terça-feira, 20 de outubro de 2015

Chinelo Velho


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Pedro Luís de Araújo Braga

É possível que os que pertencem às gerações Woodstock, Facebook, e Selfie estranhem este título, o qual, aparentemente, nada tem a ver com o tema desta campanha. É que, fazendo eles uso apenas de sandálias havaianas ou chinelos de dedo, não estão familiarizados com aquele calçado doméstico, bastante desgastado, extremamente cômodo e confortável, quase pedindo aposentadoria, do qual seus donos não queriam desfazer-se.

Mas tal expressão, conforme já devem ter percebido, traz em si um certo quê de saudosismo. Sim, lembranças de uma época que não volta mais, quando o povo era feliz e não sabia...

Olho para trás, recordando-me do distante tempo de minha infância. Nas Escolas Públicas que frequentei – e como eram boas, tendo professoras vocacionadas, competentes, pedagogas, que não faziam greve, todas oriundas do tradicional Instituto de Educação ou Escola Normal, da Rua Mariz e Barros, no Rio de Janeiro – diariamente no turno da manhã, antes da entrada para as salas de aula, assistíamos reverentemente o hasteamento do Pavilhão Nacional e cantávamos o nosso Hino, ou o à Bandeira, ou ainda o da Independência e o da Proclamação da República.

Sabíamos todos eles de cor. Isto era civismo, ensinado e incentivado desde tenra idade! Moral e Cívica era matéria estudada no curso secundário. E, a partir de 1964, se não me engano, também OSPB nas escolas de 2º grau e Estudo de Problemas Brasileiros nas Faculdades.

De uns anos para cá, tudo mudou. Há quem considere ética, moral e civismo como “resquícios do autoritarismo”, ou “coisa de milico” ou, irreverentemente, como “frescura”. Aliás, até o presente, passados tantos anos, ainda há quem, despudoradamente, culpe os governos militares por tudo o que acontece neste País.

Para exemplificar, recordo-me que, na década de 90, em um programa de notícias matutino, o jornalista que o conduzia, em certo momento, ao ouvir queixas de seu interlocutor, um antipático e arrogante político que pertencia a um partido então no poder, sobre determinados acontecimentos que não estavam agradando, calmamente, redarguiu: “ Mas, Senhor, o seu Partido está no Governo e, então, é culpado também por tudo isto! ” E ele, com sua irritante voz de “ cana rachada”, agressivamente respondeu: “Meu Partido não é culpado de coisa nenhuma! Culpados são os vinte anos de autoritarismo! ” É sempre assim: é preciso apontar um responsável, desde que não sejam nem eu, nem os meus...

Ética, Moral, Civismo... sentimentos, condutas, virtudes, apanágio de muitos de nossos antepassados, foram esquecidos, relegados e viraram até motivo de pilhérias. No novo Brasil do “quero o meu” e do “a boca é boa, também quero me arrumar”, que passaram a fazer parte do cancioneiro popular, entoado, com certo grau de cinismo e deboche; no País das bolsas e das quotas, que privilegiam eleitores de cabresto e que não honram o mérito; há outras coisas que recebem mais atenção e prioridade no momento. Sobreviver é o lema, não importa o quanto custe. Já não há preocupação com o bem-estar do povo, objetivo maior de um governo democrático.

A cada dia surgem mais notícias sobre o envolvimento, até de pessoas gradas, em vergonhosos e gigantescos casos de corrupção, lavagem de dinheiro, negociatas, “ toma lá, dá cá” e outros malfeitos, tudo com dinheiro público, a par de campanhas de descrédito contra instituições garantidoras da ordem, da liberdade e da soberania. Direitos humanos só para os marginais... Se a Polícia faz, é atacada; se deixa de fazer, também o é.

Eis porque uma parcela não-alinhada da mocidade, sem esperança no amanhã, busca emigrar para um ambiente mais sério, onde possa crescer profissionalmente como resultado de seu trabalho e de seu valor. E deseja fazê-lo, não para países decantados pelo Foro de São Paulo e por empedernidos comunistas, como Cuba, Venezuela, outros países bolivarianos e Coréia do Norte, mas para “ imperialistas” como EUA, Canadá, Austrália, Alemanha, Inglaterra, França e tantos mais, onde ideologias nefastas não têm credibilidade e não prosperam.

E também porque os mais idosos, céticos, exaustos de tanta mentira, envergonhados e que desfrutaram de dias melhores, murmuram, parodiando, com sinal negativo, a expressão alvissareira de Afonso Celso:
“ Porque não me ufano do meu País”.

Se os mortos vissem, estou certo de que nossos dois Imperadores, Caxias, Rio Branco, Tamandaré e centenas de outros, reverenciados sempre pela parcela sadia da sociedade, com admiração e como exemplos a serem seguidos, assistindo toda essa destruição de valores, estariam angustiados, perplexos, acabrunhados e lamuriantes, exclamando:
“O que fizeram do meu Brasil! ”

Estarrecido, humilhado, e tristonho, como brasileiro que conheceu outras épocas, mas mesmo assim ainda com fé, na certeza de que Deus tudo proverá, vou calçar o meu chinelo velho...

Pedro Luís de Araújo Braga é General de Exército e presidente do Conselho Deliberativo do Clube Militar.

