quarta-feira, 16 de setembro de 2015

O Bolão do Petrolão


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Para embolar ainda mais o “meio de campo” da salobrás, contrataram um engavetador profissional, que está armando algo nefando.

O chefe licenciado, ouviu o conselho do antigo ditado: “Ao ver um lobo entrar numa quitanda a comprar cenoura, fique esperto porque há coelho por perto!”

Mais vale quem se afasta porque já, já a bomba estoura com gente tão nefasta.

Abre-se o tempo de apostas: ganha o gambá ou os de sempre bostas?

Os que tentaram encobrir malfeitos com tanto zelo ficarão contentes em salvar o próprio pelo.

O grande chefe, o ornitorrinco, agora dedica-se a escapar com afinco.
Mamífero (como boi ladrão que sempre foi), pele de lobo e bico de pato, vê descoberto na tuba seu gato.

“Bingo! Da pinga mais nenhum pingo!” Pior é enfrentar sóbrio, de toda gente honesta o opróbrio.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

5 comentários:

Loumari disse...

O Homem Materializou-se e Corrompeu-se

Que tem feito a sociedade há três séculos a favor da parte moral do homem? Nada, querer iluminar o homem, tirar-lhe ilusões. E tiradas essas ilusões, que sucedeu? O homem materializou-se, e a sociedade corrompeu-se. Vejamos que progressos materiais obtivemos nesses três séculos: obtivemos as aplicações do vapor, a química fêz passos de gigante, as ciências naturais chegaram quási à perfeição, os resultados científicos e artísticos simplificaram-se, inventou-se o galvanismo, o telégrafo eléctrico, a fotografia, desapareceram as distâncias, o comércio reina dominador sôbre todos, somos engolfados em prosperidade material, e ao mesmo tempo somos muito infelizes.

Dom Pedro V, in 'Escritos de El-Rei D.Pedro V'
Portugal 16 Set 1837 // 11 Nov 1861
Rei de Portugal (1853-1861)

Loumari disse...

O Egoísta Homem Moderno

Um dos problemas mais complicados e mais difíceis dos nossos dias, o de encaminhar para um fim benéfico e utilitário, para o bem real da nossa sociedade, essa exuberância espantosa de prosperidade material, que muito é de temer não materialize excessivamente o espírito popular e não o lance na via de uma ambição desenfreada e subversiva. Esta questão considero-a como a única séria e vital que hoje resta resolver satisfatoriamente, porque a sua resolução é que há-de dizer a razão por que nós gozamos dos incalculáveis benefícios do vapor e das suas aplicações e do telégrafo eléctrico; porque é dela que depende a sorte futura da nossa sociedade, e essa resolução é tanto mais difícil que ela não pode ser a obra da violência, por isso que a violência apressaria o termo fatal do desengano sem que a sociedade estivesse suficientemente preparada para um choque tão violento, e tornaria sangüinária uma revolução que, longe de dever ser um cataclismo para a sociedade, deverá executar-se brandamente. O governo, que deve saber dirigir a verdadeira opinião pública, pode pela sua acção sobre a instrução das classes laboriosas ensinar-lhes a sua posição futura na sociedade e destruir as ambições desenfreadas dos pretendidos amigos do povo... No mundo material o homem para assim dizer é condenado ao progresso. Infelizmente a parte moral do homem pela falta de educação moral e religiosa tem decaído muito desde que as faculdades em que o seu egoísmo tem mais ocasião de se desenvolver tem alargado a sua esfera de acção.

"Dom Pedro V, in 'Escritos de El-Rei D. Pedro V'
Portugal 16 Set 1837 // 11 Nov 1861
Rei de Portugal (1853-1861)

Loumari disse...

Hoje já não é o homem que comanda o progresso - é o progresso que o puxa, o subjuga, o escraviza.
(José Antonio Saraiva)


O divórcio entre o progresso e as pessoas, a impossibilidade que a maioria já mostra para o acompanhar, alheando-se da realidade, será um sinal de que está perto o dia em que já não será possível acelerar mais. Para uns será o Apocalipse; para outros simplesmente o início de uma nova era.
(José Antonio Saraiva)

Loumari disse...

Fomos Vítimas de uma Ilusão

Não creio que tenhamos falhado. Fomos vítimas de uma ilusão que não foi só nossa, a de que Portugal fosse capaz de arrancar-se à «tristeza vil e apagada» em que mais ou menos sempre tem vivido. Imaginámos que seria possível tornarmo-nos melhores do que éramos, e foi tanto maior o tamanho da decepção quanto era imensa a esperança. Ficou a democracia, dizem-nos. A democracia pode ser muito, pouco ou quase nada. Escolha cada qual o que lhe pareça corresponder melhor à situação do país...

"José Saramago, in 'Cadernos de Lanzarote (1994)'
Portugal 16 Nov 1922 // 18 Jun 2010
Escritor [Nobel 1998]

Loumari disse...

A pessoa deve desenvolver-se no seu ser físico - também é preciso cuidar da saúde, por exemplo -, no seu ser intelectual - é preciso esforçar-se por entender a realidade, entender-se a si mesmo e a sociedade -, no seu ser emocional - cada vez estamos mais despertos para a importância das emoções positivas e negativas na existência humana -, no seu ser social - os outros também existem e sem tu não há eu -, no seu ser artístico - sem beleza, não há salvação -, no seu ser moral - é preciso aprender a distinguir entre bem e mal e a saber julgar do bem e do mal - no seu ser espiritual - não é o Homem, constitutivamente, o ser do transcendimento sem fim, até ao Infinito?
(Anselmo Borges)


Os homens sempre se mataram uns aos outros, perseguiram e roubaram. Mas precisaram de falar em nome dum deus, da raça perfeita ou duma sociedade perfeita para programarem o extermínio de povos ou grupos sociais determinados.
(Helana Matos)


Que cada homem resolva assumir-se como um ser realmente pacífico, de facto igual em essência aos outros seres, a quem respeite as diferenças, e com quem se assuma solidário. Até que cada um, em vez de exigir, faça. Até que cada um, em vez de pedir, dê. Até que cada um, em vez de prometer, cumpra. Até que cada um, em vez de apregoar, se assuma. Se assuma como real partícula do todo ou, para aqueles que assim preferirem, de Deus.
(Luís Portela)