terça-feira, 3 de novembro de 2015

O que houve?


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sérgio Paulo Muniz Costa

Os fatos que levaram à exoneração do General Mourão não foram os miseravelmente alegados pelo governo.

Na noite de 5a feira, dia 29 de outubro, os brasileiros foram agredidos, mais uma vez, pelo governo corrupto que exerce ilegitimamente o poder no país.

Depois de achacar magistrados, de inverter a ordem dos fatores para esconder o produto da corrupção e de combinar liminares salvacionistas, pareceu útil ao governo da inepta Dilma Roussef criar um fato político atingindo um General-de-Exército da ativa.

O golpe veio com a notícia, surreal, de que o Ministro da Defesa exonerou o General Antônio Hamilton Martins Mourão do cargo de Comandante Militar do Sul por ele “ter perdido a condição de comando com a sequência de fatos”. Que fatos?

Segundo a imprensa, os fatos seriam as críticas ao governo Dilma Roussef e “uma homenagem póstuma a um chefe da repressão na ditadura”  ocorrida “em um quartel sob sua jurisdição”. Fatos na verdade criados pelo governo para ocultar os fatos que realmente levaram à exoneração do General Mourão.

É fácil criar fatos, e em tempos de crise parece útil fazê-lo. O difícil é controlar os acontecimentos que esses fatos geram.

Multiplicados por desdobramentos imprevistos e potencializados por reações aleatórias, esses fatos criados artificialmente produzem outros, bem reais, que se metabolizam em acontecimentos, cujo significado e importância serão estabelecidos pela História. Porém, nada disso preocupa o grupo que está no comando desse governo descontrolado. Criar uma crise após outra é a sua estratégia de sobrevivência.

Os fatos pretextados pelo governo para exonerar o General foram antecedidos pelas vozes de arautos seus, uma jornalista e um historiador, ambos defendendo o indefensável.

Miriam Leitão, com sua visão vesga do que seja contrato social, justificada pela “inclusão” alcançada pelo Bolsa Família, e José Murilo de Carvalho apontando para “o único perigo real para nossas instituições, o envolvimento político das forças armadas”.

E assim, nesta República de combinações, combinou-se que os grande riscos para o País são uma conspiração militar e o nome do General.

Só faltou combinar com os 90% da população que pensam como o General Mourão, mas que não sabem que ele não pode falar o que pensa para os seus subordinados e que não esperam que os comandantes das forças destinadas à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem sejam covardes e omissos, deixando de tratar, no recesso de seus quartéis, do que acontece de grave no País.

Mas é preciso que a nossa sociedade saiba que o envolvimento político das forças armadas não é um risco no Brasil, e sim um fato consumado.

Não nos termos da cantilena ideológica dos anos 80, trazida agora remendada para justificar o arbítrio do governo. O envolvimento político das forças armadas se deu no segundo governo Lula pela desconstrução da lei que criou o Ministério da Defesa em 1999, pela invenção de uma estratégia nacional de defesa desconectada da política nacional de defesa, pela inserção de um civil na cadeia de comando militar e pela nomeação ad aeternum de um general escolhido por critérios políticos para a chefia do estado-maior conjunto.

Tudo isso sob os aplausos da classe política que não enxergou o poder inédito sobre as forças armadas que essas medidas concediam ao governo e que ele aproveitou para encetar sua agenda ideológica que paralisou as oposições e a opinião pública até o início deste ano.  

Os fatos que levaram à exoneração do General Mourão não foram os miseravelmente alegados pelo governo. É um dever do comandante expor no âmbito de seu comando o seu pensamento a respeito de situações sensíveis que atingem os seus subordinados, parte inseparável da sociedade brasileira.

É uma mentira afirmar que o General Mourão foi exonerado por que homenageou o Coronel Ustra. Essa homenagem aconteceu em Brasília, no velório do Coronel, pelas mãos de outro comandante militar de área que entregou à viúva a Bandeira do Brasil, na presença de muitos oficiais generais e superiores, da ativa e da reserva.

É uma ofensa ao Exército que um civil no exercício do cargo de Ministro da Defesa afirme que um dos generais de maior capacidade de liderança tenha perdido “a condição de comando com a sequência de fatos”.

Mas se imaginarmos as condições que um governo corrupto como o que está no poder no Brasil exige de seus colaboradores de confiança, o General Mourão deve ter realmente perdido “a condição de comando”.

Como  comandante militar da área que engloba os Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o General Mourão, no exercício de suas atribuições, devia estar sendo procurado por autoridades e pessoas portadoras de graves denúncias de corrupção que envolviam outras situadas em elevadas posições do governo e, como deve acontecer, com o conhecimento de seu comandante, estaria encaminhando essas evidências à autoridade competente, na inteira acepção da palavra.

Por aí, pode-se concluir o que houve. Uma canalhice.


Sérgio Paulo Muniz Costa é Doutor em Ciências Militares e Historiador. 

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