quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Enquanto houver essa "raça", o Brasil tá sem futuro


Poesia no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Aires

Esse solo ressequido
Onde a beleza se encerra
É meu Sertão, minha terra
O lugar que fui nascido
Porém é tão esquecido
Esse pedaço de chão.
Os que mandam na Nação
Chegam com seus falsos planos
Só de quatro em quatro anos
Quando é tempo de eleição.

Nessa época o meu sertão
É muito bem visitado
Vem prefeito e deputado
Visitar a região.
Prometendo solução
Pra seca que ameaça
Mas quando a votação passa
Se o infeliz se elegeu
Esquece o que prometeu
E a gente fica de graça.

Esses homens lá da praça
Ninguém sabe nem quem é
Chegam na casa de Zé
Aperta a mão e lhe abraça
Num bom bate-papo laça
O voto do agricultor
Como um bom enganador
Num papel deixa anotado.
“Pra que are o seu roçado
Eu vou mandar um trator”.

E ainda diz: meu senhor
Pra vê-lo bem mais contente
Também vou mandar semente
Enxada e cultivador
De cada trabalhador
Pago o dia trabalhado
E assim fica combinado
Eu garanto e lhe asseguro
Não fique “em cima do muro”
Vote e espere o resultado.

O homem despreparado
Que vive em meio a brenha
Escuta aquela resenha
Do cidadão “educado”
Dá crença ao desgraçado
Que lhe armou essa cilada
De maneira descarada
Na maior cara de pau
Deixou seu bote no grau
Lançando a sua cartada.

Igual cascavel malvada
Que ataca de surpresa
Quando morde a sua presa
E a deixa imobilizada
Ele atrai a matutada
Que logo nele confia
Dá um vestido a Maria
A João um par de sapatos
Desses feios e baratos
Mas lhe enche de alegria.

E também providencia
Feijão café rapadura
Arruma uma dentadura
Pra o marido, de Luzia
Esbanjando simpatia
Na cara um falso sorriso
Do camponês indeciso
Ganha o voto cobiçado
Desembolsa algum trocado
Porém não tem prejuízo.

Num discurso de improviso
Que dura poucos segundos
Promete mundos e fundos
De modo amplo e preciso
Demonstrando muito siso
Na maior seriedade
Se sente muito a vontade
Pra fazer sua barganha.
E as promessas de campanha
Não passam de falsidade.

Essa é a realidade
Nesses sertões do Nordeste
Onde o mau político investe
Toda criatividade.
Aproveita a ingenuidade
Do ruralista tão puro
Ludibria, faz seu furo
Com dolo, fraude e trapaça.
Enquanto houver essa “raça”
O Brasil tá sem futuro.

Carlos Alberto de Oliveira Aires é poeta pernambucano

Um comentário:

Estéfani JOSÉ Agoston disse...

Na minha terra
Onde político e juiz
Na terra ressequida
A honestidade enterra
Euclides que cantou o sertão
Junto a Dante e Virgilio
Lamenta e chora agora
O norte deonde sai por padrão
Político sempre chamado de ladrão
Não tem um que ao Brasil dá
Ao contrário, a Honra afunda
Euclides triste e sofrido
Precisou esperar um Cunha
Que o norte não produz
Que lá só tem político padrão
Político que não tem bom juízo
Se faz de ao pobre preciso
Brasil onde pobre ladrão
Rouba na marra e vai pra prisão
Mas político ladrão vai pro ministério
Rouba mansinho grande dinheiro
Que goza maneiro sem susto
Ruralista e pobre não é mistério
Aceita dolo, fraude e trapaça
Gosta que lhe ponham a mordaça
Pedindo ajuda ao padre Ciço
Pois não tendo a coragem de um Virgulino
Dobra os joelho, sem resultado numa
Reza sem sentido
Prefere a ladainha a ter coragem
De armas em mão, impor seu direito
Justo e certo


Estéfani JOSÉ Agoston que não é poeta e nem pernambucano