quarta-feira, 12 de agosto de 2015

É hora de sentar do lado direito da gangorra


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por AC Portinari Greggio

Os jornais noticiam a patética e tardia jogada dos tucanos, tentando tirar proveito da revolta popular: pretendem usar seus horários na tevê para “convocar a população a participar das manifestações pelo impedimento de Dilma”. Aécio Neves afirma que o seu partido “quer mostrar que está sintonizado com o sentimento das ruas”, mas deseja “fazer isso na dose certa.”. Vai limitar-se a anunciar que a revolta existe (grande novidade!) e convidar a população a comparecer (que remédio!...). Mas evitará “assumir a paternidade das manifestações.” E, abrindo o jogo: “A cobrança dos eleitores ligados a nós é enorme.” Tradução: já não enganamos ninguém, e os nossos eleitores nos abandonam e migram para a Direita.

No último artigo, dizíamos:

“A implosão do petê coincide com o recrudescimento dos protestos e do repúdio da população que trabalha, produz e paga impostos, a qual cada vez mais se afasta dos tucanos e se aproxima da Direita”. Os tucanos nunca foram adversários do petê. São concorrentes que brigam para dominar o mesmo negócio.

Não tenho a menor ilusão quanto à possibilidade de recuperar o Brasil dentro da constituição de 1988. Mas como essa constituição é o único teatro de operações disponível, há que virar o jogo dentro das regras desse jogo – por enquanto.

Já se fala em lançar candidaturas de oposição de verdade nas próximas eleições presidenciais. O cenário é favorável. A crise vai se aprofundar. Com ou sem o petê, o regime continuará a se deteriorar, e a melhor parte do eleitorado, farta de ser enganada pela falsa oposição, certamente vai apostar nessa nova perspectiva de esperança.

Quais as possibilidades? Não tenho ideia, mas qualquer resultado poderá ser considerado como vitória. “Ainda que perca, a oposição abrirá profunda brecha na linha de frente da oligarquia, polarizará e consolidará as hostes ainda dispersas e ocupará posições inexpugnáveis no tabuleiro político.”

Na verdade, não existe Direita no Brasil. Todos os partidos são de esquerda. Toda a cultura brasileira está impregnada de ideologias de esquerda. A Direita, ou seja, a Oposição de verdade, tem sobrevivido, nesses últimos vinte e tantos anos, na forma de pequenos grupos dispersos, isolados, desorganizados e doutrinariamente confusos.

Eis que, de repente, a profunda crise institucional e o perigoso desencanto da população clamam por mudanças que só poderiam ocorrer se existisse algum partido de Direita coerente, organizado e doutrinariamente preparado. Mas não existe nada disso. A política brasileira é uma gangorra imobilizada, na qual todos sentam à esquerda. E a constituição de 1988 – perdoem o abuso da metáfora – é como um carro cujo volante só vira para um lado.

É evidente que essa constituição só serve aos interesses dos comunistas, neocomunistas, petês, e outras denominações. Nem sequer é constituição. É um programa de intenções grandiloquentes e de engenharia social. Não há lugar para a Direita, pois tudo o que a Direita poderia pretender é inconstitucional. Incapaz de oferecer solução alternativa, a constituição comprova a sua inutilidade como fundamento duma autêntica república.

A crise demonstra que o regime de 1988 está em inexorável decomposição. Os escândalos de corrupção, que tanto chamam a atenção, não são mero problema criminal, e não podem ser corrigidos mediante punições, moralismo e leis draconianas, como pretendem os deslumbrados heróis da Lava Jato. O mal do regime brasileiro está na sua própria natureza, portanto não pode ser curado mediante tratamento sintomático.

O Brasil precisa de revoluções, no plural. Neste e nos próximos artigos, tentaremos demonstrar que o País só tem duas opções: (1) continuar com o atual sistema, tentando remendá-lo, ou (2) aboli-lo e efetuar profundas intervenções cirúrgicas, que denominaremos revoluções. Na primeira hipótese, o Brasil terminará por dissolver-se e degenerar como projeto abortado de Nação. Quanto à segunda, terá de acontecer nos próximos anos, antes que a necrose se torne irreversível.

Nenhuma revolução pode acontecer sem organização revolucionária; e essa organização só pode existir se for orientada por doutrina revolucionária. Essa é lei básica, fundamental e óbvia, que vale para todas as revoluções, inclusive as comunistas.

Mas a experiência demonstra que organização e doutrina só se definem e se consolidam na prática política. No caso brasileiro, esse fato é eloquentemente demonstrado pelo caso da Direita, acima citado. Sobrevivendo nas catacumbas, isolados e impotentes, os pequenos grupos de Direita só conseguiram isso mesmo: sobreviver, com muita honra.

Por essas razões, defendemos o lançamento, nas próximas eleições presidenciais, de alguma candidatura autêntica, de grande apelo popular – alguém como o nobre Deputado Jair Bolsonaro, ou o Senador Ronaldo Caiado. Dentro das regras do jogo, essas candidaturas poderiam polarizar e consolidar uma nova Direita brasileira.

Mas nada disso irá muito longe se essa doutrina não passar de variante dos insossos, gastíssimos e repetitivos programas e plataformas dos atuais partidos políticos. Se quisermos revolução, teremos de construir uma doutrina revolucionária genuinamente republicana.

Nos próximos números do Inconfidência tentaremos esboçar quais seriam as revoluções de que o Brasil precisa. Nenhuma surpresa. Acredito que a maioria dos leitores já tem ideias formadas a respeito.


