segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Custo do Social


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão

Navegamos por mares nunca dantes navegáveis, numa mistura tragicômica de uma era desastrosa, e tudo se embasou nos problemas da inclusão social. Até aí nada de errado, mas quando o Estado se amesquinha, fica fragilizado e empobrecido, toda a população é refém dessa estrutura malévola.

O Estado é forte quando exerce o seu papel de distribuir a riqueza e não ao contrário de leiloar a miséria. Assim, as intervenções em diversos setores foram caóticas. Quem pegar uma conta de luz verá que, além do consumo medido, estará pagando a geração e transmissão e custos financeiros, um verdadeiro caos que retrata o estado de falência das empresas do setor elétrico, já que as matrizes alternativas não são suficientes para modular o sistema e agora com a paralisação de angra 3 o receio é que tenhamos mais apagões e aumentos no bolso do contribuinte.

Voltando ao tema de base, o governo errou de modo desavergonhado quando procurou aquinhoar cada individuo e não fortalecer todos. Se estivesse ocupado com o transporte que aliviasse a malha mediante mais metros, trens de superfície e rede de taxis compartilhados, ao invés de financiar carros e depois implantar radares por toda a cidade em busca da multa que enriquece o caixa e não tem vinculação com despesas, em tese, pois nada se comprova no retorno ao caótico transito.

Hoje, mais do que ontem, pagamos um custo extraordinário por causa de programas sociais insolventes, e o dinheiro publico derramado não voltará mais. Daí se procura aumentar impostos reinventar a CPMF e voltar o dinheiro internado no exterior, tudo a pretexto de que sairemos do caos em alguns anos, se formos otimistas.

O Estado quebrou literalmente pois foi demagogo e acima de tudo perdulário, e a famigerada reeleição é a maior imagem do retrocesso. Tudo se permite na sua perspectiva, desde que reeleito o candidato. Vivemos e convivemos em tempos difíceis e inábeis pelos nossos representantes do povo, que na realidade são achacadores e aproveitadores dos mandatos eletivos para negociatas e boas poupanças depositadas no exterior.

Enquanto isso a nossa destruição provocada pela corrupção somada à impunidade, num mergulho profundo as piores imagens do pré sal, destruída a maior estatal do País, que passa momentos dificultosos sem caixa, nenhum investimento e agora com a cara de pau querendo vender a distribuidora.

A fiscalização é a maior piada no Brasil. Esses órgãos reguladores são um retrato da ineficácia e total anomalia. Falta água no Estado de São Paulo, luz em regiões com apagões, linhas de transmissão não funcionam, sinal de celular sempre não há torre na proximidade, e assim caminha o País entre as chagas do desgoverno e a cruz da subserviência ao partido totalitário que encampa diretrizes retrogradas e se faz passar por bom moço.

Espertalhões, safados e maledicentes que ignoram a sociedade civil e aproveitam no momento da falta de oposição. E quase no final do ano, sem nada de concreto, mas sim inflação, recessão e perda de 120 mil postos de emprego ao mês, e dizem que foi uma marolinha.

Agora um povo que não se indigna, que não sai para brigar e reivindicar seus direitos e se contenta com migalhas, todos esses ingredientes nos colocam no subdesenvolvimento do final dos tempos.


Carlos Henrique Abrão, Doutor em Direito pela USP com especialização em Paris, é Desembargador no Tribunal de Justiça de São Paulo.

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