terça-feira, 24 de novembro de 2015

A Anta exclama: "Chamem o Dalai Lama"!


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Por conselho dos “aceçores” que lhe sopraram o ditado popular:

Quem reclama o rabo inflama.

A Anta aos céus auxílio clama.

Se o molusco em seus discursos o ódio trama, há gente que dona Onça chama.

É preciso buscar alguém experimentado no drama. Que venha o Dalai senão a casa cai.

Se o poder perdeu pra China no Tibete, aprendeu que com felino não se mete.

A gigAnta de pé de barro continua de nossa cara tirando sarro.

Mas sabe que um dia, cedo ou tarde, verá que seu rabo também arde.

A economia a fará miar; buscará exílio em Mianmar, que antes se chamava Burma, e a espera junto com sua turma.

Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

3 comentários:

Loumari disse...

Os Conselhos Mais Absurdos

As pessoas trocavam os conselhos mais absurdos. Incapazes de se escutarem, passavam as conversas a falar de si próprias, em apaixonadas manifestações de egotismo que tornavam insuportáveis até os encontros mais promissores. Para além de tudo, bastava um homem em sarilhos românticos manifestar o seu desespero, que logo irrompia, de entre os amigos, os conhecidos e os conhecidos de conhecidos, uma série de vampiros com uma espécie de amorómetro na mão, determinados a provar a inexistência da graça («Não. isso não é amor. Não a amas. Não amas tu, nem te ama ela a ti»), na ignorância absoluta da multiplicidade de formas que o amor assume e no desejo incontido de limitar o mundo às escassas emoções susceptíveis de penetrarem a couraça da sua apatia.

"Joel Neto, in 'Os Sítios Sem Resposta'
Portugal n. 3 Mar 1974
Escritor / Cronista

Loumari disse...

A nossa sociedade está a desmoronar-se e ninguém lhe acode. Os laços sociais estão a desaparecer, substituídos por um sistema de valores em que impera a vacuidade, o poder da «competitividade» como força motriz - e não é. Há tempo para tudo, diz o Eclesiastes. Mas a verdade é que os «tempos» foram pulverizados pela urgência de não se sabe bem o quê. A frase mais comum que ouvimos é: «Não tenho tempo para»; para quê? A correria mina as relações de civismo e de civilidade; está a roer os alicerces da família; a família deixou de ser o núcleo das nossas próprias defesas; e vamos perdendo o rasto dos nossos filhos, dos nossos amigos, dos nossos camaradas, dos nossos companheiros. A azáfama nos locais de trabalho é o sinal das nossas fragilidades e dos nossos medos. Estamos com medo de tudo, inclusive de confiar em quem, ainda não há muito, seríamos capazes de confidenciar o impensável.
(Baptista Bastos)

Loumari disse...

Uma sociedade inteira vive mergulhada num mundo de facilidades e aparências, afogada em sms, mails, blogues e redes sociais, onde procura criar uma estranha forma de vida e de relacionamento humano, que garante o contacto e o sucesso imediato e dispensa o incómodo que é enfrentar a vida real, sem ser a coberto do anonimato ou do disfarce hipócrita, e sem ter de assumir as consequências dos seus actos nem o vazio de passar por aqui sem ter feito nada de útil para os outros.
(Miguel Sousa Tavares)


Habituámo-nos a tudo, à miséria e à fraude, à corrupção e ao despotismo. A televisão mostra imagens até à fadiga.
(António Barreto)



As pessoas, nos seus trabalhos, estão a ficar muito isoladas. Tudo o que veio de civilizacional acabou por não servir a atmosfera de companhia, de discussão e troca de ideias - pelo contrário, acentuou o isolamento.
(Isabel Nóbrega)



A sociedade cria condomínios fechados, coloca alarmes, despende em muralhas, em vez de abater o desespero social.
(Dom Carlos Azevedo)



Os indivíduos são cada vez menos produtores e cada vez mais consumidores. Já quase não sabem fazer mais nada senão consumir.
(José António Saraiva)