quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Labiríntica economia chinesa


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Arthur Jorge Costa Pinto

A China, por volta de quarenta anos atrás, passou pela maior e mais rápida trajetória de modernização da história econômica mundial, uma revolucionária transição, distanciando-se de uma sociedade agrária para a urbana e industrial. O arquétipo escolhido levou o país a ser uma grande potência global,sustentado por uma expressiva poupança interna, elevada sofisticação na construção da sua base industrial e por significativos investimentos em infraestrutura.

No mundo, é uma das economias que mais prosperam embora, nesses últimos anos, o ritmo do seu crescimento venha declinando. Por um bom período, a média se situou em aproximadamente 9%, superior às das maiores economias mundiais. O Produto Interno Bruto (PIB) da China atingiu US$ 10,4 trilhões, ou melhor, 63,35 trilhões de “iuanes” em 2014 (com crescimento de 7,4%), tornando-a a segunda maior economia do planeta (atrás apenas dos Estados Unidos). A China representa atualmente cerca de 15% da economia mundial.

Existem limites na eficiência dos modelos econômicos que necessitam ser revistos, por meio de avaliações diante dos resultados alcançados. Projeções para o final desta década ameaçam o crescimento da economia chinesa,sinalizando para um patamar bem abaixo do atual, próximo a 5%, com indícios de resultados mais modestos.

Líderes chineses estão otimistas,deixando a dependência deuma matriz econômica modelada nos investimentos e na exportação, para um redirecionamento estratégico na manutenção do crescimento,elegendo o consumo e o mercado como seus elementos fundamentais.

Independente da desaceleração da China, polemizada de modo tão generalizado, o crescimento anual do PIB vem se mantendo superior a 7%, o que representa uma ansiedade para a economia globalizada.

Analistas questionam as medidas utilizadas pelo governo na introdução das reformas estruturais e se o modelo de crescimento da economia está dando certo, ou melhor, se a instabilidade interna permanece comprimindo o crescimento econômico no longo prazo. Para esta indagação, talvez a resposta mais sensata sejaa de que hoje, a China continua sendo a maior força de crescimento da economia universal,afetando muitos interesses.


Quando a China iniciou seu movimento de “reforma e abertura”, ela se beneficiou por ter se inspirado em diversas ideias estrangeiras bem-sucedidas, colocando-as logo em prática.

Em muitos segmentos como a economia de mercado associada à política econômica, tecnologia, energia, saúde, educação, ambiente e gestão empresarial dentre outros, o conhecimento seletivo tem empurrado o desenvolvimento do país,estimulando outras nações, que assimilaram com proveito as experiências chinesas.

Economistas internacionais sustentam que a China não tinha outra opção, a não ser reconsiderar o seu modelo de crescimento. Marcante é a presença dos chineses nos mercados mundiais e agora, pela primeira vez, após extenso período,sua economia teve o direito de desacelerar, em virtude do enfraquecimento no eixo da demanda.

Para eles, o único caminho para evitar essa consequência é desenvolver um programa que harmonize investimentos vantajosos, alta qualidade nos serviços públicos, assim como um maior grau de consumo das famílias.
Consideram também indispensável à consolidação do novo modelo, que ele seja menos submisso às decisões estatais. Certamente,no futuro, terão vantagens, tornando a economia mais livre e soberana. No curto prazo, admitem um possível risco, quanto à perda de controle, que poderá ser somente uma impressão, algo que aflige os investidores.

Ainda existe participação tímida do consumo privado no PIB chinês. Com o crescimento dos salários, que representavam aproximadamente 20 dólares há menos de trinta anos, agora com a obrigatoriedade do salário mínimo em várias localidades, essa medida vem fortalecendo a renda do agregado familiar. Evidências favoráveis demonstram o início de reversão neste comportamento, expresso na porcentagem do PIB ligado ao consumo.

