domingo, 6 de setembro de 2015

Com a palavra Olavo Bilac


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Aileda de Mattos Oliveira

Às vésperas de mais um aniversário da Independência, transcrevo trechos da conferência “A Defesa Nacional”, do poeta e conferencista Olavo Bilac, fundador da Liga da Defesa Nacional, ocorrida em 7 de setembro de 1916, na Biblioteca Nacional, juntamente com os senhores Pedro Lessa e Miguel Calmon.

Sobre os sem pátria.

“Negar a pátria é negar toda a vida social e moral. A pátria é um elo que se liga, intermediariamente, com estes dois outros elos: a família e a humanidade. Negar um dos anéis, é negar os outros. Quem não conhece a ideia da pátria não concebe a do lar, nem a da solidariedade humana. Sem pátria e, portanto, sem família e sem sociedade, o homem anula-se. Que é a pátria?

É a paridade de gostos e de costumes, comunidade de língua, coesão de leis, identidade de condições físicas e morais, comparticipação das mesmas lembranças e das mesmas esperanças.

Quem não compreende nem sente esta tendência e esta necessidade moral não tem alma.”

Sobre a defesa nacional

“Mas a boa e verdadeira defesa deve ser preventiva. Se não há perigos imediatos que nos cerquem, há incontestavelmente perigos latentes, próximos ou remotos, prováveis ou ao menos possíveis, que ameaçam constantemente todas as nacionalidades, ainda as mais sólidas, fortes e armadas: nada é perfeito nem eterno, na contingência da vida humana. Se este dever de defesa é imprescindível para as nacionalidades mais bem organizadas, ‑ mais imperiosas e mais urgentes devem ser a sua consciência e a sua necessidade para o Brasil, país novo, agitado por um confuso e melindroso labor de formação, pobre de trabalho bem encaminhado, pobre de recursos bem explorados, pobre de instrução primária, profissional e cívica, pobre de coesão, pobre de culto patriótico. Rodeiam-nos perigos externos e internos: e todos eles ameaçam a nossa independência e a nossa unidade. Se queremos viver e viver com fartura, liberdade e honra, é necessário que nos defendamos.”

Sobre democracia e instrução

“Não podemos mais perder tempo. Estamos sendo arrastados para a ruína. Defendamo-nos!

É inconcebível a vitória de uma democracia sem a instrução da massa pública. Estabelecemos a República; mas pode viver dignamente uma República, uma pátria republicana, quando a maior parte dos seus filhos seja de analfabetos, e, portanto de inconscientes?”

Para que haja pátria

"Para que haja pátria é necessário que haja unidade e coesão. Quando falamos do Brasil, falamos do Brasil superior a todos os partidos: do Brasil só e puro, essencial e íntegro, abstrato e concreto, sagrado e indiviso: o Brasil acima, além, fora das opiniões individuais ou de facções.”

Conclusão

Embora a destruição do país, justamente por uma facção dos “sem pátria” que abominam a democracia e relegam a último plano a defesa da nossa soberania, não podemos esquecer a data memorável de Sete de Setembro de 1822 e a atitude nobre de D. Pedro I que, sendo português, deu-nos uma lição de desprendimento:  a Independência. Não importam os motivos pessoais ou da política luso-brasileira. O importante é não ter sucumbido ao egocentrismo.


Aileda de Mattos Oliveira é Dr.ª em Língua Portuguesa. Vice-Presidente da Academia Brasileira de Defesa).

Um comentário:

Jorge Barbosa disse...

DIANTE DO TÃO BEM COLOCADO TEXTO, NÃO ME RESTA DIZER OUTRA COISA: FAÇO MINHA AS SUAS PALAVRAS.