sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Vão-se os anéis!


"A que novos desastres determinas
De levar estes reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas
Debaixo dalgum nome preminente?
Que promessas de reinos, e de minas
D'ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás? que histórias?
Que triunfos, que palmas, que vitórias?

CAMÕES – “Os Luzíadas” Canto IV

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Clovis Purper Bandeira

Mais um passo foi dado pela presidente na direção da insignificância política. Com a pretensa reforma política da semana passada, por si só decepcionante e insuficiente, deu mais um salto ladeira a baixo, afastando-se ainda mais da governabilidade e da governança que dizia buscar.

Afastou-se da governabilidade por abrir mão de ponderável parcela de seu poder restante ao se sujeitar às imposições do seu criador, entregandolhe as nomeações da antessala do poder. Como resultado, Rasputin domina os mais importantes gabinetes do 4º andar do palácio, aí incluído o da criatura.

Quanto à governança, nenhuma das mudanças gerou qualquer melhora, a não ser a diminuição tímida no número de ministérios e secretarias com o mesmo status, e uma redução de 10%, a conferir, das vagas de livre nomeação por critérios políticos, ou seja, a moeda de troca que precisa para continuar comprando o apoio político cada vez mais difícil do Legislativo.

Nada que implique maior eficiência funcional e administrativa, nada que responda ao clamor das ruas, que vai aumentar e será cada vez mais difícil de controlar, pois a crise está chegando às classes C e D, que tinham sido beneficiadas pelas manobras de facilitação de crédito e agora veem desaparecer as poucas vantagens materiais que conquistaram na fase de bonança. Tudo vai sendo consumido pela inflação, pelo desemprego e pela insegurança geral.

Além do criador, o grande beneficiado foi o PMDB, companheiro de viagem que se prepara para abandonar o barco, provavelmente ainda antes do fim do ano. A lógica das mudanças no ministério foi apenas a de somar votos necessários para enfrentar possível processo de impeachment no plenário do Congresso. Esses votos, porém, não são garantidos, estarão sujeitos a várias influências, inclusive à pressão da opinião pública, cada vez mais avessa à governante.

Resumo da ópera:

1. A criatura conforma-se em ser como a Rainha da Inglaterra, a quem peço desculpas pela comparação: reina mas não governa. Entregou as joias e feriu os dedos ao fazê-lo, não tem mais o que oferecer. Permanece em cena apenas para ser responsabilizada por tudo de ruim que ainda vai acontecer antes de atingirmos o fundo do poço.

2. O Conde Richelieu, que não é rei mas manda na rainha, governa através do controle dos ministérios mais importantes, sem se desgastar com as trapalhadas governamentais, mas capitalizando, para 2018, algum provável acerto;

3. O PMDB, verdadeiro saco de gatos, fica com um pé na nau governamental e outro no cais; precisará decidir em breve de que lado ficará, pois a nau se afasta sensivelmente da terra firme.

4. O PSDB, oposição envergonhada e incompetente, não ataca como devia seu primo PT; na verdade, são parecidos demais para serem verdadeiros inimigos, o que diminui as chances eleitorais do primeiro.

5. O PT, pilotando a nau desgovernada, vê fugirem a tripulação, os passageiros e até os ratos, enquanto a embarcação aderna a bombordo, procurando apoio em terras mais à esquerda.

Até o fim do ano, muita coisa será definida, dependendo da reação popular que tarda, mas virá. E não há mais anéis para entregar.


Clovis Purper Bandeira, General de Divisão, é Editor de Opinião do Clube Militar.

3 comentários:

Loumari disse...

O Paradoxo da Sabedoria

São muito raros no género humano os homens verdadeiramente sábios; o concurso de condições e circunstâncias especiais necessário para que os haja, ocorre com tanta dificuldade que não deve admirar a sua raridade: demais a sua aparição pouco ou nada aproveita aos outros homens que os desprezam, perseguem ou motejam, incapazes de compreendê-los, e os obrigam finalmente ao silêncio, retiro e reclusão.
(...) Não esperem os homens por, maior que seja o progresso da sua inteligência, chegar a conhecer as verdades capitais e primitivas sobre a essência e natureza das coisas: mudarão de erros, fábulas, hipóteses e teorias, mas nunca poderão alcançar conhecimentos que hajam de mudar a natureza humana, e fazer os homens diversos do que farão e do que são.
O mundo varia aos olhos e nas opiniões dos homens, conforme as idades e condições da vida.

"Marquês de Maricá, in 'Máximas, Pensamentos e Reflexões'
Brasil 18 Mai 1773 // 16 Set 1848
Escritor/Filósofo/Político



Um povo corrompido não pode tolerar um governo que não seja corrupto.
( Marquês de Maricá)

Anônimo disse...

Há um anel de couro a entregar, e vocês, generalecos patéticos, covardes e traidores, já o entregaram há muito tempo.

A VOZ DA POPULAÇÃO disse...

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=894640020629032&id=319496901476683