sexta-feira, 18 de setembro de 2015

A imprescindível modernização do aparato defensivo brasileiro


“Sem possuir armas próprias, nenhum principado estará seguro; estará, antes, à mercê da sorte, não existindo virtude que o defenda nas adversidades" (Maquiavel)

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Manuel Cambeses Júnior

O Brasil é país guiado por sentimento de paz. Não abriga nenhuma ambição territorial, não possui litígios em suas fronteiras nem, tampouco, inimigos declarados. Toda ação por ele empreendida nas esferas diplomática e militar busca, sistematicamente, a manutenção da paz.

Porém, tem interesses a defender, responsabilidades a assumir e papel a desempenhar no tocante à segurança e defesa, em níveis hemisférico e mundial, em face de sua estatura político-estratégica no concerto das nações.

O primeiro objetivo de nossa política de defesa, portanto, deve ser a de assegurar a defesa dos interesses vitais da nação contra qualquer ameaça forânea. Não se pode precisar, a priori, a fronteira entre os interesses vitais e os interesses estratégicos. Os dois devem ser defendidos com ênfase e determinação. Essencialmente, os interesses estratégicos residem na manutenção da paz no continente sul-americano e nas regiões que o conformam e o rodeiam, bem como os espaços essenciais para a atividade econômica e para o livre comércio (Setentrião Oriental, Costão Andino, Cone Sul e Atlântico Sul).

Fora desse âmbito, o Brasil tem interesses que correspondem às responsabilidades assumidas nos Fóruns Internacionais e Organismos Multilaterais e ao seu status na ordem mundial. Este é conformado por combinação de fatores históricos, políticos, estratégicos, militares, econômicos, científicos, tecnológicos e culturais.

Sem defesa adequada, a segurança nacional e a perenidade desses interesses estarão seriamente comprometidos e, consequentemente, não poderão ser assegurados. Daí, ressalta-se a imperiosa necessidade de contarmos com Forças Armadas preparadas, suficientemente poderosas e aptas ao emprego imediato, capazes de desencorajar qualquer intenção de agressão militar ao país, pela capacidade de revide que representam.

Essa estratégia é enfatizada para evitar a guerra e exige, como corolário, o fortalecimento da expressão militar do poder nacional, além de impor excelente grau de aprestamento e prontificação das Forças Armadas, desde o tempo de paz, através da realização de treinamentos, exercícios operacionais dentro de cada força singular, não sendo excluída a necessidade de planejamento e do treinamento de operações conjuntas e combinadas no âmbito das FFAA.

O estudo da História, particularmente da História Militar de uma nação, conduz a conclusões e realça aspectos capazes de influir na expressão militar de seu poder nacional. O estudo das campanhas militares, com seus erros e acertos, o respeito às tradições, o culto aos heróis etc, trazem reflexos à formulação da doutrina, ao moral e à estrutura militares.

As tradições históricas e militares constituem, ainda, fatores de influência sobre a expressão militar. Essas tradições, que cumpre cultuar e manter, não devem, por outro lado, apresentar obstáculos intransponíveis à evolução, ao desenvolvimento e à tecnologia militares. No equilíbrio entre essas ideias, às vezes opostas, está o acerto que revigora a expressão militar.

Assumem, também, papel de destaque, os aspectos qualitativos dos recursos humanos; o apoio em maior ou menor grau da opinião pública nacional e mesmo internacional; a coesão interna e a vontade nacional. E, nesse contexto, ressalta a fundamental importância do povo - expressão máxima das forças vivas da nação - como verdadeiro esteio das Forças Armadas, quando a elas se une, nelas se apoia e com elas se confunde.

A população traduz sua indispensável solidariedade à expressão militar através da opinião pública, que deve constituir, sem dúvida, preocupação constante quando se pretende manter em alto nível aquela expressão do poder nacional. Nesse sentido, é imperioso o esforço para conservar integrados o homem militar e o homem civil, sem discriminações de qualquer natureza, sem privilégios, embora respeitadas suas diversas, mas naturais, destinações.

O papel que caberá às Forças Armadas brasileiras nas próximas décadas é multifacetado e deve estar calcado em amplo debate, cujo resultado deverá ser tão satisfatório quanto maior for o desenvolvimento da sociedade.
     
O esboço de qualquer arranjo de defesa, em Estado democrático, para que possa contar com recursos, deve estar respaldado por base de legitimidade.
     
Entendemos que, para a consecução desses objetivos, devem ser consultadas personalidades representativas de diferentes espectros de opinião: ministros de Estado, acadêmicos, analistas políticos, economistas, diplomatas, militares, jornalistas, todos com reconhecida competência na área de defesa e alguns críticos do atual sistema de defesa nacional. Evidentemente, não se trata de deixar em mãos desses pensadores a formulação de políticas e estratégias militares.

Trata-se, tão-somente, de ouvi-los e de reunir novos conceitos e ideias que permitam oxigenar antigos preceitos e identificar referenciais para a defesa do país, as quais estejam mais em sintonia com os desafios dos novos tempos e consentâneos com a realidade nacional.
     
