sábado, 29 de agosto de 2015

Façanha Macabra


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Maurício Prado

Transformar o Flamengo em freguês de caderno de um dos piores times da história do Vasco, lanterna absoluto do Brasileiro e virtual rebaixado para a Segunda Divisão (pela terceira vez, em oito anos), não é pouca coisa. Pois o presidente Eduardo Bandeira de Mello, seu diretor geral Fred Luz, o tal “conselho gestor” e o executivo de futebol Rodrigo Caetano conseguiram. Aplausos!

A arquitetura da funesta proeza não começou na última quarta-feira. Nem tão pouco pode ser explicada, de forma simplista, com as contusões de Guerrero e Ederson, no início da segunda partida do mata-mata da Copa do Brasil.
 

Os incontáveis equívocos e decisões desastradas dessa turma, que parece tão competente no mundo das finanças, vêm de longe. Frutos de um bando de gente que não entende patavinas de futebol e agrava os problemas causados por sua crassa ignorância com a arrogância característica (e insuportável) de praticamente todos os seus componentes e seguidores. Alguns exemplos singelos e categóricos:

1 - Embora não tenha conseguido receber nem sequer um centavo pela venda de Hernane, para um clube árabe, o comando do futebol rubro-negro decidiu recusar o oferecimento do artilheiro para voltar. De graça! Numa época em que Guerrero ainda nem tinha sido contratado. E cabe outra pergunta. Mesmo com a chegada do peruano, não teria sido o Brocador excelente reserva para as muitas ausências já previstas (e, como se vê agora, também as imprevistas) do titular? Pois é... E ainda liberaram o Alecsandro. Gênios. Hernane, no Sport, segue fazendo gols e sendo decisivo. Vide o Leão, na Sul-Americana. E, no domingo, vai encarar o Fla.

2 — Situação semelhante aconteceu com Leonardo Moura, com o agravante (considerável) de o titular da posição ser o Pará! O veterano moicano praticamente implorou ao Fla para retornar à lateral-direita, onde prestou tantos e tão relevantes serviços — e ainda tinha condições de atuar razoavelmente, pelo menos até o final do ano. Até porque, reforço, o titular é o.... PARÁ! Pois não quiseram.

3 — A estapafúrdia contratação de Cristóvão, para substituir Luxemburgo. A eliminação rubro-negra da Copa do Brasil não se deu anteontem. Começou e acabou sendo decidida na derrota na primeira partida, quando o técnico ainda era ele. Agora, por favor, alguém que conheça minimamente o futebol e analisasse, com alguma lucidez, a carreira do treinador podia achar que ia dar certo?

Esses são apenas três exemplos cristalinos das bobagens cometidas ultimamente, na Gávea. Que chegam a números espantosos se a eles somarmos as contratações de dezenas de botinudos que levaram o Flamengo a mais esta temporada lamentável em termos de resultados. A inesperada e afortunada conquista da Copa do Brasil, no primeiro ano de gestão dos “azuis”, foi a exceção que confirma a regra. Não sabem nada de bola.

Se ao menos tivessem a humildade de aceitar isso e buscassem conhecimento com quem tem (e a história rubro-negra está repleta de gente assim), o (aparentemente) bom trabalho na gestão das finanças poderia ser proveitoso. Do jeito que está, os bancos e os credores aplaudem de pé e a torcida sofre. E como sofre. Freguês de caderno desse horripilante time do Vasco? Não há desculpa...

Em tempo: Wallim Vasconcelos, o outro candidato azul, foi um dos piores vices de futebol da história do Fla, contribuindo significativamente para o caos atual. Mais um da turma que entra no Maracanã de nariz empinado e pergunta quem é a bola.

Renato Maurício Prado é Jornalista. Originalmente publicado no blog do autor em O Globo em 29 de agosto de 2015.

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