domingo, 13 de setembro de 2015

O Império da Ignorância


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Olavo de Carvalho

Vamos falar o português claro: Aquele que não dá o melhor de si para adquirir conhecimento e aprimorar-se intelectualmente não tem nenhum direito de opinar em público sobre o que quer que seja. Nem sua fé religiosa, nem suas virtudes morais, se existem, nem os cargos que porventura ocupe, nem o prestígio de que talvez desfrute em tais ou quais ambientes lhe conferem esse direito.

Discussão pública não é mera troca de opiniões pessoais, nem torneio de auto-imagens embelezadas: é eminentemente intercâmbio de altos valores culturais válidos para toda uma comunidade humana considerada na totalidade da sua herança histórica e não só num momento e lugar. O direito de cada um à atenção pública é proporcional ao seu esforço de dialogar com essa herança, de falar em nome dela e de lhe acrescentar, com as palavras que dirige à audiência, alguma contribuição significativa. O resto, por "bem intencionado" que pareça, é presunção vaidosa e vigarice. Todos os males do Brasil provêm da ignorância desses princípios.

Políticos, empresários, juízes, generais e clérigos incultos, desprezadores do conhecimento e usurpadores do seu prestígio, são os culpados de tudo o que está acontecendo de mau neste país, e que, se esses charlatães não forem expelidos da vida pública, continuarão aumentando, com ou sem PT, com ou sem "impeachment", com ou sem "intervenção militar", com ou sem Smartmatic, com ou sem Mensalão e Petrolão. Desprezo pelo conhecimento e amor à fama que dele usurpa mediante o uso de chavões e macaquices são os pecados originais da "classe falante" no Brasil.

Só o homem de cultura pode julgar as coisas na escala da humanidade, da História, da civilização. Os outros seguem apenas a moda do momento, criada ela própria por jornalistas incultos e professores analfabetos, e destinada a desfazer-se em pó à primeira mudança da direção do vento. A cultura pessoal é a condição primeira e indispensável do julgamento objetivo. A incultura aprisiona as almas na subjetividade do grupo, a forma mais extrema do provincianismo mental.

Vou lhes dar alguns exemplos de desastres nacionais causados diretamente pela incultura dos personagens envolvidos.

Só pessoas prodigiosamente incultas podem ter alguma dificuldade de compreender que uma eleição presidencial com apuração secreta, sem transparência nenhuma, é inválida em si mesma, independentemente de fraudes pontuais terem ocorrido ou não. O número de jumentos togados e cretinos de cinco estrelas que, mesmo opondo-se ao governo, raciocinam segundo a premissa de que a Sra. Dilma Rousseff foi eleita democraticamente em eleições legítimas, premissa que lhes parece tão auto-evidente que não precisa sequer ser discutida, basta para mostrar que o estado de calamidade política e econômica em que se encontra o país vem precedido de uma calamidade intelectual indescritível, abjeta, inaceitável sob todos os aspectos.

Quando na década de 90 os militares aceitaram e até pediram a criação do “Ministério da Defesa”, foi sob a alegação de que nas grandes democracias era assim, de que só republiquetas tinham ministérios militares. Respondi várias vezes que isso era raciocinar com base no desejo de fazer boa figura, e não no exame sério da situação local, onde a criação desse órgão maldito só serviria para aumentar o poder dos comunistas.

Mil vezes o Brasil já pagou caro pela mania de macaquear as bonitezas estrangeiras em vez de fazer o que a situação objetiva exige. Esse caso foi só mais um da longa série. Mesmo agora, quando a minha previsão se cumpriu da maneira mais patente e ostensiva, ainda não apareceu nenhum militar honrado o bastante para confessar sua incapacidade de relacionar a estrutura administrativa do Estado com a disputa política substantiva.

Continuam teimando que a idéia foi boa, apenas, infelizmente, estragada pelo advento dos comunistas ao poder – como se uma coisa não tivesse nada a ver com a outra, como se fosse tudo uma soma fortuita de coincidências, como se a demolição do prestígio militar não fosse um item constante e fundamental da política esquerdista no país e como se, já no governo FHC, a criação do Ministério não fosse concebida como um santo remédio, com aparência legalíssima, para quebrar a espinha dos militares.

Um dos traços mais característicos da incultura brasileira, já assinalado por escritores e cientistas políticos desde a fundação da República pelo menos, é a subserviência mecânica a modelos estrangeiros copiados sem nenhum critério.

Numa sociedade culturalmente atrofiada, a coisa mais inevitável é que todas as correntes de opinião que aparecem na discussão pública sejam apenas cópias ou reflexos de modelos impostos, desde o exterior, por lobbies e grupos de pressão que têm seus próprios objetivos globais e não estão nem um pouco interessados no bem-estar do nosso povo. Cada “formador de opinião” é aí um boneco de ventríloquo, repetidor de slogans e chavões que não traduzem em nada os problemas reais do país e que, no fim das contas, só servem para aumentar prodigiosamente a confusão mental reinante.

