domingo, 20 de setembro de 2015

A Comissão de Anistia trabalha no Carnaval

"Se tu conheces o inimigo e a ti próprio, não precisarás temer o resultado de 100 batalhas. Se tu te conheces, mas não ao inimigo, para cada vitória obtida sofrerás também uma derrota. Mas, se tu não conheces o inimigo e nem a ti próprio, serás sempre derrotado".(SUN-TZU, Ano 500 A.C.)

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

Os jornais de 28 de fevereiro de 2009 anunciaram que a Comissão de Anistia “indenizou ontem, durante o Carnaval, 16 estudantes e funcionários de Universidades expulsos durante a ditadura militar. As reparações somam cerca de 2,879 milhões”.

Em 2004, 25 anos depois de aprovada a Anistia, só em atrasados, por conta da Anistia aos presos, banidos e perseguidos políticos, as indenizações alcançaram a cifra de 1,44 bilhão nos 5.540 processos então  aprovados pela Comissão de Anistia, que continua trabalhando a todo o vapor. Até no carnaval...

O historiador Daniel Aarão Reis Filho da UFF, por exemplo, recebeu uma indenização de R$ 4.800.391,35 “
por ter sido expulso da Faculdade de Direito da UFRJ e, após, banido do país, por ter perdido o seu cargo no TST”. A Comissão de Anistia “esqueceu” outros dados do seu currículo, como se verá abaixo.

Não é verdade. A Comissão de Anistia mentiu! A verdade é que, a partir do seqüestro do embaixador dos EUA no Brasil, que deu à luz o MR8, organização à qual Daniel Aarão Reis pertencia, ele optou por entrar na clandestinidade participando de várias ações armadas, entre as quais o roubo de armamento da sentinela do Hospital Central de Aeronáutica, deixando, evidentemente. de comparecer à Faculdade e ao trabalho no TST.

Em 1970, foi preso e banido do país, para a Argélia, em troca da liberdade do embaixador da então Alemanha Ocidental, seqüestrado por um grupo da Ação Libertadora Nacional e da Vanguarda Popular Revolucionária. Por ocasião de sua prisão, um fato inusitado: foi apreendido entre seus pertences um croquis de um apartamento na rua Souza Lima, no Flamengo, RJ, apartamento onde residia seu tio, Almirante de Esquadra Levi Pena Aarão Reis, então Chefe do Estado-Maior da Armada.

No exterior, em 70/71, recebeu treinamento de guerrilha em Cuba, sob o codinome de “
Faustino”. Quando da deposição de Salvador Allende, no Chile, em setembro de 1973, foram apreendidos com brasileiros detidos, papéis que davam conta de uma viagem sua à Coréia do Norte, com um grupo de companheiros.

Hoje, Daniel Aarão Reis Filho é professor de História Contemporânea na UFF e autor das seguintes análises sobre o movimento em que se envolveu nos anos 60 e 70 do século passado: "
As esquerdas radicais se lançaram na luta contra a ditadura, não porque a gente queria uma democracia, mas para instaurar o socialismo no país por meio de uma ditadura revolucionária, como existia na China e em Cuba. Mas, evidentemente, elas falavam em resistência, palavra muito mais simpática, mobilizadora, aglutinadora. Isso é um ensinamento que vem dos clássicos sobre a guerra. (...) Falava-se em cortar cabeças, essas palavras não eram metáforas. Se as esquerdas tomassem o poder, haveria, provavelmente, a resistência das direitas e poderia acontecer um confronto de grandes proporções no Brasil. Pior, haveria o que há sempre nesses processos e no coroamento deles: fuzilamento e cabeças cortadas” (O Globo, 29 de março de 2004).

“Assim, antes da radicalização da ditadura, em 1968, e antes mesmo de sua própria instauração, em 1964, estava no ar um projeto revolucionário ofensivo. Os dissidentes se estilhaçariam em torno de encaminhamentos concretos (...). Aprisionados por seus mitos, que não autorizavam recuos, insensíveis aos humores e pendores de um povo que autoritariamente julgavam representar, empolgados por um apocalipse que não existia senão em suas mentes, julgavam-se numa revolução que não vinha, e que, afinal, não veio, e que não viria mesmo” (artigo “Esse Imprevisível Passado”, na revista Teoria e Debate” de jul/ago/set de 1995, editada pelo PT).


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

Um comentário:

Anônimo disse...

Um vagabundo desses faz o que faz e ainda recebe indenização milionária. Puta que pariu! Tá tudo errado nesta merda!
A Anistia foi o segundo maior erro cometido pelos milicos. O primeiro foi não ter eliminado de maneira sumária esses canalhas, inclusive aqueles que, sendo militares, prestaram cobertura a bandidos terroristas da família. Mas isso aí dificilmente ocorreria, pois senão muito milico de alta patente, com filho, sobrinho ou parente próximo terrorista, dançaria...
Hoje, naturalmente, seria ainda pior, pois vê-se que essa geração de milicos é ainda pior, pois constituída majoritariamente por covardes, carreiristas completamente corrompidos, cínicos, calhordas e traidores.