terça-feira, 15 de setembro de 2015

A meio caminho da deportação


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Márcio Accioly

José Maria Marin é algo pertencente à raça humana que deixa mais do que claro e exemplificado o que um país de instituições fracas (e “governado” por rebotalhos da espécie, como o Brasil), com vocação para surtos de autoritarismo, pode causar tanto mal a tanta gente. O inglês Winston Churchill matou a charada quando afirmou que “a democracia é o pior de todos os regimes, excetuado todos os outros”.

Enquanto vigia o regime militar (1964-85), Marin foi um de seus mais fiéis defensores: bradava contra a corrupção (mesmo sendo ladrão) e defendia o império da moralidade. Mas foi flagrado roubando energia elétrica da casa de um vizinho, através de gambiarra, força que servia para iluminar a escadaria de sua mansão paulista, além de ser utilizada em outras dependências de sua casa.

Conta-se que, à época do regime militar (1964-85), o vice-presidente do então general Costa e Silva, Pedro Aleixo, foi o único a discordar dos termos duríssimos da regra do regime de exceção que impôs o Ato Institucional 5. E fez uma advertência:

“-Presidente, o problema de uma lei assim não é o senhor, nem os que, como o senhor, governam o país. O problema é o guarda da esquina.”

E guardas da esquina proliferavam aos montões, sempre à margem das duras normas, implantando o terror, mentindo e repetindo os mesmos atos terroristas que diziam combater.

Que o diga o ex-delegado da Polícia Federal Cláudio Guerra, em seu livro “Memórias de Uma Guerra Suja”, onde relata que “o coronel Freddie Perdigão sentia prazer ao entrar numa sala de tortura e sentir o cheiro de fezes e urina dos que não resistiam ao bárbaro massacre”. Ou quando revelou que os militares que compunham a parte subterrânea do regime contavam, inclusive, com fornos crematórios, nos moldes nazistas, para dar fim aos corpos dos que eliminavam.

Não se trata de absolver ou condenar guerrilheiros, boa parte dos quais se mostram ladrões e assaltantes dos cofres públicos neste governo petista, mas de exibir o descontrole da máquina utilizada, em tese, para reprimir absurdos e injustiças. Onde não existe democracia, funciona o império da vontade pessoal, a imposição de grupos.

Marin é aquele tipo que tantos conseguem perceber, mas deixam ir longe, o inapto e inepto que nada sabe fazer, oportunista ao extremo que se torna “bem sucedido”. Para alcançar seus objetivos, uma figura moralmente desqualificada como José Maria Marin é capaz de qualquer coisa.

Ele iniciou a sua carreira política em 1953, ao se eleger vereador em São Paulo, pelo PRP. Em 69 se elegeu presidente da Câmara de Vereadores da Capital. De 1971 a 79 foi deputado estadual e se notabilizou pelos discursos violentos contra a chamada esquerda. Em outubro de 75, um virulento ataque ao jornalista Vladimir Herzog, então diretor da TV Cultura, deu a Marin a notoriedade que buscava: Herzog foi preso e morto no mesmo dia de sua prisão, nas dependências do DOI-CODI de São Paulo.

Marin continuou sua carreira ascendente e chegou a ser governador paulista (1982-83), depois que o titular, Paulo Maluf, renunciou ao mandato para disputar a Câmara Federal. Por fim, no dia 25/01/12, José Maria Marin foi flagrado naquilo que mais gosta de fazer, embolsando uma medalha que deveria ter sido entregue ao jogador Mateus, numa premiação da Copa São Paulo de Futebol Júnior.

Preso na Suíça desde maio/2015, sua ex-excelência deverá ser deportado para os EUA. São essas figuras que nos “governam”, seja na ditadura ou na democracia. Ele é sortudo: está preso, hoje, num país onde existem instituições e se respeitam direitos.

Márcio Accioly é Jornalista.

Um comentário:

Anônimo disse...

ESTE TEXTO É QUASE TUDO QUE VENHO TENTANDO DENUNCIAR, FALTOU A CORAGEM DE DENUNCIAR O RESTO DA DITADURA QUE ESTÁ ATÉ HOJE ACOBERTANDO TODO TIPO DE TRANSGRESSÕES EM TODO O PAIS, DESDE O MAS MISERO MUNICIPIO ATÉ O CONGRESSO NACIONAL, MILHARES DE ZÉ MARIA, ESTÃO SENDO ACOBERTADOS PELA MAFIA DO JUDICIARIO E MAÇONARIA... TENTE FAZER UMA DENUNCIA EM UM ORGÃO PUBLICO DE QUALQUER CANALHA QUE ESTEJA AGINDO COMO O ZÉ, VOCÊ CORRE O RISCO DE SER FORJADO, VIRA O BANDIDO E PODE ATÉ MORRER... ME AJUDA AI ACCIOLY... ATÉ AGORA O UNICO TEXTO QUE ESTÁ LEVANDO A COISA A SÉRIO, POIS LADRÃO É LADRÃO NÃO INTERESSA O PARTIDO....