AC Portinari Greggio é Especialista em Assuntos Estratégicos. Originalmente publicado no jornal Inconfidência, Edição de julho.

7 comentários:

Loumari disse...


Até aqui Bolsonaro se apresenta como o único homem credível no Brasil.

Mas a imprensa brasileira, sendo a audiovisual ou a imprensa escrita são muito demoníacos. A imprensa brasileira sempre sabotam a este homem para que tudo o que ele fala não alcance a população. Por que? Porque Bolsonaro fala a verdade. Este homem chama gato, gato.

A imprensa brasileira são assassinos de homens de bem. E promovem o Diabo.

Vos falo com toda a sinceridade minha, nem aquele vosso juiz Moro, não chega aos calcanhares de Bolsonaro.

Anônimo disse...

Bom dia, Sr. Serrão.
Já cansei de citar (ou seria, "denunciar"?) que o PSDB pertence à Internacional Socialista, não só no teu blog, como também em outros. Pena que ninguém deu a devida atenção ao mesmo, fazendo uma reportagem investigativa e esclarecedora. Talvez, por causa do ano eleitoral (eu votei no Aécio, mesmo sabendo disso, mas o fiz por achar mais fácil tirar a Dilma nos votos e depois tirar o Aécio).
Venho denunciando isso desde novembro de 2.013, quando descobri no site oficial do PSDB a seguinte página:
http://www.psdb.org.br/congresso-da-internacional-socialista/

Parece que o único que escreveu um texto sobre isso e o publicou foi o blog Libertar.In (que eu não sigo), em 7 de maio de 2.014, cujo link a seguir:
http://www.libertar.in/2014/05/estrategia-das-tesouras-psdb-reclama-e.html

Com os vários acontecimentos advindos da proteção do PSDB ao PT, como FHC indo contra o impeachment de Lula no Mensalão, FHC, Serra, Alckmin e Aécio indo contra o impeachment de Dilma, em nome da "democracia", está na hora de o Sr., s.m.j., alinhavar todos estes fatos numa grande reportagem. O Sr. faria um grande bem para a Nação. Inclusive, lembro-me daquela ida do FHC ao Comando Militar do Sudeste, onde passou mais de duas horas em uma reunião de portas fechadas com o General do Exército João Camilo Pires de Campos.
São fatos da nossa "república" da Bananalândia que precisam de investigações e esclarecimentos públicos. Ou não?

Maria Klyw disse...

Chega de mi-mi-mi! Esses canalhas só saem na porrada!

Ricardo Magalhães disse...

Eu concordo totalmente com esta analise, tambem não vejo outra saida para o impasse que o Brasil esta vivendo,como Nação e como Republica. Mas ,paralelamente, tambem não vejo como sairmos dessa encrenca mantendo os atuais politicos no Poder. Se serão eles que farão as reformas,podemos esperar o que?Por incrivel que possa parecer, o Brasil tera que partir para soluções mais drasticas e uma delas seria o fechamento do Congresso com a cassação de TODOS os politicos,indistintamente de a qual partido pertençam e a realização de novas eleições,sendo proibidas as candidaturas daqueles que tiverem sido cassados. Mas pergunto: como se daria esse processo?Por meio de legislações ? Ou por meio de atitudes repressivas radicais?

Ricardo Magalhães disse...

Êsse discurso do Jose Anibal(/www.psdb.org.br/congresso-da-internacional-socialista/) nada mais é do que um chororô por ter sido preterido,deixado de lado, na realização desse encontro. É a choradeira de um socialista/comunista que não é reconhecido pelos demais e tal qual ele, são todos os do PSDB,travestidos de democraticos e republicanos, mas que apenas esperam o momento de dar o bote e poderem tambem chafurdar na mesma lama em que o PT esta hoje.Vejam estas frases do FHC,como espelham o seu carater:
"“Eu não estou aqui para ver o PT se arrebentar. O Brasil precisa de partidos que tenham uma certa história, e o PT tem.”

“Sempre tive um pensamento progressista, portanto nesse sentido de esquerda.”

“Lula tem bons sentimentos, é uma boa pessoa, isso conta.”

"Durante debate no Museu de Arte do Rio, ex-presidente do PSDB declarou: "hoje, se disser que sou de esquerda, as pessoas não vão acreditar. Embora seja verdade. É verdade!"

marco aurelio de nigris boccalini disse...

Confesso: sempre pensei como um fulano de esquerda, na mais absoluta ignorância e inconsciência disso. Hoje, vejo o horror que é ser socialista, comunistas ou qualquer coisa que tangencie minimamente isso. Nunca dei tanto valor à direita como hoje (nisso o PT e seus satélites me ajudaram bastante).
Até tenho uma certa admiração política pelo Caiado, pelo pensamento do Deputado Carlos Sampaio. Mas não vou me arriscar mais. Voto BOLSONARO, de cabo a general cinco estrelas.

marco aurelio de nigris boccalini disse...

Confesso: sempre pensei como um fulano de esquerda, na mais absoluta ignorância e inconsciência disso. Hoje, vejo o horror que é ser socialista, comunistas ou qualquer coisa que tangencie minimamente isso. Nunca dei tanto valor à direita como hoje (nisso o PT e seus satélites me ajudaram bastante).
Até tenho uma certa admiração política pelo Caiado, pelo pensamento do Deputado Carlos Sampaio. Mas não vou me arriscar mais. Voto BOLSONARO, de cabo a general cinco estrelas.