sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Cuba e a vontade de latir


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

Em 1960, numa reunião da OEA realizada em Montevidéu, o então Ministro do Planejamento de Cuba, Che Guevara, disse que em uma década Cuba superaria a renda per capita dos EUA. 
                  
Cuba era, na época, o terceiro país mais rico da América Latina. Hoje, é o terceiro mais pobre. Seus cidadãos são os que têm a pior alimentação e são usados como itens de exportação, como agora se verifica no Brasil com o chamado Programa Mais Médicos.
                  
Sobre isso, recorde-se que em 1994, em Cuba, cerca de 75 mil pessoas contraíram a doença neurite ótica e periférica, que é ocasionada por desnutrição crônica.
                  
Hoje, a Ilha produz menos açúcar do que em 1919 e os 11 milhões de cubanos que vivem na Ilha criam menos riqueza que o milhão de exilados radicados em Miami. Em toda a história do continente nenhum país jamais empobreceu de forma tão intensa e brutal como Cuba sob o socialismo.
                  
Nunca o país dependeu mais da solidariedade de seus vizinhos da América Latina e Caribe.
                  
Embora as pessoas sejam impedidas de deixar o país, cerca de 20% da população já vive nos EUA, enquanto centenas de milhares continuam tentando emigrar para a Flórida de forma legal ou ilegal, em qualquer tipo de transporte.
                  
A maior fonte de receita do Estado cubano são as remessas dos exilados – cerca de 800 milhões de dólares anuais -, bem como as doações de medicamentos (cerca de 60 milhões) e o aluguel de médicos a outros países.
                  
Sobre as famosas conquistas da Revolução é forçoso reconhecer que os cubanos têm hoje uma instrução melhor do que em 1958, que não existem analfabetos, porém com uma diferença importante: os técnicos e profissionais vivem miseravelmente. Um médico recebe um salário equivalente a 20 dólares por mês e um engenheiro o equivalente a 15 dólares.
                  
Em Cuba vivem, portanto, os únicos cidadãos do planeta para os quais a instrução não abre caminho para uma vida melhor. Quanto mais se instruem, pior vivem. São, portanto, os indigentes mais bem instruídos do mundo. Essa é uma das principais conquistas da Revolução: a nivelação por baixo.
                  
Dizem que a assistência médica é muito ampla. Mas, de que adianta um serviço de saúde pública sem medicamentos, com equipamentos inutilizados por faltas de peças de reposição e com hospitais caindo aos pedaços?
        
Não se diga que isso é culpa do embargo econômico, pois nos hospitais onde os clientes – principalmente estrangeiros – podem pagar em dólar ou aqueles utilizados pela burocracia que dirige o partido e o Estado são encontrados medicamentos de última geração, norte-americanos, alemães e suíços.
                  
Mas, disso tudo resta alguma coisa. Resta o discurso da dignidade, da solidariedade e da especial categoria moral que a revolução impôs aos cubanos. Só o discurso...
                  
No entanto, será que poderá ser considerada digna uma criatura que não pode ler o que deseja, que não pode exprimir suas idéias, eleger seus governantes, escolher seus amigos ou viajar para onde deseja? 
                  
Tudo isso lembra a anedota do cachorro russo que apareceu passeando nas ruas de Paris. Ele era muito bem tratado em Moscou, mas saiu do país porque às vezes sentia vontade de latir. 

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

4 comentários:

cesar@terra.com.br disse...

Por favor, caro articulista, é possível vc informar as fontes de suas informações? Estas me seriam muito úteis.

Preferencialmente as envie ao nosso estimado jornalista Serrão, para que ele as divulgue aqui a todo o público.

Obrigado!
Até mais.
Cesar

Loumari disse...

É impressionante a facilidade com que pequenos problemas nos desorganizam totalmente. Nos paralisam. Nos impedem de pensar no fundamental. Esses problemas instalam-se dentro de nós e ocupam-nos. Pura e simplesmente. Uma ocupação selvagem. E quantas vezes, depois de instalados, se entranham acabando por se confundir com a nossa natureza e provocando-nos uma paralisia cognitiva, mas também motora. Deixamos de ter capacidade para hierarquizar o mundo nas suas múltiplas apresentações e não conseguimos agir, dar um passo. Já não digo em frente. Mas para o lado.
(Paulo Cunha e Silva)

Anônimo disse...

Que pena que Cuba nao importa gente...sò exporta, pois tem um montao de bolivarianos que vivem no Brasil que gostariam de viver em Cuba, como por exemplo, os petralhas, os tucanos, os sindicalistas, MST, o pessoal das facçoes criminosas, os felizardos das propinas...

Na verdade, esses ilustres cidadaos sao BOLIVARIANOS disfarsados de brasileiros, que sonham, dia e noite, com o paraiso de Fidel; eles fingem ser brasileiros, mas, no fundo, sao bolivarianos convictos que nao se conformam com o capitalismo selvagem.

Eles querem por que querem entregar as suas vidas e propriedades nas maos do idolo maior: Marx, e viver um sonho vermelho. Seria bom para todos nòs se Cuba os aceitasse de braços abertos; chego a pensar que os brasileiros seriam capazes até de dar uma apertadinha no cinto pra pagar a passagem dessa gente (so de ida), para nao por empecilho algum à transaçao e cumprir o desejo do coraçao dessa gente.

Anônimo disse...

Essa ruína econômica, social e ideológica que é a cuba de hoje depois de 55 anos nas mãos dos comunistas pode ser o retrato futuro do Brasil, se os meliantes do Foro de S. Paulo se perpetuarem no poder .