quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Cinismo


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Roberto Gotaç

Seria edificante se nossos homens públicos entregassem seus cargos a partir do momento em que o bom senso e os interesses gerais lhes recomendassem considerar os problemas e as necessidades do país acima dos projetos pessoais e da obstinação renitente com a qual se apegam ao poder. 

Evitariam, assim, o surgimento de males maiores que poderiam ter repercussões imprevisíveis para a população e para os os objetivos nacionais. 

Atualmente, esta disposição entre eles está longe de se materializar. Na verdade, poucas vezes ela se manifestou ao longo das crises que eclodiram ao longo da nossa tumultuada república. 

Os políticos e governantes que se engalfinham na atual e triste conjuntura nem pensam em renunciar voluntariamente, por mais que se torne claro que a retirada honrosa constitua a única solução para as questões ligadas à poluída atmosfera de corrupção e de malversação do dinheiro público, com consequências desastrosas, que somos obrigados a respirar. 

Na verdade, hoje, mais do que nunca, estão priorizando querelas particulares, passando ao largo das angústias motivadas por suas ações erradas e insistindo em permanecer nas respectivas posições, corroendo, assim, a capacidade de resistência das instituições, o que pode conduzir a possíveis ruturas, com consequências graves. 

Por que nosso homens públicos são assim? 

Refletem eles o caráter meio cínico do povo que, afinal é quem os elege? 

Tudo indica que o país convive com uma séria e generalizada crise de confiança e precisa urgentemente de uma reforma de valores, entre as muitas necessárias, e de novas posturas públicas de modo a fazer surgir uma sensação de ética, mesmo tênue, hoje inexistente.


Paulo Roberto Gotaç é Capitão de Mar e Guerra, reformado.

3 comentários:

Paulo Robson Ferreira disse...

Discordo do nobre militar. O Brasil, antes das reformas de valores, precisa de mecanismos rápidos de excluir das funções públicas os desqualificados que as ocupam, cujas evidências de crime já estejam completamente definidas. É preciso pensar além do politicamente correto pois essa tolerância só tem servido aos bandidos que com o que é politicamente correto não tem absolutamente nenhum compromisso. O atrevimento dos bandidos tem que enfrentar uma defesa atrevida do estado com mecanismos eficientes de combate ao crime. Sistema de denúncia remunerada, fim de privilégios judiciais, suspensão preventiva de mandatos, supressão da interferências entre os poderes, enfim, não faltam medidas que podem reduzir drasticamente a corrupção que gera tanto desamor do povo à sua pátria.

Loumari disse...

A Medida da Fé

Tão mais opressiva que a convicção implacável do nosso presente estado pecaminoso é a mais frágil convicção da antiga, eterna justificação da nossa existência temporal. Só a capacidade de suportar desta segunda convicção, que na sua pureza abrange completamente a primeira, é a medida da fé.
Muitos consideram que, ao lado da grande fraude primitiva, existe em cada caso particular uma pequena fraude especial, encenada em proveito próprio, do mesmo modo como, por exemplo, numa intriga amorosa, representada no palco, a actriz, além do falso sorriso para o seu amante, tem ainda outro, particularmente pérfido, dirigido a um espectador determinado na última fileira da galeria. Isso significa ir longe demais.

"Franz Kafka, in 'Os Aforismos de Zurau ou Reflexões no Pecado, Esperança, Sofrimento, e o Caminho da Verdade (99)'
Austria 3 Jul 1883 // 3 Jun 1924
Escritor

Anônimo disse...

Senhor Paulo Roberto,
Não é à toa que o nosso mais digno representante é o anti-herói imortalizado por Mário de Andrade: MACUNAÍMA!
O herói sem nenhum caráter.
Corresponde à imensa maioria (eu disse maioria, e não unanimidade) do povo brasileiro.
Esse povo que tem renda familiar, que tem sua motocicleta, que não tem filhos em idade escolar, MAS RECEBE BOLSA-FAMÍLIA, na maior cara-de-pau.
Esse povo que elege como presidente da república um semi-analfabeto, falso trabalhador, molestador de viúvas de colegas mortos, estuprador de colega de cela, só porque é um "dos nossos".
E não nos iludamos, dizendo que ele não nos representa, pois os brasileiros decentes - entre os quais incluo a mim, ao senhor e a uns 10% da população - são uma minoria que confirma a regra: BRASILEIRO, COMO REGRA GERAL, É UM MAU-CARÁTER, SIM SENHOR!