sexta-feira, 11 de setembro de 2015

O Movimento de Libertação dos Sem Terra - MLST


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O MLST é ainda nanico, mas o que chama a atenção é o ritmo de seu crescimento.

Segundo levantamento divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, já são 71 os grupos de sem-terra que, à semelhança do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), agitam a bandeira de reforma no campo. O MST, o mais visível e o que mais radicaliza, parece ter encontrado um concorrente no quesito radicalização, que é o Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST).

O MLST foi constituído em 21/23 de agosto de 1997, em Luiziânia, Goiás, por Bruno Costa de Albuquerque Maranhão (principal dirigente do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), do qual foi um dos fundadores, em 1967, juntamente com Mario Alves, Jacob Gorender, Apolônio de Carvalho e outros, como Manoel da Conceição Santos, ex-dirigente da Ação Popular). Na ocasião, o MLST foi denominado “um projeto político e social”, com o lema “ocupar, resistir e viver feliz” e foi aprovado um documento intitulado “MLST – Rompendo Cercas, Construindo a Liberdade”. O MLST nasceu como uma extensão – ou braço armado – do PCBR na área rural.

O PCBR, por sua vez, edita trimestralmente a revista “Brasil Revolucionário” que se intitula uma publicação do “Instituto de Estudos Políticos Mario Alves”, que funciona na praça Franklin Roosevelt 695, São Paulo, SP. O PCBR atua dentro do Partido dos Trabalhadores através do nome fantasia de “Tendência Brasil Socialista” e Bruno Costa de Albuquerque Maranhão é membro da Comissão Executiva Nacional do “novo PT”, eleita em outubro de 2005, ocupando o cargo de dirigente da Secretaria de Movimentos Populares. 

Bruno Costa de Albuquerque Maranhão não é um camponês ou um agricultor. É formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Pernambuco. É filho de um usineiro e mandou seus filhos estudarem nos EUA, na época em que eram adolescentes. Durante a luta armada exilou-se e passou a viver em Paris, juntamente com sua esposa, Suzana Helena de Brito Maranhão, que foi ou ainda é presidente do Centro de Informação da Mulher. Nessa condição, em novembro de 2002 participou do XII Congresso da Federação Democrática Internacional de Mulheres – organização remanescente do Movimento Comunista Internacional -, realizado em Beirute, Líbano.

O MSLT nasceu organizado, com cerca de 100 assentamentos em 8 Estados: BA, MA, RN PE, SP, GO, MG e RS. Posteriormente foi organizado também no Tocantins e teria, segundo o MLST, a participação de 50 mil famílias.

Apenas durante o ano de 2005, foram as seguintes as principais “ações” do MLST em favor da reforma agrária:

- em 30 de março, bloqueio de duas rodovias federais em Pernambuco e uma em Alagoas, em protesto contra a política econômica do governo. Portando foices, facões e faixas, os sem-terra ocuparam os dois sentidos das rodovias e anunciaram que só sairiam do local com a presença de um representante do INCRA. Nesse mesmo dia, em Goiânia, cerca de 300 pessoas invadiram a sede do INCRA; 

- no Maranhão e no Tocantins prédios do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) foram invadidos por vários dias em 28 de março;

- em 14 de abril, um grupo de cerca de 1.200 integrantes do MLST invadiu o prédio do Ministério da Fazenda, em Brasília, exigindo ser recebidos pelo ministro (que estava viajando) do Desenvolvimento Agrário e pelo Palácio do Planalto, gritando palavras-de-ordem como “arroz, feijão, saúde e educação” e “arroz, feijão, Palocci é um ladrão”.Só vamos sair quando formos recebidos”, declarou o sem-terra Antonio Arruti, um dos coordenadores do MLST. Os manifestantes ocuparam a Secretaria do Tesouro Nacional, no 2º andar e o gabinete do ministro, no 5º andar.

Uma Comissão de representantes do Ministério da Fazenda foi constituída para “dialogar” com o MLST e discutir as suas reivindicações. São reivindicações do MLST, entre outras: mais dinheiro para a reforma agrária, anistia das dívidas anteriores e reestruturação do INCRA. 

Segundo matéria da revista Veja de 20 de abril de 2005, de autoria de Policarpo Junior, “O que se viu na Esplanada dos Ministérios é banditismo, que merece uma reação do governo. O vandalismo dos sem-terra é uma violação da ordem constitucional do país, além, é claro, de um ultraje simbólico de tratar o mais importante ministério da República, guardião da moeda, do Tesouro e do Orçamento do país, como se fosse um botequim de beira de estrada (...). As imagens da invasão são grotescas. Os sem-terra ocuparam o saguão térreo do ministério e, aos poucos, subindo pelas escadas de incêndio, tomaram outros andares. Espicharam-se em poltronas e sofás, deitaram-se pelos corredores. No melhor momento do vandalismo, eles socavam as paredes produzindo estrondos que embalavam o refrão ‘arroz, feijão, Palocci é ladrão’ (...) Ao saírem, quase 7 horas depois, deixaram o ministério virado numa pocilga, com papéis, garrafas plásticas e restos de comida pelo chão”;

- em 16 de abril, Bruno Costa de Albuquerque Maranhão comparou a ação do MLST no Ministério da Fazenda, ao Movimento Zapatista, do México: “Somos os zapatistas do Brasil. Tentamos fazer uma ação ao estilo zapatista; uma ação inédita para chamar a atenção para uma causa legítima” (O Globo, 16 de abril de 2005);

- em 9 de julho, no momento em que um líder do MST chamava o ministro Palocci de “panaca” e ameaçava reeditar o “abril vermelho”, o presidente Lula reuniu-se por duas horas com 14 lideranças do MLST, vestiu o boné e levantou a bandeira do grupo, que acabara de receber 9 milhões de reais do governo federal. Há um ano, em 2 de julho de 2004, ao receber militantes do MST no Palácio do Planalto, o presidente também vestiu o boné do MST e, meses depois, repetiu o gesto em um assentamento. As lideranças do MLST deixaram o Palácio do Planalto exibindo uma foto oficial do Presidente da República e com seus bonés autografados por ele.

O MST já pode ser considerado um Estado à parte, dentro do Estado brasileiro, promovendo atos de banditismo, como saques a caminhões nas estradas, ocupação de prédios públicos, fazendas e agências bancárias, onde tomam pessoas como reféns, bem como postos de pedágios, tudo isso sob as vistas complacentes do governo federal e das polícias estaduais. Isso é tornado possível graças aos recursos recebidos do governo federal, de ONGs estrangeiras – Brot für die Welt, Misereor, Vaslenktie-Cebeno e outras) e governos estrangeiros.

Na recente CPI da Terra, na Câmara dos Deputados, concluída em novembro de 2005, essas atividades do MST foram consideradas “atos de terrorismo e crimes hediondos”. E ficou tudo por isso mesmo...

O Movimento de Libertação dos Sem-Terra trilha esse mesmo caminho face à leniência com que é tratado pelos governos do PT, que “não roubam e não deixam roubar” e que foram eleitos para moralizar os costumes “deztepaís”, segundo a propaganda do partido, paga por nós.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

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