quinta-feira, 10 de setembro de 2015

A Guerra Híbrida. É a Guerra de Putin. Seria do Maduro e do Morales?


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Alberto Pinto Silva

Os possíveis conflitos entre os países da América do Sul podem estar controlados e adormecidos pela busca da integração econômica, comercial e de infraestrutura, juntamente com outras ações que aumentam a confiança mútua entre os Estados.  Mas isso não significa que tenha desaparecido a relação de conflitualidade, a hostilidade não se manifesta apenas pela violência física do emprego do meio militar, ela continua a existir por problemas econômicos, diplomáticos, psicológicos, ideológicos, populistas; pela debilidade dos Estados; e, também, por rompantes nacionalistas e de valores étnico-culturais.

“A Guerra Híbrida é para alguns, o termo cunhado em 2009 pelo jornalista norte-americano Frank Hoffman e antecipado por George Kennan em 1948e é tão antigo como a própria guerra. Trata-se de uma fusão de soldados com e sem uniforme, paramilitares, táticas terroristas, ciberdefesa, conexões com traficantes de drogas, insurgência urbana e fuzis AK-47”. “É uma combinação de meios e instrumentos, do previsível e do imprevisível. Não há fronteiras entre o legal e o ilegal, entre a violência e a não violência. Não há uma distinção real entre guerra e paz.” (Diz Félix Arteaga, pesquisador de Segurança e Defesa do Real Instituto Elcano).

Os atores da Guerra Híbrida são caracterizados por grupos armados de insurgentes, terroristas, milícias e organizações criminosas. Estes grupos veem o conflito como uma continuação da política e utilizam violentas operações irregulares que perduram por um longo período, buscando atingir um controle coercitivo sobre as populações locais. (CLÉMENT-NOGUIER, 2003 - Artigo -  Intervenções para a paz em conflitos assimétricos: desafios na formulação de estratégias de estabilização no século XXI em relação a novos atores beligerantes - Rafael Assumpção Rocha).

A Guerra Híbrida, portanto, implica um mínimo objetivo político, no que se diferencia do banditismo e do gangsterismo ligados ao crime organizado.

2. É a guerra de Putin.

A que o presidente russo leva a cabo na Ucrânia, um conflito que os analistas qualificam de “híbrido” porque une forças regulares e não regulares, desinformação e uma pomposa presença militar em uma ofensiva limitada. (A guerra híbrida do século XXI: métodos legais e ilegais se fundem – 06/12/2014 - Cecilia Ballesteros)

3. Seria a guerra do Maduro?

A que o presidente venezuelano ameaça a levar a cabo no Brasil, em defesa do governo Dilma, que só seria possível com o desencadeamento de um conflito híbrido.

A Venezuela, num sentido ofensivo, busca expandir ideais revolucionários e fomentar o estabelecimento de regimes de relações socialistas, se armou como uma ferramenta-chave para explorar as vulnerabilidades políticas e econômicas de oponentes e para modificar a situação em benefício próprio. (vide: Luiz Gonzaga Schröeder Lessa http://www.reservaer.com.br/est-militares/perigo-venezuelano.html)

Maduro aplicaria as técnicas de um conflito híbrido, patrocinando grupos não governamentais (Fornecendo armamento pesado e leve, munição e recursos financeiros),numa ação dita em defesa do governo Dilma, mais com intuito verdadeiro de fomentar a expansão do bolivarismo, com o estabelecimento de regime similar no Brasil.

4. Seria a guerra do Evo Morales?

“É chamado de “Estado Débil” aquele em que o governo central tem pouco controle prático sobre o seu território. E de “Estado Falido”, o “Estado Débil” que não exerce um governo efetivo dentro de suas fronteiras, em função de altas taxas de criminalidade, corrupção extrema, um extenso mercado informal, judiciário ineficaz, interferência militar na política e presença de grupos armados paramilitares ou organizações terroristas controlando de fato parte ou todo o território, ou, ainda, os Estados são débeis ou falidos, quando perdem o controle exclusivo sobre os meios de coação.”

Potencialmente, um “Estado Falido” ou “Débil” é capaz de desestabilizar uma região inteira. Nele florescem fanatismos religiosos, tribais ou étnicos e ele serve de refúgio a organizações terroristas e criminosas. A multiplicação de forças não estatais, à margem da lei; os diferentes interesses enfrentados; a ingerência de outros Estados, tratando de ampliar sua área de influência; e o colapso dos serviços de Estado degenera, sem lugar a dúvidas, em um conflito ‘’empregando a guerra híbrida.

A Bolívia não possui capacidade militar convencional para vigiar suas fronteiras,portanto, a ameaça de Evo Morales, presidente de um Estado Débil, tendendo para um Estado Falido, é pouco crível.

A Bolívia poderia desencadear ações de guerra irregular na fronteira comum com o Brasil e em regiões de grande concentração de bolivianos,como São Paulo, e poderia aplicar as técnicas de um conflito híbrido, patrocinando grupos não governamentais (Fornecendo armamento pesado e leve, munição e recursos financeiros).

5. Conclusão.

Na América do Sul, se deve ser sensível à preocupação com os regimes populistas de propensão autoritária; com países que possuem milícias organizadas pelo governo em seu território; com países que adotaram um estranho armamentismo;bem como com países onde convivem produtores de droga, traficantes, guerrilheiros e o crime organizado (Estado Débil).

