quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Quem perde paga


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Nelson Perez

É como acontece na guerra e se reproduz em jogos, desafios ou apostas: “QUEM PERDE PAGA!”

Assim estamos no Brasil, como na fase final de uma guerra.

A nação (cidadãos, famílias, comunidades e empresas), mais uma vez, derrotada pelos seus governantes.

O Brasil, por suas “estratégias”, no último período, distribuiu quantias astronômicas de dinheiro em operações não produtivas para, segundo seus mentores, obter resultados sociais e de desenvolvimento.

Foram realizados volumosos investimentos de infraestrutura em nações amigas como Bolívia, Venezuela, Cuba e Panamá, em estradas, portos, aeroportos e refinarias.

O Governo Brasileiro com o objetivo de “estreitar relações”, perdoou dívidas que superam US$ 1 Bilhão dos países africanos: Congo, Tanzânia, Zâmbia, Etiópia, Costa do Marfim, Senegal, Gabão, República da Guiné, Mauritânia, São Tomé e Príncipe, Sudão e Guiné Bissau. Conjunto de países que inclui algumas das mais violentas ditaduras da atualidade.

Perdoamos também a dívida da Bolívia (US$ 52 Milhões), da Venezuela (R$ 20 Bilhões) e ainda doamos US$ 800 Milhões para o governo de Cuba.
Aumentamos neste ano, o Fundo Partidário (dinheiro destinado ao “sustento” dos Partidos Políticos) de 289 Milhões, para R$ 868 Milhões em um aumento de mais de 200%.

Fizemos transferências diretas R$ 27 Bilhões via Bolsa-família, para 50 Milhões de pessoas, um exército que já representa ¼ da população total do País.

Para a Copa do Mundo de Futebol, foram gastos R$ 33 Bilhões, sendo R$ 1,1 Bilhão só para o estádio do Corinthians e R$ 1,05 Bilhão para o Maracanã.

Gastamos em 2014 para manter nossos inacreditáveis 39 Ministérios, a quantia de R$ 400 bilhões, remunerando mais de 113.000 empregados.
Cartões Corporativos do Governo Federal custaram em 12 meses aos cofres públicos, R$ 61,8 Milhões, sendo 49% deste montante, em gastos sigilosos.

Alguns Bilhões ainda foram dedicados à ONGs, convênios, incentivos, patrocínios, participações, “comissões”, etc.

Alguns obtiveram grandes vantagens. Mas, ao final, pelo menos para nós, deu errado! Fomos os derrotados!

A economia encolheu, perdemos mais de meio milhão de postos de trabalho em seis meses, a inflação cresceu, a insegurança é assustadora, o sistema de saúde se deteriora, a educação diminui seu orçamento e não evolui, nossa infraestrutura é precária e a corrupção se dissemina implacavelmente em todas as dimensões e por todo território nacional.

E agora, a despeito de já pagarmos mais de 45% de tudo o que produzimos em impostos aos nossos governantes e de já possuirmos uma liderança mundial inalcançável na relação injusta entre a arrecadação de impostos e a entrega de serviços à população, nossos governantes chegam a conclusão de que devemos pagar mais impostos ainda, para acertar o caixa e manter o pais, minimamente, viável.

Dizem eles, que isso é o que precisa e o que deve ser feito. Mas não pode ser por necessidade! Não é possível que seja! Certamente, não é. Só pode ser pela lógica da guerra e pela execução de sua principal regra. Uma regra opressora, tacitamente estabelecida e aplicada por quem detém muito poder e nenhum senso de justiça.

Aos vencedores, cabe a apropriação da riqueza. Aos perdedores, a assimilação de seus prejuízos, a indenização dos custos e o pagamento da premiação aos vitoriosos.

Não deveria ser assim. Mas vai acontecer novamente... Mais uma vez nós perdemos... E QUEM PERDE, PAGA.


Nelson Perez é Professor. Originalmente publicado no site do Percival Puggina em 20 de setembro de 2015.

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