domingo, 30 de agosto de 2015

Ponte Milagrosa


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Roberto Gotaç

Basta às vezes um segundo para que a confiança seja perdida.
No entanto, sua volta ao nível anterior, por maiores que sejam os esforços, leva um tempo infinito. 

O nosso país vive hoje em meio a uma crise de confiança que se manifesta praticamente em todos os setores da vida nacional. 
Seus principais sintomas, entre muitos outros, são: 
governo central perdido, reeleito graças a um campanha selvagem, recheada de mentiras, onde se "fez o diabo", cujas trágicas consequências estão agora aflorando; 

legislativo, com mais de 40% de seus componentes envolvidos em algum processo judicial, verdadeiro cupinzeiro pragmático e balcão de negócios que passam ao largo do interesse público; 

partidos políticos, numerosos e disformes, meras siglas;  

justiça, lenta e, por isso, injusta, com sua Corte máxima aparelhada para apoiar estratégias de poder de quem nomeia;

inchaço administrativo, arrastando incríveis 39 ministérios e milhares de comissionados;  

políticos dos três níveis, individualistas e desinteressados em qualquer tipo de reforma eleitoral; 

economia incapaz de atrair investimentos sadios, apesar dos apelos às "travessias"; 

líderes de papel, muitos deles nos bastidores, ex-presidentes intrusivos, que visam somente à manutenção e ampliação do seu naco de poder e notoriedade e, finalmente: 

corrupção que vai desde as propinas bilionárias até o "jeitinho" do guarda de trânsito. 

A volta a um nível de confiança anterior, que já foi suportável, é improvável, por depender de exemplos inexistentes na melancólica elite política, e portanto, inatingível, por maiores que sejam as piruetas e as lábias dos que permitiram que fosse atingido o presente panorama. 

Vale a pena relembrar a recomendação, já  gasta, de que o país deve ser passado a limpo? Não funciona mais, mesmo porque ninguém sabe exatamente o que isso significa. 

Tudo indica que o precipício está próximo e que só uma ponte milagrosa que lembra, noutro contexto, a abertura do Mar Vermelho por Moisés, poderá salvar-nos.


Paulo Roberto Gotaç é Capitão de Mar e Guerra, reformado.

2 comentários:

Jayme Guedes disse...

Como afirmei acima, a maior riqueza de uma nação não está na extensão territorial, na disponibilidade da água nem no petróleo ou minerais do subsolo. A maior riqueza de uma nação é a qualidade do seu povo e o Japão é um exemplo disso. Ora, diante dessa obviedade, o passo seguinte seria definir as características do povo brasuca e, sob esse aspecto, afirmo que nossa principal característica é a baixeza. Somos um povo com baixa capacidade cognitiva, baixo nível educacional, baixo apreço pela honestidade e baixa noção de higiene. Em outras palavras, burros, sem educação, desonestos e porcos. Além da trilogia meu time, minha seleção e minha escola de samba, nada mais nos interessa como povo. Ora, o que esperar de um povo com essas "qualidades"? Que nação um povo desses poderá construir? O princípio da causalidade é inevitável. Povo medíocre, representantes medíocres, leis medíocres, nação medíocre, futuro medíocre.

Anônimo disse...

Para corrigir tudo que o artigo nomeia e uitas coisas mais aí não contempladas, o político que assumir, caso a presidenta saia, terá condições de fazê-lo com a estrutura político-administrativa existente? Jamais; então, não vamos nos iludir, só resta o artigo 142 da CF (ponte milagrosa).