domingo, 20 de setembro de 2015

A Economia e as Revoluções


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Gelio Fregapani

Após longo período de paz interna no Império, os anos republicanos tem sido tensos. Tivemos a revolta da Armada, a sangrenta revolução de 93, a "guerra" de Canudos a revolução de 23, a década de 20 pontilhada de intervenções armadas que culminariam na Revolução de 1930, a revolução Paulista de 1932, o putsch comunista de 1935, o assalto integralista, o Estado Novo, de 1937 a 1945, a crise do suicídio em 54, a renuncia de 61 a revolução de 64 a guerrilha de 68 , a "redemocratização' em 85, o impeachment em 92, todos marcados por alguma crise econômica e pelo dedo estrangeiro que quer evitar a nossa união.

Nos anos 90, mediante eleições vencidas por grupo a serviço da oligarquia estrangeira, perpetraram-se as privatizações, nas quais em troca de títulos podres de desprezível valor,se entregaram e desnacionalizaram, estatais dotadas de patrimônios materiais de trilhões de dólares e de patrimônios tecnológicos de valor incalculável. A Petrobrás escapou de ser formalmente privatizada, mas não saiu ilesa: ficou submetida à ANP, mobiliada por “executivos” ligados às petroleiras angloamericanas, o que propiciou a alienação da maior parte das suas ações preferenciais a preço ínfimo, na Bolsa de Nova York, para especuladores daquela oligarquia, como George Soros.

Ao longo de todo esse sinuoso processo, observamos características importantes: todas as disputas ocorreram em meio a crises econômicas, mas não ameaçaram a  integridade territorial e terminaram com pacificação ou anistia, quase sem vinganças e sem ameaça física ás autoridades derrotadas.

Agora vivemos mais uma grande crise da economia onde é nítido o interesse estrangeiro e é preocupante a ameaça de desintegração e o radicalismo das facções onde pedem ostensivamente a morte dos dirigentes. Nos faz falta um Duque de Caxias.
     
Na atual crise a Operação Lava-jato, em nome do nobre motivo de depurar o País está destruindo não só a Petrobrás – último reduto estatal produtivo bem como as grandes empreiteiras, último reduto privado, de capital nacional, capaz de competir mundialmente. Observe-se que não se vê punições para bancos nem empresas multinacionais. Será que eles nunca pagaram propinas? Acredita-se que minem mais de 100 bilhões de reais por ano pelas manobras das multinacionais em superfaturar as importações e subfaturar as suas exportações maquiando suas contabilidades transferindo lucros para suas matrizes minimizando e sonegando impostos nos países hospedeiros. Seria possível isto sem propinas?
      
Se não quisermos aceitar em definitivo, à condição de subdesenvolvidos teremos que evitar o aproveitamento pelas oligarquias financeiras transnacionais e de seus representantes locais, que visam acabar com a nossa veleidade de autonomia no campo industrial, no tecnológico e no militar.
      
O atual governo, além da incompetência já se acovardou e se rendeu. Não terá coragem de enfrentar as pressões internacionais e internas. Os prováveis sucessores são piores ainda.

Então, o que fazer? No momento esperar que não haja solução sem intervenção e se a crise for controlada e os políticos resolverem a confusão que criaram e ainda consigam manter a integridade do País? – tanto melhor, pois é isto que todos queremos.


Gelio Fregapani é Escritor e Coronel da Reserva do EB, atuou na área do serviço de inteligência na região Amazônica, elaborou relatórios como o do GTAM, Grupo de Trabalho da Amazônia. Extrato do Comentário Geopolítico de número 226, de 13 de setembro de 2015.

Um comentário:

Estéfani JOSÉ Agoston disse...

Primeiro, senhor cel Gélio Fregapani, não nos falta um Caxias pois basta olhar (com olhos de Ockham e sem antolhos) nosso passado e veremos que os Caxias sempre estiveram presentes desde a queda do Império, com os resultados que hoje amargamos. Em segundo, precisa começar a pensar de maneira mais simples.