segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Má notícia para os fundos Previ, Funcef e Petros


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Raul Correa Rechden

A INVEPAR, holding de investimentos em infraestrutura compartilhada entre os três maiores fundos de pensão do país – Previ, Petros e Funcef – e a empreiteira OAS, que se encontra em processo de recuperação judicial, apresentou números preocupantes em seus demonstrativos financeiros do terceiro trimestre de 2015.

O prejuízo da controladora no período foi de R$138 milhões (prejuízo de R$142 milhões para os sócios não controladores). O prejuízo da holding (controladora mais controladas)  acumulado no ano chega a R$748 milhões, um aumento de 304% sobre o resultado de dezembro de 2014.

A dívida líquida consolidada (considerando Invepar mais controladas) aumentou 19% em apenas um trimestre, de R$8,6 bilhões para R$10,2 bilhões. Sobre o mesmo período de 2014 o aumento é de 48%. A dívida de curto prazo representa nada menos do que 40% desse total, o que obrigou a Companhia a emitir R$2,0 bilhões em debêntures de nove anos para tentar sair da iminente falta de caixa.

No relatório trimestral, a Companhia abriu um item para explicar que no negócio de concessões os lucros aparecem vários anos após o início da operação, seguindo o que os experts chamam de “curva J”. Como a maior parte de suas concessões está em fase inicial, os maus resultados podem ser considerados normais.

Embora os resultados individuais de cada concessão aparentemente confirmem a justificativa, a concessão do Aeroporto de Guarulhos (Franco Montoro), embora recente, parece ser um caso à parte. O prejuízo no ano já chega a R$922 milhões, do qual toca à controladora a parcela de R$423 milhões, representando 57% do seu prejuízo.

Um ensaio com os números da GRU Airport, concessionária que explora a concessão com 40% de participação da Invepar, mostra que os custos anuais de operação, amortização e outorga fixa superam a receita líquida em cerca de R$380 milhões por ano. Nesse número está incluída uma amortização de R$240 milhões para os investimentos realizados, mas não está considerado o pagamento de juros sobre empréstimos.

Ou seja, há indicação de que, mesmo que a dívida seja totalmente amortizada, ainda assim a conta não feche. Foi justamente essa a expressão usada pelo representante do segundo colocado no leilão do aeroporto quando a Invepar venceu o certame com um lance superior a 16 bilhões de reais, reajustáveis pela inflação. 

A outorga é paga em prestações anuais. Em julho deste ano, a parcela atingiuR$1,016 bilhões de reais. Estranhamente, o relatório do segundo trimestre de 2015, e também o equivalente de 2014, cita a própria Companhia (Invepar) como pagadora desse valor, ao passo que a outorga deveria ser paga pelaGRU Aiport, que inclui como sócios, além da Invepar, a ACSA, que opera o aeroporto, e a Infraero. O autor dessas linhas pediu confirmação do fato ao RI da Invepar. Embora prometida resposta no prazo máximo de cinco dias úteis, não houve retorno. Reiterada a solicitação de esclarecimento, a Companhia silenciou.

Em caso de falência da Concessionária GRU Airport, os sócios da Invepar assumem os custos de operação do Aeroporto. Vale dizer, os participantes da Previ, Petros e Funcef.

A venda da fatia da OAS na Companhia está sendo negociada com a canadense Brookfield, que segundo se anuncia concordou em pagar R$1,35 bi pelos 24,5% que a empreiteira possui. Os 25% da Petros estão apropriados em seu patrimônio por pouco menos de R$2,8 bilhões.


Raul Correa Rechden é Engenheiro aposentado da Petrobras.

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