Investimentos públicos e privados nas últimas décadas têm contribuído essencialmente para o crescimento da China. Podem ter um significado relevante na expansão da demanda interna, apenas se os rendimentos continuarem se elevando. Investimentos de baixo retorno provocam demanda agregada, não sendo suficientes para expandir ganhos futuros, nem sequer o potencial produtivo. Consequentemente, não oferecem sustentabilidade imprescindível ao crescimento.

Lideranças chinesas têm a responsabilidade de analisar uma combinação de reformas no sistema financeiro, aperfeiçoando os dispositivos de fomento do setor público, com a finalidade de expandir o acesso ao capital nos segmentos com elevadas taxas de retorno.

Este procedimento já está em progresso por meio de autorização de licenças para novos estabelecimentos bancários privados,assim como a evolução do sistema bancário paralelo da China.

Está prevista para 2016 a dispensa das taxas de juros sobre os depósitos no domínio bancário oficial; representando alívio na repressão financeira, os incentivos aos investimentos contribuirão para a estabilidade, auxiliados pelo canal da demanda no padrão de crescimento.

Apreensivas estão as autoridades chinesas com o mercado de ações. Parte dos recursos injetados no sistema financeiro escoa para o mercado de capitais, tornando o clima muito acelerado.

A euforia tomou conta da Bolsa de Xangai com a alta de 110% de novembro de 2014 a junho deste ano,mas, de lá para cá, houve uma queda de 30%. Cresceram preocupações com o forte ritmo da valorização dos ativos,que pode provocar uma bolha no mercado acionário. Para reversão deste processo, ainda não surtiram efeitos as ferramentas utilizadas pelo governo.

Tornou-se diferente o paradigma do crescimento. O apetite da demanda por comodities (matéria prima) era insaciável e agora se apresenta moderado. A queda dos preços no mercado paralisou um canal interessante a outros emergentes. O redirecionamento chinês impõe a países dependentes comercialmente que repensem suas estratégias de desenvolvimento, a exemplo do Brasil, um parceiro,até então, insubstituível.

Os incentivos oficiais apresentam uma reação tímida em função das dificuldades encontradas. Fracassaram os pacotes de estímulos lançados a partir de 2010,sem conseguir impedir a implacável desaceleração.
Obstáculos crescem porque a economia chinesa apresenta complexidade maior que no passado. Demonstram ineficiência a régua e o compasso de uma gestão clássica adotada pelo governo,especialmente para conviver com a herança de dívidas impagáveis.

Existem complexidades nas mudanças estruturais que não podem ser sincronizadas e sujeitas a redução nas taxas de crescimento. Inclinado está o governo a acolher um crescimento mais brando em proveito de uma economia mais equilibrada e sustentável.

Abrandamento não significa o princípio de uma tendência ou perspectiva temporária na difícil mutação. As políticas interna e externa demandarão disciplina e paciência nas transformações que acontecem.

A China nos mostra uma máquina que mistura características comunistas e capitalistas - engrenagens compatibilizam baixos salários, partido único, ausência de direitos civis e de reivindicação, empenho pela produtividade, meritocracia, atração de estrangeiros e investimentos em capital humano.

Neste contexto, embora com a excessiva intervenção do governo,talvez ela seja amplamente amparada por dois aspectos excepcionais que asseguram seu desempenho econômico:o primeiro, ter a seu dispor consistente mercado interno a ser explorado e o outro,alimentar-sedo mercado externo por um bom tempo.


Arthur Jorge Costa Pinto é Administrador, com MBA em Finanças pela UNIFACS (Universidade Salvador).

Um comentário:

Anônimo disse...

A China concentrou toneladas de ouro. Em Shangai, centro financeiro, estão os bancos City e lá foi fundado o HSBC do Reino Unido para lavar dinheiro das drogas. Os EUA estão devendo 40 trilhões de dólares ao sistema financeiro comandado pela Reserva Federal. Os Rothschild, Rockefeller, Morgan e outro estão esfregando as mãos e preparando a crise do dólar. O yuan, moeda chinesa passará, segundo analistas, à condição (com lastro) de moeda de troca universal. Sob o controle dos mesmos potentados que hoje controlam o sistema financeiro.