A ameaça venezuelana encontra respaldo em uma sólida base militar que, de forma significativa e pragmática,vai se construindo e consolidando a fim de apoiar as suas pretensões expansionistas, com o objetivo definido de, em médio prazo, transformar a Venezuela no maior poder militar da América do Sul. (vide: Luiz Gonzaga Schröeder Lessa http://www.reservaer.com.br/est-militares/perigo-venezuelano.html)

A Força Terrestre brasileira necessita ter a capacidade de conciliar o emprego de forças militares nas áreas estratégicas da Amazônia Ocidental, Centro Oeste, Leste e Sul, deforma simultânea, em caso de crise com países vizinhos, e, principalmente, no contexto das atuais ameaças.
O Comando Militar da Amazônia, o Comando Militar do Oeste e o Comando Militar do Leste necessitam dispor, de imediato, de recursos militares em quantidades que possibilitem seu emprego no contexto das ameaças Maduro e Evo Morales. Ter uma Força Militar pronta oferece vantagens estratégicas e psicológicas.


Carlos Alberto Pinto Silva é General-de-Exército da reserva, ex-comandante de Operações Terrestres (COTer), do Comando Militar do Sul (CMS) e do Comando Militar do Oeste (CMO), Membro da Academia Brasileira de Defesa e do CEBRES.

7 comentários:

Estéfani JOSÉ Agoston disse...

Os senhores das FFAA, até hoje foram coniventes ou por ação ou por omissão com os governos que sucederam ao fim dos governos militares, inclusive e a partir do governo de José Sarney, portanto não acredito em vossas boas intenções, pois que vossos propósitos são aqueles ditados pelo Fabianismo, comunismo suave, mas sempre comunismo. Os senhores das FFAA descontruiram nossa Nação, descontruiram o Brasil.

Os senhores das FFAA nos trouxeram ao inferno socialista que vivemos. Reproduzo comentário que inseri em página do Facebook, á dona B.H.:

...'sugiro que leia sobre Fabianismo e em seguida pesquise; a maioria de oficiais brasileiros das FFAA são de linha Fabianista (é incutida neles essa linha política/filosófica nas academias de formação de oficiais), linha que é praticamente um comunismo suave e em decorrência disso, de serem dessa linha, é que estiveram e estão (sim, sempre trabalhando nas sombras) apoiando os PT e os ditos "movimentos sociais" e é por isso que até hoje as FFAA não se movimentaram para reordenar o Brasil, não se movimentaram para a Intervenção Militar Constitucional, pois a eles dessa linha lhes interessa que o processo socialista/comunista em curso, continue pujante':...

Bosco Soares disse...

O "divórcio" entre as atividades profissionais do militar e do político, foi destacada pelo Marechal José Pessoa (1985-1959), há 84 anos, em entrevista ao jornal "A Noite" (17.12.1931). Ele que era sobrinho de Epitácio Pessoa (1865-1942)e irmão de João Pessoa (1878-1930), quando perguntado sobre política disse:
“Não sou político. Não quero ser. A nossa maneira de fazer política tem sido a gênese de muitas infelicidades para o País... Ao assumir esse comando, reuni mestres e cadetes advertindo-os de que seria desaconselhável o trato de assuntos em desacordo com a disciplina militar, separando-me completamente dos políticos. Só não chamo a isso um divórcio porque nunca estivemos juntos. Não se deve inferir daí que eu os condene. Absolutamente... Mas a política, para os políticos.”
Fonte: CASTRO, C. A Invenção do Exército Brasileiro. 76 p. Brasil, 2002. ISBN: 8571106827.
Hoje, no meio da sociedade brasileira, uma grande parte da má-fama dos militares foi causada pela não observação dessa reflexão. Sabemos que os erros cometidos durante o regime militar, depois causaram falta de investimentos em nossa defesa.
É preciso ser patriota e estar atento aos delírios. Mas, temos que estar atentos, pois a ligação entre partidos políticos, com empresários corruptos, com o crime organizado, com "movimentos sociais" e com ditaduras vizinhas, são instrumentos que poderão ser utilizados na guerra híbrida.
Na qual, todos pagaremos um enorme preço, com o atraso no desenvolvimento do País e na degradação de nossa sociedade.

Anônimo disse...

Se o nobre general alerta pare esse perigo "A ameaça venezuelana encontra respaldo em uma sólida base militar que, de forma significativa e pragmática,vai se construindo e consolidando a fim de apoiar as suas pretensões expansionistas, com o objetivo definido de, em médio prazo, transformar a Venezuela no maior poder militar da América do Sul", o que falta para o Brasil reagir? A humilhação feita recentemente aos colombianos que residiam na fronteira já demonstra como age o tal Maduro que parece já ter feito ameaças ao Brasil caso a Dilma seja tirada do governo.
A Venezuela tem apoio militar da China Rússia e outros países com formas de governo semelhantes.

Anônimo disse...

A Venezuela é sustentada pelo governo petralha. Se retomarmos nossa autonomia, ficarão sem recursos e,portanto, que vai reagir à legalidade brasileira serão os próprios petralhas.

Anônimo disse...

Que nada! Não se preocupe, "destemido" generaleco da reserva! Nossos "bravos" militares estão escolhendo o modelo da calcinha que vão usar para recepcionar os bolivarianos de outros países.

Anônimo disse...

É impressionante a incompetência e a burrice desses...MILICOS DE MERDA! Oficiais CORRUPTOS estão entregando o Brasil aos bandidos, cuspindo na memória daqueles que perderam suas vidas para defender este país.

Anônimo disse...

A UNICA AMEAÇA PARA O BRASIL, É A MAÇONICA...