sábado, 31 de outubro de 2015

Que Jornalismo temos?


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Aileda de Mattos Oliveira

A pesquisa em órgãos da imprensa, que com empenho informativo divulgavam a subversão político-social há pouco mais de cinquenta anos, parece não ser considerada de fundamental importância ao jornalismo atual.

São constantes as omissões e deturpações de fatos, principalmente os de cunho militar, sejam ou não contemporâneos de quem escreve, e que chega a parecer má fé. Ou é mesmo má fé!

Como leitora de jornais, sem preferência por algum, assinalo falhas que não deveriam ocorrer, principalmente, nos chamados “jornalões”.

Se há diários que sequer explicam o significado de uma sigla, ou não informam o local de um acontecimento, como se todos os leitores fossem assíduos e morassem em São Paulo, o que podemos esperar, então, ao tratarem de pessoas, de suas atuações nos cenários político e militar, quando as informações devem ser verdadeiras, não caluniosas e imparciais?

O provincianismo dos nossos jornais salta aos olhos. Noticiam o que lhes é conveniente, substituindo a verdade pela repetição inconsequente de versões, na volúpia de agradar alguma potestade ameaçadora. Deixam à mostra a aceitação tácita da mentira instituída no país, a partir do domínio do sectarismo da esquerda que a usa com sórdida desenvoltura.

Entre tantos fatos, focalizamos dois dos mais recentes, sem preocupação cronológica: o obituário do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra e a videoconferência do Comandante do Exército, General Villas Bôas.

Não divulgaram que o Cel. Ustra dirigia uma entidade que agia em defesa da liberdade no país, convulsionado pela gangue da Dilma e de seus comparsas desejosos de implantar uma ditadura cubana. Não foram feitas referências ao trabalho do militar de impor segurança à cidade infernizada pelos guerrilheiros que matavam também civis nas filas dos bancos assaltados, nas ruas e em aeroportos. Não houve referência ao combate aos “aparelhos”, onde num deles se homiziava a presidente e o seu bando que assassinou, por detonação, o soldado Mário Kozel Filho que, de súbito, deixou de ser uma pessoa, pela virulência do ato.

A cantata dos jornalistas se limita à repetição, sem provas, contra o bravo Coronel Ustra, com unilaterais depoimentos de adversários figadais do militar, justamente, por impedi-los de implantar o terrorismo numa terra que continuam depravando;com a representação de uma atriz de conhecida emissora de televisão que se calou ao ser contraditada; ou, ainda, porque o Exército Brasileiro, apesar de todas as inverdades e calúnias, não cede à sedução do poder que compra todos com simples abanar de um leque de cédulas. Isso causa indignação à Causa seja a dos jornalistas seja a dos guerrilheiros, hoje, por obra do destino cruel, assentados no trono da nação e recebendo indenizações.

No uniforme, porém, desbotado pensamento da imprensa, um militar deveria estar impedido de emitir opiniões que não fossem as do seu próprio estamento. Por isso, ao falar na situação difícil por que passa o Brasil, de naturezas econômica, política, ética e que, “se ela prosseguir, poderá se transformar numa crise social com efeitos negativos sobre a estabilidade”, o General Villas Bôas trouxe preocupação a um jornalista que parece ignorar a crise pela qual passa o país e talvez visse nas palavras do Comandante alguma ameaça velada.

Tanto que “questionado” por ele sobre “a eventual crise social”, o General teve que, em nota, explicar o óbvio de que a menção à crise era “com o pensamento de legalidade, de estabilidade”.

O militar é um brasileiro fardado, é a materialização da lei constitucional sobre soberania e unidade nacionais. Portanto, não há razão para responder a questionamentos de quem está emparedado na ideia fixa do antimilitarismo.

Para nós outros, o que faltou às palavras do General foi clareza sobre a que “legalidade” e “estabilidade” se refere: as que mantêm o governo na arraigada luta pelo poder, assinando decretos perigosos, tornando secretos documentos de corrupção e permanecendo na contínua locupletação com o dinheiro público? Ou as que esperam todos os brasileiros que não abrem mão de sua soberania, de sua liberdade, de um governo democrático que a duras batalhas foram mantidos pelos antigos líderes militares?

Desconhece a imprensa que o Exército e as demais Forças exercem funções, além das restritas a cada uma. Ignora que elas amenizam as agruras sociais de brasileiros, ainda sem inclusão na sociedade, sem trabalho, sem estudos, perdidos nos recantos longínquos do Brasil, que nem os jornalistas sabem que existem.

São os militares que tratam da saúde, da alimentação, dos cuidados odontológicos dessa população, do transporte aéreo para hospitais, problemas que deveriam ser solucionados pelo Governo Federal que esbanja, nas prioridades do partido, o dinheiro destinado às políticas públicas.

São os militares que vivem o cotidiano dessa parcela de brasileiros relegada pelos políticos e governantes, preocupados, apenas, em disputarem a corrida da prevaricação.

Portanto, são eles que têm autoridade de analisar, de maneira crítica, a elevação do termômetro social em todas as regiões do Brasil e cabem-lhes alertar o país sempre que possíveis convulsões sociais estejam levantando poeira no horizonte.

Isso não cabe a jornalistas, em salas refrigeradas, limitados ao raquitismo da louvação à divindade, fora da realidade do passado e do presente, sem ter fundamentos históricos e visão sociológica para um esboço do futuro.


Aileda de Mattos Oliveira é Dr.ª em Língua Portuguesa. Vice-Presidente da Academia Brasileira de Defesa.

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