quinta-feira, 20 de agosto de 2015

O jogo da Oligarquia Imperial


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Adriano Benayon

Muitas pessoas não concebem como possível a perversidade com que são conduzidas as políticas de Estado das potências imperiais, seja essa perversidade o motivo primeiro ou efeito colateral de seus jogos de poder.

A oligarquia financeira controla os governos dessas potências e os seus sistemas de instrução pública e de comunicação social, incumbidos de gerar a carência de capacidade analítica e interpretativa dos fatos, que determina as maiorias a não perceberem o quanto as políticas imperiais são destrutivas e mesmo genocidas.

As potências imperiais são o Reino Unido (Inglaterra) e os Estados Unidos, cujas oligarquias financeiras se interpenetram. Outras, a elas associadas, são subimperiais, antigas potências imperiais derrotadas na disputa pela hegemonia e que se associaram ao império dominante.

É o caso, pela ordem cronológica, de Holanda, França e Alemanha. Esta aparece, hoje, como a principal delas, dando, na Europa a falsa impressão de ter luz própria, ao aparecer como o grande opressor direto dos países relegados à condição de periferia da União Europeia.

A notável vocação tecnológica e industrial da Alemanha, semelhante e maior em grau que a da França, tornou-se, para o império angloamericano, um sério risco,  do ponto de vista de sua pretensão de hegemonia mundial absoluta.

Essa é a origem das duas guerras mundiais que marcaram o Século XX. A França já caíra a segundo plano, desde o final das guerras napoleônicas, e a Holanda fora batida na segunda metade do Século XVII.

A Alemanha desenvolveu-se, desde o Século XVIII, impulsionada por clarividentes políticas de Estado, que culminaram, na segunda metade do Século XIX, com o primeiro-ministro Otto von Bismarck, que levou a Alemanha pouco após sua morte, em 1890, a ultrapassar a Inglaterra em poder industrial.

Pouco antes disso, intrigas da diplomacia e dos serviços secretos britânicos fizeram com que Bismark fosse demitido pelo novo Imperador, Guilherme II.

O objetivo fora desmontar o edifício de alianças construído por Bismarck, que assegurou evitar a eclosão de algo como a primeira guerra mundial ainda no século XIX.

Não que Bismarck fosse pacifista. Nada disso: o mestre-mor do realismo político ficara contente com o statu quo, após ter liderado a Alemanha em várias guerras e vitórias que a colocaram em posição de destaque no cenário do poder internacional.

Finalmente, a Grã-Bretanha (Inglaterra) logrou envolver o Imperador alemão em suas provocações, após o ter afastado da Rússia e desencadear a guerra, em 1914, da qual acabaram participando dezenas de países nas duas coligações que se opuseram.

O objetivo mesmo foi debilitar Alemanha e França ao mesmo tempo, eliminar a Alemanha como concorrente na hegemonia mundial e consolidar a condição de potência de segundo plano da França.

Conseguiu: entre outros resultados, morreram seis milhões de franceses e cinco e meio milhões de alemães, sem falar em milhões de mortos de aliados de uma e de outra.

A Alemanha foi, ademais, condenada, em função da “Paz” de Versalhes (1919), a pesadas reparações de guerra, que teve de pagar principalmente à França e também à Grã-Bretanha, as quais repassavam o dinheiro aos EUA para servir a dívida decorrente dos financiamentos recebidos para custear a guerra.

Seguiu-se a enganosa euforia dos anos 1920 e a depressão econômica e social dos anos 1930, entre cujas manifestações políticas avultou o fascismo, inclusive nazismo.

Muito se tem discutido sobre a natureza desse regime. Há pouco divulgou-se artigo  referente à obra do historiador italiano Renzo de Felice, segundo o qual o fascismo teria, na maioria dos casos, ascendido ao poder através de golpes de audácia, favorecidos pela covardia das classes dominantes e médias.

Nesses debates apareceu a asserção, equivocada, mas não contestada, de que a Alemanha foi o único caso em que o fascismo chegou  ao poder por eleições diretas.

De fato, foi uma  conspiração, envolvendo chantagem junto ao presidente, Marechal Hindenburg, conduzida por banqueiros alemães associados à oligarquia financeira angloamericana.

Do ponto de vista formal, assinale-se que no regime parlamentarista da Constituição de Weimar nem existiam eleições diretas. Mas o importante é que os nazistas, nas eleições para o Reichstag, nunca tiveram votos suficientes para escolher o chefe do governo (o presidente é o Chefe de Estado).

Os nazistas nunca obtiveram, nem de perto, a maioria absoluta, que os levasse a comandar o parlamento e o governo conforme a Constituição.

Nas últimas eleições, em novembro de 1932, tiveram  declínio na votação, para 32%. Nunca havia maioria parlamentar, e o presidente sempre escolhia o Kanzler, conforme um artigo de exceção, no caso de não haver maioria no Reichstag.

