terça-feira, 8 de setembro de 2015

Obrigado, Príncipe D. Pedro


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Ricardo da Rocha Paiva

Nosso Príncipe nasceu em Portugal. Uma criança chegada ao Brasil, ainda com nove para dez anos, que se deixaria dominar pelo amor a esta terrabravia, cheia de encantos mil, de natureza tropical, rica, fagueira e paradisíaca. Nosso Príncipe, com o passar dos anos, desenvolveu caráter forte,eu diria tempestuoso, onde se mesclavam a indolência, a falta de escrúpulos,mas, também, uma coragem sem limites.

Nossa alteza, alertado pelo pai, sabia que sua terra morena, mais cedo ou mais tarde, faria sua independência e ele teria que estar à frente dos acontecimentos. Os sinais estavam sendo dados, os brasileiros o queriam como seu libertador. Eis que, em São Paulo, às margens do Ipiranga, mensageiros lhe fazem chegar notícias preocupantes da metrópole portuguesa, desejosa de manter o domínio ultramarino sob sua autoridade despótica. O jovem vê que é chegada a sua hora, que foi também a nossa.

Muitos não acreditam, mas, para os verdadeiros brasileiros que amam essa terra acima de tudo, ele proclamou, alto e bom som, desembainhando sua espada, já sob escolta de seus DRAGÕES: “Laços fora, soldados! Pelo meu sangue, pela minha honra, juro fazer a liberdade do Brasil. Independência ou morte! ”

Hoje nosso primeiro imperador não é mais cantado em prosa e verso na grande maioria das escolas deste Brasil. Apenas uma imagem deletéria se deixa passar para a juventude, nada mais nada menos do que a de um homem cheio de vícios,dominado pelas paixões, boêmio contumaz, como se isso não fosse comum entre a politicalha republicana que passou a dominar o País após uma lamentável proclamação de república, diga-se de passagem, o único desserviço prestado pelo Exército à nação.

Mas nosso imperador, apesar destes defeitos graves, jamais, pode ser acusado de falta de amor por esta terra. Com perfeita noção de que havia chegado a seu momento, em 1831, por um ato de grandeza, não titubeou em abdicar. Aqui, como seu pai o fizera, deixaria seu filho, este ao cuidado de brasileiro patriota e competente que indicaria para o futuro imperador o caminho de honra e glória, aquele que seria palmilhado ao longo de todo o 2º Império.

Não, em absoluto, não se pode deixar sem correção estas injustiças que se fazem ao nosso D. Pedro I. Há que se "dar a César o que é de César" ao soberano que, mesmo deixando o Brasil, ainda foi capaz de invadir Portugal à frente de um exército em 1834, para se envolver em conflito numa escala muito maior, que envolveu toda a península ibérica numa luta em que, vitorioso, liderou liberais contra aqueles que procuravam o retorno ao absolutismo.

A morte alcançaria nosso libertador, vitimado pela tuberculose, ainda em 24 de outubro de 1834. É de se perguntar porque os americanos não defenestram as memórias de um Kennedy ou mesmo de um Clinton, por certo, tão ou mais vulneráveis do que o nosso Príncipe às paixões humanas. Por certo, o patriotismo dos dois norte-americanos pese muito mais na balança do que os seus desvios de conduta.

De qualquer forma, muito obrigado meu Príncipe. Seu legado imperial, por certo, significa muito mais do que o estorno republicano, máxime o que vivenciamos desde 1985.
 
Paulo Ricardo da Rocha Paiva é Coronel de Infantaria e Estado-Maior.

4 comentários:

Loumari disse...


A liberdade não consiste em fazer tudo o que se quer, quando isso agride os outros. Mesmo que aquilo que agride os outros seja, para nós, perfeitamente aceitável. Só os ignorantes é que acham que a liberdade é fácil de gerir.
(Miguel Sousa Tavares)

Luiz Oliveira disse...

Excelente artigo Coronel. Fico feliz em ver que militares como vossa senhoria reconhecem que foi um brutal erro o golpe republicano de 1889, que apeou do governo o maior Estadista que o Brasil já teve, para dar lugar a um regime republicano tirânico já em seu nascedouro, que matou milhares de sertanejos pobres em Canudos, que queriam a volta de D. Pedro II. Não apenas isto, o regime republicano implantado com o golpe de Deodoro, desencaminhou o Brasil do seu grande destino, abrindo caminho para uma sucessão de governos ineptos, incapazes e corruptos, como é o caso do molusco e da mandioca sapiens. Mas é tempo do Exército se redimir desta infâmia, restaurando a monarquia no Brasil.

Loumari disse...

Em poucas décadas estaremos reduzidos à inteligência, ou seja à caridade de outras nações, pelo que é ridículo continuar a falar de independência nacional.

Para uma nação que estava a caminho de se transformar numa Suíça, o golpe de Estado foi o princípio do fim.

Resta o Sol, o Turismo e o servilismo de bandeja, a pobreza crónica e a emigração em massa.
"Veremos alçados ao Poder analfabetos, meninos mimados, escroques de toda a espécie que conhecemos de longa data.
A maioria não servia para criados de quarto e chegaram a presidentes de câmara, deputados, administradores, ministros e até presidentes da Republica."
(Marcelo Caetano)

Luiz Carlos Jr disse...

perdão, mas a ilusória visão de que ele foi nosso libertador é bastante contestavel, pois ha de lembrar que após a 'libertação da nação' o mesmo retornou ao berço de ouro em Portugal.
Logo para ser bem recebido como foi, a jogada politica é obvia, pois o povo que aqui vivia na época estava em vias de caos e explosão pela exploração, escravatura e etc...sendo a opção mais obvia a ilusão da libertação do povo, mantendo Portugal no comando e continuando a usufruir livremente do nosso pais... depois veio a tal princesa isabel com a liberdade dos escravos... outra jogada pura, pois os senhores feudais já não estavam mais conseguindo manter o controle dos escravos e eles precisavam ser amansados... entre outras tantas coisas neste país...
mas acreditem no que quiserem, so acho que toda afirmação precisa de embasamento e bastante pesquisa.