quinta-feira, 20 de agosto de 2015

De portas fechadas


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Márcio Accioly

Só um tolo, ou um Lula da Silva (que apesar de ladrão, assaltante dos cofres públicos e bandido de alta periculosidade, nunca sabe de nada) poderá acreditar que o Brasil tem jeito. Nunca teve! O país sempre esteve montado para a prática costumeira do roubo, do desrespeito às cidadãs e cidadãos, da negação de princípios e valores éticos, sob a égide da impunidade.

É de causar depressão o noticiário diário deste desmoralizado país, onde tudo é considerado normal. Chega-se a temer, agora, pela vida do juiz Sérgio Moro. Que sua excelência esteja de olhos bem abertos e atentos, pois tudo é possível: desde um mal súbito até a ocorrência de grave acidente. O juiz federal paranaense Sérgio Moro, sem sobra de dúvida, é a pessoa mais visada do Brasil de hoje.

O pior de tudo é constatar que todos os desmandos que testemunhamos diariamente irão desaguar em violência. O acúmulo de irregularidades, sem que se tome a menor providência, caminha célere para inevitável explosão. Já não se consegue andar com tranquilidade em nenhuma das ruas de nossas cidades, porque os péssimos exemplos oferecidos pelos que “nos governam” é um estímulo à prática de crimes.

Não bastasse o que vem acontecendo nos nossos tribunais, no aparelhamento descarado, na indicação de pessoas talhadas para livrar poderosos de indiciamentos e penas, eis que as próprias sentenças exaradas por magistrados não são cumpridas, quando os condenados são figuras do círculo íntimo dos que ditam normas e regras.

A Procuradoria Geral da República recomendou a rejeição de recurso (mais um) impetrado pelo ex-senador cassado Luiz Estêvão e pediu sua imediata prisão. Condenado a 31 anos de cadeia, em pena que será abrandada ao longo do tempo e deverá resultar em quase nada, Luiz Estêvão, mesmo assim, continua flanando na onda de intermináveis recursos judiciais, permanecendo livre e poderoso.

Ele foi flagrado no esquema de fraude nas obras do TRT – Tribunal Regional do Trabalho –, de São Paulo, na década de 90. Tinha, como cúmplice, o então juiz Nicolau dos Santos Neto, vulgo Lalau. Já quase 30 anos se foram na ampulheta do tempo e nada de Luiz Estêvão responder por seus crimes.

A situação do país é gravíssima não apenas por conta da falta de presídios, da necessidade de nova legislação penal, da ausência de mobilidade nas Cidades (entupidas de automóveis por conta de modelo econômico equivocado), do colapso na área de saúde e da crise no setor educacional. Tudo está por fazer, as bases, a estrutura.

Somente num país cucaracha, como o Brasil, é possível a existência de tantos programas policiais (pela disponibilidade de material), desfilando o horror diário de nosso cotidiano, num clima de absoluta normalidade. As barbáries do dia a dia são inacreditáveis, mas as pessoas se encontram a ela tão habituadas como à regularidade do sono ou à indispensabilidade da refeição.

Além disso, todos se veem impostos a programação pornográfica, consumindo sexo quase que explícito no horário dito “nobre”, com novelas classificadas para o período mais adiantado da noite sendo repetidas na programação da tarde, no aconselhamento de que “vale a pena ver de novo”.

Não se tem como organizar um país enquanto não se apliquem medidas que revejam tais descalabros, reduzindo-se, principalmente, o número de mandatários a partir dos municípios. A nossa democracia é um sistema de faz-de-conta: os únicos beneficiados são os que se programam para interminável roubo do dinheiro público.

Difícil, ou quase impossível, encontrar saída nesse turbilhão de desencontros. Caminhamos para uma ditadura. De qualquer forma, para desenlace cruento.

Márcio Accioly é Jornalista.

Um comentário:

marco aurelio disse...

Márcio, andei garimpando na internet e encontrei, sem querer, um estudo acadêmico intitulado "Desilusão Republicana...", ou coisa parecida (com referência bibliográfica), e pude constatar que o Brasil é um país de papacaco, ou seja, macaco de repetição. E, pior, tropicaliza tudo aquilo que tem de mais abjeto, imoral, ilegal que vem da Europa.
Andei lendo também sobre uma tal regra de ponderação (colisão de regras constitucionais) hoje muito aplicada por próceres jurisconsultos a casos judiciais "difíceis". Foi importada da Alemanha. Assim como as tropicalizadas ideias republicanas, uma farsa.
Tudo é um descalabro só. Vergonhoso.