domingo, 6 de setembro de 2015

Mãos Políticas


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão

Na Itália, a operação mãos limpas (mani pulite) desvendou uma organização criminosa que é o grande desafio do terceiro milênio - conforme ressaltou o juiz Santacroce em palestra proferida recentemente no Superior Tribunal de Justiça. O ilustre representante do Ministério Público Federal Deltan Dellagnol, cujo excelente trabalho é digno de encômios, apontou que "mensalão" e "petrolão" são a mesma coisa. O que se pretende demonstrar no escrito é o problema crucial da representatividade e da classe política a provocar enorme retrocesso no avanço do País emergente.

Muito provavelmente o longo tempo de autoritarismo não preparou os representantes do povo para o exercício da plena defesa da cidadania, e a grande quantidade de políticos envolvidos em escândalos de corrupção é desoladora. Não há fiscalização, autopoliciamento, e quase todos, ao serem eleitos. já espionam quais serão os próximos obstáculos para fins de cargos. Essa calamidade da representatividade é, sem sombra de dúvida, o principal fator do desarranjo que o País vivencia, com quase meio trilhão pelos ralos da corrupção.

A exemplo da lei anticorrupção, quando empresas pilhadas em graves faltas poderão ser dissolvidas e extintas, o fator é relevante para que a mesma hipótese fosse aplicada às agremiações políticas, nas quais a legenda estivesse a serviço da delinquencia e do cometimento de atos ilícitos.

O Brasil literalmente parou de vez e os políticos do passado que foram condenados a pequenas penas ou beneficiados pela prescrição estão nas fileiras dos escândalos e demais bandalheiras que enojam e envergonham a Pátria amada.

A comemoração do dia da pátria, neste dia 7 de setembro, não poderia ser tão repleta de idealismo, da luta em torno da sociedade civil, e de uma democracia de verdade - não aquela faz de conta, da concentração da riqueza, com programas que desperdiçam o dinheiro público e tornam o orçamento uma conta negativa.

Essa corrupção sistêmica muito bem definida pelo magistrado Sérgio Moro permeou ao longo dos anos inúmeras e diversas instituições, e a desculpa esfarrada que se lança na delação premiada é que todos faziam o mesmo, e para não se perder uma licitação, algum contrato administrativo, é melhor partilhar alguma propina a fim de que ocorra a blindagem com a proteção de algum político que indica ou escolhe o diretor dentro da empresa.

Portugal vive idêntica crise. Entre o Brasil e aquela nação muitas coincidências. O ex primeiro Ministro preso, agora está em prisão domiciliar por envolvimento com favorecimentos de empresas de construção e um patrimônio totalmente antagônico aos seus rendimentos.

Caberia, assim, a indagação: o nosso grande problema teria acontecido há mais de 500 anos? Verdade seja dita: praticou-se uma colonização repleta de problemas que transforma Brasil, Portugal e nações africanas em grandes países na liderança da corrupção.

E a fenomenologia não pode ser responsável pela queda do produto interno bruto, da recessão, ou falta de apetite dos empresários de criar, gerar
novos negócios ou empregos. A situação é bastante incomum com desconfianças e farpas de todos os lados, o chamado fogo amigo, mas o que precisamos entender é que a democracia exercida no interesse da soberania do povo jamais existiu.

A mescla mensalão e petrolão é um exemplo que também espalha seus efeitos para o modelo eleitoral, das urnas eletrônicas, do canhestro voto obrigatório e mais de perto financiamento de campanha. As grandes construtoras que se embrenham em depositar milhões não o fazem com os olhos voltados para o bem comum, mas apenas para o próprio umbigo de conseguir obras e serviços que superem em milhares de vezes a pequena contribuição em favor de candidatos.

Esse modelo falido e não representativo deve ser extinto e banido do mapa, mediante o recall do candidato que não exerce bem seu mandato, deixando de cumprir o que se comprometeu ao longo da campanha. E pasmem: se os tribunais eleitorais apertarem e fiscalizarem com rigor, necessitaremos ter novas eleições, pois poucos ou quase ninguém seria aprovado na prestação transparente, com lisura, de suas contas.

O Brasil está sendo passado a limpo. A população sente na pele os descaminhos que nos envolveram na pior crise do século XXI, e apenas gestos firmes e solidários serão capazes de abrir flancos e fileiras rumo à reconstrução da democracia.

A balela de mais de 30 partidos políticos muito colabora com o que temos: candidatos despreparados, semi ou completamente analfabetos,
os quais sequer sabem ou procuram cogitar o que incumbe ao poder legislativo.

Turbulências são sempre provas e desafios que nos fazem mudar e desejar que o País não afunde em seus erros do passado e do presente. Mas enquanto persistirmos com o clientelismo, troca-troca entre empresas e políticos, propina correndo solta, e favores pessoais, continuaremos na situação de País emergente, com chances de perdermos o grau de investimento, por meio de um mercado de capitais anão e com nossa economia no eterno seu voo de galinha.

Redesenhar o modelo político, fim da reeleição, do financiamento de campanha, do voto obrigatório, adoção da impressão do voto eletrônico, e, acima de tudo, o grau máximo de patriotismo, do mais humilde ao mais rico de todos os brasileiros, são o único caminho para o salvamento da Nação que completa mais um dia de "independência".

Por isso, todos os cidadãos de bem estão com o grito engasgado e ritmado por um Brasil melhor, digno, decente, com moralidade e ética nas empresas e na reconstrução de sólidos pavimentos destinados às novas gerações.


Carlos Henrique Abrão, Doutor em Direito pela USP com Especialização em Paris, é Desembargador no Tribunal de Justiça de São Paulo.

4 comentários:

Anônimo disse...

No Brasil a máfia ainda é do século vinte, onde autoridades principalmente desembargadores e políticos, comandam o narcotráfico, contrabando, jogos ilegais e outros crimes um molhando a mão do outro, na maioria todos maçons... É PRECISO CRIAR URGENTE UMA POLICIA ESPECIALIZADA NESSES CRIMES PRATICADOS POR ESSES CRIMINOSOS DE TOGA...

Anônimo disse...

você anônimo é o maior bandido que chefia quadrilhas e tenta passar a imagem de santinho do paoco,está em regime semi aberto e muitas vezes foi pego na boca de fumo e tenta comparar outros a você que é desqualificado e um verme da patria

Martim Berto Fuchs disse...

"o fator é relevante para que a mesma hipótese fosse aplicada às agremiações políticas,"

Pode fechar logo todas elas. Fora os beneficiados diretos, ninguém vai sentir falta.

http://capitalismo-social.blogspot.com.br/

Anônimo disse...

O ANONIMO DAS 8.55, PENSA QUE TODO MUNDO É A SUA GENITORA JÁ QUE O PAI NÃO FOI APRESENTADO... OS CORDÃO DOS PUXA SACO CADA VEZ ALMENTA MAIS...