quinta-feira, 19 de novembro de 2015

O Dia da Bandeira - 19 de novembro


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Odyr Buarque de Gusmão

Proclamada a República em 15 de novembro de 1889 pelo Marechal Manuel Deodoro da Fonseca, havia a necessidade de substituição da Bandeira do Império por outra que representasse o novo regime político – a República Federativa do Brasil, instaurada sob fortes convicções positivistas, doutrina professada pelo filósofo francês Auguste Comte.

Contribuíram para a criação da nova Bandeira Nacional seu idealizador o Professor Raimundo Teixeira Mendes, com a colaboração do astrônomo Manuel Pereira Reis, sendo o desenho executado pelo pintor Décio Vilares, auxiliado por Miguel Lemos. Ao Coronel Benjamin Constant Botelho de Magalhães coube a confecção da nova Bandeira, bordada como ficou consagrado na História, por sua família.

A excelência do texto de Joaquim Nabuco que, com apreciável sensibilidade, diz-nos quem são os marinheiros e o que para eles representa a Bandeira, não me permite aventurarme no campo literário.

Assim se expressa Nabuco: “O marinheiro é um ausente, tem que ser pelo seu gênero de vida, muito menos regional do que o soldado, vinculado à guarnição. A luta do mar é a maior parte do tempo contra os elementos, pelo menos o era na marinha de vela da qual ele vem, e isto imprime à sua energia um caráter de grandeza que amesquinha as dissensões civis. Para um sentimento se apossar de seu coração é preciso que tenha alguma coisa de vasto, de insondável. O oceano é o molde em que é lançada a sua individualidade. Daí resulta uma grande extensão de horizonte interior. A Bandeira tem sobre ele uma influência .... Há no desenrolar do pavilhão na solidão do oceano, quando dois navios se encontram, uma sugestão de patriotismo que cala na alma até o fundo. É diante do estrangeiro que se educa, se corrige, se apura o sentimento patriótico, e o marinheiro está sempre diante do estrangeiro. Daí o seu afastamento natural, a sua incompreensão de tudo que divide o país, o seu amor a tudo que une. Ele tem o sentimento da Pátria, unitário, impessoal, por isso que as velhas tradições do país conservam-se vivas depois de quase apagadas em terra. A esse sentimento une-se a sua simpatia pelas ideias e pelas coisas que ele sabe ser universais, porque as encontrou, a volta do globo, nas escalas de seu navio.”

A originalidade da nossa Bandeira a distingue de todas as das demais Nações – é a única que ostenta a “mais completa ilustração celeste imaginada para uma bandeira com nove constelações reais do firmamento,” inclusive a do cruzeiro do sul, incluída por sugestão de Benjamin Constant.

É também símbolo de sua “personalidade” o lema “ORDEM E PROGRESSO”, presença marcante de inspiração Positivista tendo por simplista interpretação “l’amour pour príncipe et l’ordre pour base, le progrès pour but” ... o progresso por fim. A composição celeste retrata o céu do Rio de Janeiro às 0830 horas do dia 15 de novembro de 1899. Contém 27 estrelas representando os 26 estados da Federação e o Distrito Federal. A única estrela, solitária, posicionada acima da faixa, representa o Estado do Pará.  Na interpretação popular, as cores da Bandeira representam: o verde as florestas, o amarelo as riquezas minerais, o azul é celeste e o branco a paz que deve reinar.

Nos períodos governamentais do Presidente Getúlio Vargas, época de minha adolescência no Colégio Pedro II, Internato no Rio de Janeiro, celebrava-se, com o coração vibrante de entusiasmo, cantando o Hino à Bandeira, o DIA 19 DE NOVEMBRO -  DIA DA BANDEIRA – SÌMBOLO MAIOR DA REPRESENTAÇÃO DO BRASIL E DA NAÇÂO BRASILEIRA.

Hoje em dia, nas manifestações políticas, festivas, ou outras, com algumas exceções nos países do primeiro mundo, os símbolos nacionais estão sendo substituídos por outros com fortes conotações ideológicas. Lamentáveis opções.

Na Marinha do Brasil, reafirmando o caráter de nosso povo e a não aceitação fracionária do território nacional, no penol da carangueja de nossos navios, tremulando com o aroma da floresta Amazônica, panejando na  brisa do Norte e do Nordeste ou açoitado nos mares bravios do Cabo de Santa Marta ou em outros mares, o auriverde Pavilhão Nacional estimula,  com a mística de sua influência e esplendorosa beleza, os integrantes de suas tripulações, Homens e Mulheres, a que permaneçam  atentos aos seus Deveres e Obrigações para com a nossa Pátria  - o  BRASIL.


Odyr Buarque de Gusmão é Contra-Almirante, reformado.

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