quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Carrega Brasil


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant'Ana

"Como seria se, no Brasil, pudéssemos ir de trem a qualquer lugar? Segurança, conforto, baixo custo e uma certa magia que só uma viagem de trem proporciona." Essas cogitações aparecem de vez em quando.

De repente, fiquei até constrangido por pensar nisso. Por quê? Uma tão legítima expectativa de bem-estar pareceu, embora não o seja, um capricho bobo diante dum fato bem mais significativo: o padecimento de quem planta e alimenta a nação.

Eis a notícia do jornal: "Brasil gasta quatro vezes mais que Argentina e EUA com frete da produção". Entre outras coisas, falta trem no país. Sim, o agronegócio, o setor produtivo que está "salvando a pátria" padece com a precariedade da logística. O sujeito planta soja, milho ou o que seja, faz um esforço danado, aprimora técnicas, aumenta o volume de grãos por hectare plantada, faz que, na crise, a balança comercial do país não seja um fracasso completo.

E na hora de exportar o produto, é duramente penalizado: acaba gastando no transporte quatro vezes mais do que o seu concorrente da Argentina e EUA, seja por mandar tudo de caminhão (na falta de trens e navios), seja porque o porto mais próximo está muito longe. (Vá saber o quanto sofrem outros setores da economia.)

Explicação? Simples. Quando foi que vimos o governo priorizar a infraestrutura do país? Estradas, ferrovias, hidrovias, portos e silos para estocar a produção, eis apenas alguns itens de infraestrutura que animariam a paixão de qualquer governo sério.

Em vez de um projeto de país, porém, o que se vê é um discurso salvacionista, pura demagogia: "o pobre está comendo mais", ou "o filho do pobre entra na universidade", ou "o filho do negro está podendo estudar como o filho do branco" e tantos outros clichês que militantes repetem como bonecos de corda. E será possível ser contra o socorro aos mais necessitados? A questão é o critério para fazê-lo!

O resultado só não vê quem não quer. Deu com os burros n'água a estratégia lulo-petista de estimular o consumo e aumentar a demanda interna, como se isso gerasse riqueza (e Lula quer repetir, o que é motivo para estar atacando Joaquim Levy). A ideia fixa de distribuir, somada ao o desleixo com a produção, deu nisto: o governo já não tem donde tirar para socorrer os que necessitam.

E vai pedalada. E Lula justifica as pedaladas, dizendo que foram para pagar o "bolsa", o "minha casa", essas coisas. E pensar que tudo começa com a obsessão de empobrecer os ricos! (Menos empreiteiros e banqueiros, claro, que esses financiam o projeto de poder...) No fim das contas, todos saem perdendo. Óbvio, os mais pobres perdem mais.

Estou apontando só um tópico: infraestrutura para otimizar a produção, estabilizar a economia e gerar emprego. Isso poderia fazer muito beneficiário de "bolsa" arranjar trabalho e ficar independente. Será que interessa ao "projeto de poder"? Deliberadamente, não vou comentar o fato de que o governo que negligenciou a infraestrutura nacional ajudou a construir porto, metrô, aeroporto, hidrelétrica em países estrangeiros, quer dizer, infraestrutura - aliás, sempre favorecendo regimes autoritários.

Está mais do que na hora do brasileiro deixar de ser pateta e parar com aquela babaquice de dizer: "político é tudo igual". Certamente não existe político perfeito. Pode ser mesmo que todos sejam egoístas, no que não serão diferentes da maioria do povo.

Mas é possível, sim, identificar políticos que se importam com a infraestrutura do país e os políticos que dão uma banana para esse tipo de coisa. Não, político não é tudo igual! Afirmar o contrário é gol contra. E é, exatamente, a diferença entre uns e outros que deveria definir nosso voto, nosso apoio.


Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.

Um comentário:

Anônimo disse...

Decidir que "político é tudo igual" é uma maneira de pensar preguiçosa e egoísta. Precisamos identificar as propostas prestando muita atenção no discurso. Cuidado com palavreado populista.