domingo, 29 de novembro de 2015

Estado Brasileiro: banqueiro e empreiteiro



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão

O Estado brasileiro, desde os seus albores, sempre privilegiou banqueiros e também empreiteiros, e isso nos leva à grande reflexão, na medida em que de um lado temos altíssimas taxas de juros e o custeio da dívida pública doutro as obras que se realizam sempre com um sobrepreço e o risco cometido contra cofres públicos.

Bem nessa direção a visão míope dos nossos governantes permitiu que ao longo de meio século os banqueiros ficassem cada vez mais ricos e o mesmo sucedeu com empreiteiras, notadamente nas obras da famigerada copa do mundo e nos jogos olímpicos que estão por vi. Sempre com seu espírito megalomaníaco o nosso governo, sem sombra de dúvida, procurou respaldo do sistema financeiro, até no plano do Proer para soerguimento de instituições financeiras falidas.

Mas não mudamos muito, tanto que na última década diversos bancos passaram pela liquidação extrajudicial convolada em falência. Esse duopolio eleito pelo governo, banqueiro e empreiteiro, chama a atenção quando temos presos o maior empreiteiro e o mais pujante banqueiro. O que teria dado errado em relação aos planos e programas de desenvolvimento da economia do próprio Brasil?

Inadvertidamente as obras públicas realizadas invariavelmente são compostas por gorduras e uma grande empreiteira fez acordo de um bilhão, para pagar os benefícios auferidos na copa do mundo. Daí podemos imaginar que muito dinheiro público foi jogado no ralo da miséria com uma vocação que jamais teríamos de organizar um grande evento, de forma transparente, já que bastariam seis estádios, mas a ganância e volúpia falaram mais alto para que construíssemos outros em lugares que sequer há times de futebol, a exemplo de Brasília ou do norte do País, na arena Manaus.

Dessa forma se percebe que ao vaticinar pelo aspecto do empreiteiro e do banqueiro são ambos a mesma moeda, haja vista que um depende do outro. Expliquemos: o empreiteiro necessita do banco para fazer seus projetos e obter financiamento para grandes obras, ou e banco privado ou dos bancos públicos, mais de perto o BNDES que nos últimos anos cooperou com tantas exposições, alvo agora da CPI. De mentalidade idêntica o banqueiro também precisa do empreiteiro, pois nos grandes negócios estão ambiciosos lucros.

Quantas empresas pedirão recuperação ou falência em decorrência do escândalo Petrobrás? Somente o futuro nos iluminará para uma resposta concentrada na realidade e no calibre de milhares de empregos perdidos, com respingo nos setores de óleo e gás.

Essa aliança até certo ponto espúria tem custado um preço salgado e impagável para Nação.O Brasil não pode ficar submetido aos rasgos de lucros fáceis e contaminados pela corrupção. Deve, ao mesmo tempo, preservar, e injetar recursos na infraestrutura, nos portos, aeroportos e mais do que isso dotar a população de condições mínimas de vida e decência, pois que se alardeiam a inclusão de milhões no passado, hoje escondem a exclusão de tantos outros que perderam seus empregos e foram abalados pela desmesurada inflação.

Estamos num momento crucial e os aspectos negativos podem nos atingir por uma recessão ao longo de dois anos, a classe política sempre descompromissada com o Brasil pouco se importa. As esquerdas salvíficas nos colocaram num mar de lama, pior do que Mariana e com um futuro de trevas, ao menos no primeiro semestre de 2016.

A sociedade civil precisa urgentemente reagir, mostrar a cara e ter coragem de exigir mais moralidade, decência e honestidade, notadamente em relação aos políticos que defenestraram a cidadania, esculhambaram com as instituições e desprezaram o estado federativo.

Por isso hoje somos mais fede do que ativo propriamente dito, tamanhos os escândalos que saem nas manchetes dos principais periódicos do exterior. E essa primariedade na qual se apóia o governo entre banqueiro e empreiteiro, de favorecimento, de clientelismo e de mazelas incorporadas as falcatruas, mais cedo ou mais tarde, teria que vir a tona.

A conta será amarga e muito pouco palatável, pois que o déficit interno é inenarrável e as condições econômicas alarmantes e preocupantes. Daí porque sem uma reviravolta o Estado brasileiro corre o sério risco de se tornar um permanente estado de crise que durará mais do que a provisoriedade da CPMF cuja volta se apregoa aos quatro cantos da Nação


Carlos Henrique Abrão, Doutor em Direito pela USP com Especialização em Paris, é Desembargador no Tribunal de Justiça de São Paulo.

2 comentários:

Anônimo disse...

A sociedade civil devido um judiciário corrupto e criminoso está de mãos atadas, a situação dos promotores ainda é pior pois se aprofundarem nas denuncias correm risco de morte...É preciso que se crie urgente uma policia especializada para acabar com essa máfia... MODIFICAÇÃO NA LEI DA MAGISTRATURA JÁ...

Loumari disse...

"Viver não consiste só em respirar é também, agir"