Como é possível que, num país onde cinqüenta por cento dos universitários são  reconhecidamente analfabetos funcionais e os alunos dos cursos secundários tiram sistematicamente os últimos lugares nos testes internacionais, o currículo acadêmico de um professor continue sendo aceito como prova inquestionável de competência? Não deveria ser justamente o oposto?

Não deveria ser um indício quase infalível de que, ressalvadas umas poucas exceções, o portador dessa folha de realizações é muito provavelmente, por média estatística, apenas um incompetente protegido por interesses corporativos? Terá sido revogado o “pelos frutos os conhecereis”? A interproteção mafiosa de carreiristas semi-analfabetos unidos por ambições grupais e partidárias tornou-se critério de qualificação intelectual?

Não é mesmo um sinal, já não digo de mera incultura, mas de positiva debilidade mental, que os mesmos apologistas do establishment universitário fossem os primeiros a apontar como mérito imarcessível do candidato Luís Ignácio Lula da Silva, em duas eleições, a sua total carência de quaisquer estudos formais ou informais? Não chegava a prodigiosa incultura do personagem a ser louvada como sinal de alguma sabedoria infusa?

Todo sujeito que, à exigência de conhecimento, opõe o louvor evangélico aos “simples”, é um charlatão. Jesus prometeu aos “simples” um lugar no paraíso, não um palanque ou uma cátedra na Terra.


Olavo de Carvalho é Jornalista e Filósofo. Publicado no Diário do Comércio em 11 de setembro de 2015 e na página dele: http://olavodecarvalho.org

5 comentários:

Loumari disse...

Tout simplement MAGNIFIQUE!!!
Je tire mon chapeau.

Estéfani JOSÉ Agoston disse...

O viço cultural do filósofo Olavo de Carvalho diminuiu mais uma vez, hoje especialmente quando ou por ignorãncia ou por má fé afirma que Luis Inácio Lulla da Sillva é inculto, com a afirmação..."a sua total carência de quaisquer estudos formais ou informais?..." pois primeiro, Lulla não é analfabeto e tendo cursado o Senai obrigatoriamente teria ao menos a conclusão do Ensino Fundamental, que é "estudo formal"; mas não só ai errou o guru de muitos, mas quando omite talvez de má fé, que Lulla estudou nos USA em Universidade às expensas do governo brasileiro pelas mãos dos gal Geisel e Golbery, patrocinado também pela Fundação Rockfeller e a AFL-CIO.

"Olavão" não é ignorante, é um filósofo com muitos livros publicados, com amplo acesso a informações, muitas mais do que aquelas que consigo, portanto só posso considerar que hajam motivos ocultos para tal ação dele, "Olavão", o primeiro dos quais penso que seja má fé, pois de alguma forma pela religião que segue, há um vínculo com os patronos religiosos de Lulla, do PT, a padralhada, a Igreja Católica. O segundo, é que omitindo tal fato incontestável em decorrência não analisa o porque um sujeito que estudou em Universidade norte americana, viajado, conhecendo centenas de pessoas ilústres, intelectuais, vive mergulhado na corrupção, criminalidade e mesmo assim ainda recebe suporte internacional de lentes de Universidades, governos.

"Olavão" ainda patina em uma questão delicada, aquela de afirmar que Lulla, Dillma e PT em massa, patrocinam a ascenção de um regime comunista aqui no Brasil e na América do Sul, quando sabemos que mesmo em Rússia e China, o comunismo já morreu de morte matada, não existe mais pois não é factivel de existência a não ser no campo intectual, deixando portanto de analisar as verdadeiras intenções desses quadrilheiros, para onde pretendem levar as nações?

Loumari disse...

O comentarista aqui, falou, falou, falou, para fim ao cabo não dizer absolutamente NADA! Mesmo DEPLORÁVEL!

Como bem disse o sábio filósofo brasileiro Marquês Maricá:
(Os que falam em matérias que não entendem parecem fazer gala da sua própria ignorância. )

Anônimo disse...

Olavo é um dos maiores brasileiros, por seu saber e sua dedicação aos interesses de seu país. Auto exilado do Brasil, para melhor servi-lo, porque aqui ninguém da valor ao estudo e ao conhecimento. Agradeço professor Olavo, em nome do povo brasileiro, sua dedicação e suas reflexões.

Anônimo disse...

O QUE ESTE CALHORDA TEM É O REI NA BARRIGA,NÃO SABE O QUE É A VIDA É UM GRANDE ESTELIONATARIO QUE NÃO ENXERGA UM PALMO DIANTE DO NARIZ, A INCOMPETENCIA É A SUA MARCA REGISTRADA, E TUDO O QUE TEM LHE VEIO DE GRAÇA... VAI COMENDO PAPUDO, BODE FEDORENTO...