6 comentários:

Anônimo disse...

Isso é fácil de ser resolver: repressão, porrada no lombo de vagabundo, sequestro de todos os bens e valores dos corruptos em indenização ao Erário, paredão para traidores da pátria, desmonte de partidos e organizações comunistas, limpeza total dos ambientes universitários e muita bala e vala para quem ousar enfrentar. Mas as donzelas de farda querem posar de bons moços, não querem quebrar a unha. Uma verdadeiras gazelas, mais preocupadas com desfile de moda e exposição de crochê no Clube Militar. E outros tantos nem escondem mais que são tão bandidos e cínicos e que servem a esse sistema, loucos para arrumar uma tetinha quando passarem pra reserva ou claramente mancomunados com a quadrilha, como o coma-andante do Exército e os outros dois fantoches, canalhas da pior espécie.

É isso. Continuem nesse chororô patético, típico de velhos broxas e covardes. Vão ver onde vão parar. O país está se desintegrando, com vagabundos falando abertamente em fuzilar os opositores no paredão, e vocês ficam nessa viadagem, cúmplices que são.

Loumari disse...

Maturidade Emocional

Dez funções da inteligência multifocal resultantes do treino da emoção e da arte de pensar:

1. A arte de amar a vida e tudo o que a promove.

2. A arte de contemplar o belo.

3. A arte da serenidade: pensar antes de reagir.

4. A arte de expor e não impor as ideias.

5. A arte da solidariedade.

6. A arte de gerir os pensamentos dentro e fora dos focos de tensão.

7. Colocar-se no lugar dos outros.

8. Ter espírito empreendedor.

9. Trabalhar perdas e frustrações.

10. Trabalhar em equipa.

Se você tem cinco dessas características bem trabalhadas na sua personalidade, a sua maturidade emocional está bem acima da média. Se, das seis artes da inteligência multifocal, você viver intensamente pelo menos três delas, saiba que é um poeta da vida. Infelizmente, a grande maioria das pessoas não tem constituída na colcha de retalhos da personalidade nem sequer duas dessas dez características.

"Augusto Cury, in 'Treinar as Emoções Para Ser Feliz'
Brasil n. 2 Out 1958
Psiquiatra/Escritor

Loumari disse...

As Etapas da Nossa Vida

Consoante percorremos cada etapa na nossa vida, reconhecendo-a como mais uma que ficou para trás de nós, a próxima etapa depara-se logo à nossa frente. Quando tivermos aprendido tudo, lentamente vamos percebendo as coisas. E enquanto vamos percebendo tudo gradualmente, não ficamos parados, já estamos a atender às necessidades das próximas etapas: vivemos, agimos, movemo-nos, vamos preenchendo os requisitos para cumprir as exigências da próxima etapa do nosso desenvolvimento. Se, por outro lado, não houve um plano, nenhum encantamento gradual, se todo o conhecimento cai em cima de uma pessoa de uma vez só, é possível que nem o seu cérebro nem o seu coração o possa suportar.

"Imre Kertész, in 'Fatelessness'
Hungria n. 9 Nov 1929
Escritor [Nobel 2002]

Loumari disse...

Não temos tempo para ler. Não temos tempo para consolar os inconsoláveis. Não temos tempo para conversar. Não temos tempo para amar. Temos demasiados interesses, demasiado trabalho, demasiadas reuniões, demasiados compromissos. Ou então compras para fazer. Substituímos o tempo pelos centros comerciais. Trocamo-lo por bugigangas, moedas, coisas que brilham. Enchemos o tempo para não olharmos no seu espelho. De repente, quando, por um minuto ou dois, paramos, não gostamos da imagem que essa paragem nos devolve - a imagem do que não soubemos ser, da vida que perdemos no meio das mil coisas que fizemos. Não há cirurgia estética que nos arranque de cima as pregas do tempo que gastámos em vez de vivermos.
(Inês Pedrosa)

Loumari disse...

A Humildade é a Base da Sociedade

A humildade oferece a todos, mesmo ao que se desespera na solidão, a relação mais forte com o semelhante, e, na realidade, imediatamente, mas, com certeza, só no caso da humildade completa e duradoura. Ela é capaz disso por ser ao mesmo tempo a verdadeira linguagem da oração e a mais sólida das ligações. A relação com o semelhante é a relação da prece; a relação consigo mesmo, a relação do esforço para alcançar algo; a energia para esse esforço é extraída da oração.

Podes conhecer outra coisa que não seja a fraude? Fosse ela um dia obstruída, tu de modo nenhum poderias olhar para lá a não ser que quisesses tranformar-te numa estátua de sal.

"Franz Kafka, in 'Os Aforismos de Zurau ou Reflexões no Pecado, Esperança, Sofrimento, e o Caminho da Verdade (106)'
Austria 3 Jul 1883 // 3 Jun 1924
Escritor

Loumari disse...

O laço essencial que nos une é que todos habitamos este pequeno planeta. Todos respiramos o mesmo ar. Todos nos preocupamos com o futuro dos nossos filhos. E todos somos mortais.
"John Fitzgerald Kennedy"
Estados Unidos 29 Mai 1917 // 22 Nov 1963
Estadista