileira de nome Leticia Constant, jornalista e correspondente para RFI (Radio France International). Foi formulado uma pergunta dirigida a ela, e a pergunta foi a seguinte: é realmente possível destituir a presidenta da república por via institucional ou jurídica?
Ela respondeu de maneira firme e disse: é impossível destituir a presidenta da república por vias legais ou institucionais.

Anônimo disse...

Anônimo das 10.33,com toda certeza o SR. Sérgio não é petista, agora eu depois de ver tanta sabotagem, mentiras, e crimes para derrubar o PT já estou pensando seriamente, pois até que me provem ao contrário por quatro eleições eles deram uma lição, e se vocês continuarem com essas patifarias para cima do povo, o PT vai continuar vencendo, pois assim como eu muitos já perceberam o seu plano...