Hindenburg decidira, após aquela eleição, nomear o chefe do Estado-maior do Exército, General Kurt von Schleicher, o qual reverteria a depressão e o descalabro financeiro, com economistas, como Lautenbach e outros, de confiança de Federações patronais e de sindicatos de trabalhadores, com políticas de conteúdo superior às de Keynes e de Schaacht, o czar da economia de Hitler.

Isso não agradou, de forma alguma, a oligarquia financeira angloamericana, que jogou a carta de Hitler, com intenção, convertida em realidade, de causar a 2ª Guerra Mundial. Ao contrário da difundida e falsa imagem do ditador nazista, ele não era nacionalista, mas sim somente racista, fanático admirador do imperialismo britânico.

Antes de galgar o poder e fazê-lo absoluto, com o golpe de incendiar o Reichstag, cassar os mandatos dos deputados comunistas, para obter a maioria absoluta que lhe permitiu conseguir os plenos poderes, Hitler prometera invadir a Rússia, o que cumpriu em junho de 1941.

Foi notório e conspícuo o apoio e a admiração recíproca entre líderes da indústria e das finanças angloamericanas, bem como de figuras de proa da família real britânica, e Hitler.

A simpatia deste pelos britânicos teve, entre outras confirmações, a determinação do Führer aos chefes militares de darem ordem de alto ao Exército, sem a qual os panzers alemães teriam esmagado, na Flandres (França e Bélgica), a força expedicionária do Reino Unido (ou a feito prisioneira), no final de maio de 1940, quando mais de 300 mil combatentes foram evacuados na famosa retirada de Dunquerque.

A 2ª Guerra Mundial começou para valer na Europa, no verão seguinte, quando Hitler ordenou a operação Barbarossa (invasão da Rússia), engajando nela, a quase totalidade do poderio armado alemão.

Então ocorreram as grandes batalhas da 2ª Guerra Mundial, por quatro anos, até o final de  maio de 1945, a maior parte dos quais em território da União Soviética, cujos mortos são calculados em 20 milhões, além de seis milhões de alemães, afora enorme devastação material.

Novamente, o objetivo era destruir duas potências rivais. No caso da Alemanha completar o debilitamento encetado com a 1ª Guerra Mundial. No da Rússia, aniquilar a economia e o poder de um enorme país que apresentava potencial de surgir como potência de primeiro plano.

As forças angloamericanas - notadamente a aviação, área em que tinham superioridade -  ajudaram a destruir a infra-estrutura alemã, na fase final da guerra, quando a Rússia já havia feito o essencial do serviço. Além disso, os angloamericanos assassinaram centenas de milhares  de alemães, por meio dos bombardeios genocidas a várias cidades, notadamente Dresden e Berlim,  com o objetivo colateral de intimidar a Rússia.

Fizeram algo semelhante na Guerra com o Japão, quando este já estava derrotado e pronto a assinar a rendição, fazendo os bombardeios nucleares sobre Hiroshima e Nagasaki (06 e 09 de agosto de 1945).


Adriano Benayon é doutor em economia pela Universidade de Hamburgo e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.

Um comentário:

Martim Berto Fuchs disse...

Podemos aceitar como fatos os dados históricos narrados acima, com talvez uma ou outra interpretação divergente.
A criação e domínio desta oligarquia financeira, século XVIII, desde então internacional, se fez em meio a regimes monárquicos, mais facilmente manobráveis. E se fez por pessoas que tinham pelo dinheiro muito respeito e muita vontade de tê-lo, tê-lo em abundância, pois sabiam muito bem que dinheiro significa Poder.

“Empresa” Brasil. Um pato gordo, prontinho para ser depenado por estrangeiros.
Primeiro, nossa presidenta foi aos EUA, depois de vociferar contra eles, vender no atacado, baratinho, nossas empresas.
Segundo, reuniu-se com o líder chinês, com quem já acertou diversos “negócios”, e mesmo não sabendo dos detalhes, com certeza entregamos mais um pouco nossa soberania.
Terceiro, recebemos agora a “chefe” da Alemanha e à ela foi “pedido” apoio em investimentos de infra-estrutura. Sentamos mais um pouco na mandioca.

Quando vamos considerar com seriedade que o sistema político brasileiro nunca funcionou ?
Que o estatismo/coletivismo nasceu morto, e não obstante as tentativas, não funcionou em lugar nenhum ?

Podemos copiar a China, ou, analisarmos friamente a proposta de Capitalismo Social, algo assim como diria Joelmir Betting:
- Temos que nos levantar do chão puxando os próprios cabelos !

http://capitalismo-social.blogspot.com.br/2015/08/capitalismo-social-projeto-completo.html