Tais contribuições, depois de avaliadas por setores competentes do Ministério da Defesa, poderão ou não ser incorporadas no planejamento estratégico.
     
Indubitavelmente, para a consecução dessa tarefa, mister se faz uma conjunção de esforços. Nesse sentido, somam-se, num processo sinérgico, o imprescindível apoio do presidente da República, a compreensão do Congresso Nacional, a efetiva colaboração do Ministério da Defesa e de outras áreas do governo, a confiança e o respaldo dos comandantes das Forças e a ativa participação de todas as forças vivas da nação.
     
Temos plena consciência de que não se pode justificar a hipertrofia das Forças Armadas em prejuízo do processo de desenvolvimento da nação, mas não se pode admitir, por ilógico e temerário, que a expressão militar do poder nacional seja colocada em plano inferior - vivenciando processo gradual de sucateamento e de desmantelamento devido à crônica insuficiência de recursos financeiros -, na falsa concepção de que a prioridade absoluta deve ser dada ao desenvolvimento.

Não existem nações desarmadas, porque nenhuma delas seria capaz de desfazer-se de sua expressão militar para merecer, por esse ato ingênuo, o respeito e a simpatia de todos os países. Não há fórmula miraculosa capaz de manter a paz sem ameaças de conflitos internos ou de guerra entre os povos.
     
Torna-se imperativo e oportuno conferir mais prestígio às Forças Armadas e racionalizar, modernizar e fortalecer o aparato defensivo brasileiro. Lembremo-nos das sábias palavras do insigne Barão do Rio Branco - o Chanceler da Paz - que, habitualmente, enfatizava a imperiosa necessidade de possuirmos um bom sistema de armas para respaldar as nossas proposições no concerto das nações.


Manuel Cambeses Júnior é Coronel-Aviador Reformado, membro emérito do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil, membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil e conselheiro do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica.

3 comentários:

Estéfani JOSÉ Agoston disse...

Caramba, senhor Manuel Cambeses Júnior, cel av reformado, o senhor quer é mesmo confusão ao propor...

"Entendemos que, para a consecução desses objetivos, devem ser consultadas personalidades representativas de diferentes espectros de opinião: ministros de Estado, acadêmicos, analistas políticos, economistas, diplomatas, militares, jornalistas, todos com reconhecida competência na área de defesa e alguns críticos do atual sistema de defesa nacional. Evidentemente, não se trata de deixar em mãos desses pensadores a formulação de políticas e estratégias militares..."


pois que a sociedade brasileira, ministros, acadêmicos, analistas políticos, economistas, diplomatas, militares (alguns), jornalistas, até aqui só fizeram merda, desde a muito tempo aliás. Esperar desses que mantiveram-se em conluio por ação, outros por omissão com os sucessivos desgovernos desde que Sarney assumiu, é esperar bom cheiro em urubús. Ou o senhor pretende ser parte dos que querem dar um banho de cheiro em urubús?

Anônimo disse...

Estou de acordo com a explanação esclarecedora de Estéfani, e me pergunto desalentado. O que será dessa geração que vem ao mundo, o que enfrentarão ? Pois de uma grande casta dos covardes já podemos dizer o quanto fomos vitimas e prejudicados, exemplos estes que temos das forças armadas abandonarem sua nação a ponto de chegar onde chegamos, medo maior para onde estará indo o destino do país que por todos julgam ser o coração de mãe, pois além de ser um país abençoado em tudo sempre fomos de paz. Mas onde Deus abençoou com tudo de bom, o demônio ofereceu os políticos que temos, sujos, bandidos, corruptos sem princípios de nada, capazes de venderem suas almas pelo poder a qualquer custo. Mas se pararmos para pensar existe uma frase que cabe muito bem a nossos políticos. " O QUE NÃO HONRARMOS PELO AMOR OU O DEVER, DEIXAMOS AOS NOSSOS COMO CASTIGO DE HERANÇA "
REFLEXÃO: As consequências do que passamos hoje não será vivida apenas pelos nossos, mas será herança dos que são responsáveis por toda esta mazela .

Forças armadas, ainda há tempo de salvar nosso país, cabe aos senhores fazerem parte mais uma vez da história dessa nação, apenas escolham de que forma serão parte dessa historia , covardes ou heróis ? Bem de qualquer forma serão lembrados sempre, e quem sabe no futuro os seus possam estar herdando o que deixarem como feitos .
A grandeza de um homem não está em fazer o que agrada a uma casta de pseudos amigos, mas sim em agir pela razão daquilo que acredita como princípios que o faça se reconhecer justo.

A//C

Anônimo disse...

ESTÉFANI AS VEZES PARO E PENSO, SE O PT COMPROU TUDO E INFILTROU GENTE DELES EM TODAS REPARTIÇÕES PÚBLICAS, TEM EM MÃOS PARTIDOS, INSTITUIÇÕES DE PESO AMARRADINHOS POR BARGANHAS, SERÁ QUE AS FORÇAS ARMADAS QUE OUTRORA JÁ FOI O ORGULHO DESSA NAÇÃO NÃO SEJA HOJE MAIS UMA AUTARQUIA DO GOVERNO PETISTA ?