sexta-feira, 18 de setembro de 2015

CHEGA EGA QUE TIFIRIFEGA SALAMADUREBA QUE TIBIRIPEBA!


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

A brincadeira infantil do trava-língua vem a calhar.

Ninguém aguAnta mais a Anta ! Chega ega... etc!

Pagará por cada centavo que pedalou. (cacófato proposital)

No lugar do merdandante entrará novo purgante. Abreugrafia não por tuberculose mas por lordose galopante.

“Cá tia Anta me encontro substituindo um tonto !”, disse a sílfide de Ceres.

“Mas de mim nada esperes.Tu conferes os ganhos de um pobre alferes; então verás como um par de alteres é peso mais leve que bola de neve. Detê-la ninguém se atreve até ver o cara de mico de volta ao uso do penico.”

Se parece com um mulo manco que só se encosta em barranco e , na falta, em algum banco.

O plano é mesmo ilusório; não serve nem pra supositório.

Nunca vi cachorro largar osso. Nada espere dum pobre moço.

E xingar a Anta não adianta. Bom mesmo é usar óxido de chumbo enquanto o palhaço do boi toca o bumbo; sua empáfia já foi pro beleléu e logo, logo vai virar pastel.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

3 comentários:

Loumari disse...

Fomos Deixando de Escutar

Me entristece o quanto fomos deixando de escutar. Deixámos de escutar as vozes que são diferentes, os silêncios que são diversos. E deixámos de escutar não porque nos rodeasse o silêncio. Ficámos surdos pelo excesso de palavras, ficámos autistas pelo excesso de informação. A natureza converteu-se em retórica, num emblema, num anúncio de televisão. Falamos dela, não a vivemos. A natureza, ela própria, tem que voltar a nascer. E quando voltar a nascer teremos que aceitar que a nossa natureza humana é não ter natureza nenhuma. Ou que, se calhar, fomos feitos para ter todas as naturezas.

Falei dos pecados da Biologia. Mas eu não trocaria esta janela por nenhuma outra. A Biologia ensinou-me coisas fundamentais. Uma delas foi a humildade. Esta nossa ciência me ajudou a entender outras linguagens, a fala das árvores, a fala dos que não falam. A Biologia me serviu de ponte para outros saberes. Com ela entendi a Vida como uma história, uma narrativa perpétua que se escreve não em letras mas em vidas.

A Biologia me alimentou a escrita literária como se fosse um desses velhos contadores não de histórias mas de sabedorias. E reconheci lições que já nos tinham sido passadas quando ainda não tínhamos sido dados à luz. No redondo do ventre materno, já ali aprendíamos o ritmo e os ciclos do tempo. Essa foi a nossa primeira lição de música. O coração esse que a literatura elegeu como sede das paixões , o coração é o primeiro órgão a formar-se na morfogénese. Ao vigésimo segundo dia da nossa existência esse músculo começa a bater. É o primeiro som, não que escutamos — nós já escutávamos um outro coração, esse coração maior cuja presença reinventaremos durante toda a nossa existência —, mas é o primeiro som que produzimos. Antes da noção da Luz, o nosso corpo aprende a ideia do Tempo. Com vinte e dois dias, aprendemos que essa dança a que chamamos Vida se fará ao compasso de um tambor feito da nossa própria carne.

"Mia Couto, in 'Pensatempos'
Moçambique n. 5 Jul 1955
Escritor/Biólogo

Loumari disse...

A Armadilha da Identidade

A mais perigosa armadilha é aquela que possui a aparência de uma ferramenta de emancipação. Uma dessas ciladas é a ideia de que nós, seres humanos, possuímos uma identidade essencial: somos o que somos porque estamos geneticamente programados. Ser-se mulher, homem, branco, negro, velho ou criança, ser-se doente ou infeliz, tudo isso surge como condição inscrita no ADN. Essas categorias parecem provir apenas da Natureza. A nossa existência resultaria, assim, apenas de uma leitura de um código de bases e nucleótidos.

Esta biologização da identidade é uma capciosa armadilha. Simone de Beauvoir disse: a verdadeira natureza humana é não ter natureza nenhuma. Com isso ela combatia a ideia estereotipada da identidade. Aquilo que somos não é o simples cumprir de um destino programado nos cromossomas, mas a realização de um ser que se constrói em trocas com os outros e com a realidade envolvente.

A imensa felicidade que a escrita me deu foi a de poder viajar por entre categorias existenciais. Na realidade, de pouco vale a leitura se ela não nos fizer transitar de vidas. De pouco vale escrever ou ler se não nos deixarmos dissolver por outras identidades e não reacordarmos em outros corpos, outras vozes.

A questão não é apenas do domínio de técnicas de decifração do alfabeto. Trata-se, sim, de possuirmos instrumentos para sermos felizes. E o segredo é estar disponível para que outras lógicas nos habitem, é visitarmos e sermos visitados por outras sensibilidades. É fácil sermos tolerantes com os que são diferentes. É um pouco mais difícil sermos solidários com os outros. Difícil é sermos outros, difícil mesmo é sermos os outros.

"Mia Couto, in 'E Se Obama Fosse Africano?'
Moçambique n. 5 Jul 1955
Escritor/Biólogo

Loumari disse...

A perda de referências, o medo do anonimato e da solidão tornaram-se, para muitos de nós, uma camisa-de-forças que nos impede de construir uma identidade para além das aparências. Porém, hoje mais do que nunca, o que pode fazer a diferença não é a fama, o sucesso ou o look, são as nossas qualidades humanas e o que soubermos fazer com elas.
(Claudia Freitas)


A capacidade de nos envolvermos com a vida e de sentirmos verdadeiro bem-estar está relacionada com o sentido profundo de identidade. Saber quem somos faz com que nos sintamos bem na nossa pele e com que nos aceitemos verdadeiramente, com defeitos e virtudes.
(Ana Vieira de Castro)


Nascemos originais e corremos o risco de nos irmos transformando em cópias. Provavelmente não estamos habituados a ver-nos como seres únicos e livres e os objectivos exteriores vão-se sobrepondo aos objectivos interiores. Realizarmo-nos na nossa singularidade, enfrentarmos os medos e descobrirmos o que para nós é verdadeiro e essencial, exige um maior grau de consciência e a aceitação da responsabilidade como condição da existência. Mas isso implica percebermos o que nos condiciona, tentarmos libertar-nos dos factores que nos bloqueiam.
(Claudia Freitas)


A identidade não se descobre, constrói-se. Essa é a parte difícil.
(Alexandre Quintanilha)


Nós só podemos ser qualquer coisa a partir do momento em que podemos sentir qualquer coisa. Não se decide de um momento para o outro. Antes de decidirmos ser qualquer coisa, a aprendizagem é muito importante.
(Leonor Silveira)